O que é autenticação sem senha?

Autenticação sem senha, definição

A autenticação sem senha é qualquer método de autenticação que não usa senhas tradicionais, perguntas de segurança nem outros fatores de conhecimento para verificar a identidade de um usuário.Em vez disso, os métodos de autenticação sem senha usam elementos mais difíceis de roubar ou falsificar, como passkeys, chaves de segurança físicas e biometria.

As senhas talvez sejam o método mais comum de autenticação de usuários. Elas também são o método mais fraco.As senhas podem ser roubadas por meio de ataques de phishing e malwares infostealer, adivinhadas com ataques de força bruta ou compradas na dark web, onde hackers as vendem por alguns dólares cada.

Munidos de credenciais roubadas, os agentes de ameaça podem assumir o controle de contas legítimas, abusar de seus privilégios válidos e escapar da detecção, porque sua atividade se parece com a de um usuário autorizado.De acordo com o IBM X-Force Threat Intelligence Index 2025, o roubo de contas válidas é um dos vetores de acesso inicial mais comuns, presente em 32% dos ataques cibernéticos analisados pela X-Force.

Outros fatores de conhecimento, ou seja, qualquer fator de autenticação que depende de um segredo que o usuário conhece, sofrem das mesmas fragilidades.As respostas a perguntas de segurança comuns, como o nome do primeiro animal de estimação ou do melhor amigo de infância, podem ser facilmente descobertas por meio de engenharia social ou simplesmente bisbilhotando as redes sociais.

Embora "senha" apareça no nome, a autenticação sem senha elimina todos os fatores de conhecimento, incluindo as perguntas de segurança.Os métodos sem senha substituem esses fatores de conhecimento por tokens de hardware, chaves de acesso criptográficas, impressões digitais, leituras faciais, aplicativos autenticadores e muito mais.

Esses fatores de autenticação sem senha são considerados muito mais seguros do que os fatores de conhecimento.Eles não podem ser roubados ou falsificados com facilidade, o que os torna resistentes a algumas das ameaças cibernéticas mais disseminadas atualmente.Por exemplo, os cibercriminosos não conseguem roubar uma chave de acesso por meio de um link de phishing, nem criar impressões digitais falsas sem uma tecnologia altamente sofisticada.

Como funciona a autenticação sem senha

A autenticação sem senha funciona substituindo os fatores de conhecimento no processo de autenticação por alternativas que não se baseiam em conhecimento.Assim, em vez de pedir uma senha, um processo de login sem senha pode pedir ao usuário que clique em um link mágico ou toque em uma notificação por push.

Para entender plenamente a lógica da autenticação sem senha, pode ser útil primeiro detalhar como a autenticação funciona em geral.

Em um processo de autenticação típico, os usuários comprovam sua identidade apresentando evidências de que são quem afirmam ser. Essa evidência é chamada de "fator de autenticação" e costuma se enquadrar em uma de quatro categorias:

  • Fatores de conhecimento: algo que o usuário sabe, como uma senha ou a resposta a uma pergunta de segurança.

  • Fatores de posse: algo que o usuário tem, como uma senha de uso único gerada por um smartphone pessoal ou uma chave criptográfica privada.

  • Fatores de inerência: algo que o usuário é, geralmente biometria, como leituras de impressão digital, rosto e retina.

  • Fatores comportamentais: algo que o usuário faz, como padrões únicos de digitação ou gestos com o mouse.

As soluções de autenticação sem senha usam apenas fatores de posse, de inerência e comportamentais.Mais especificamente, as alternativas comuns às senhas incluem:

Chaves de acesso

As chaves de acesso se baseiam na criptografia de chave pública, geralmente implementada de acordo com um conjunto de padrões conhecido como FIDO ou FIDO2.

As chaves de acesso funcionam gerando um par de chaves criptográficas: uma chave pública, compartilhada com o serviço em que o usuário está se cadastrando, e uma chave privada, mantida no dispositivo do usuário, como seu smartphone pessoal. A chave privada nunca é compartilhada com o serviço.Além disso, a chave privada fica protegida por um PIN ou um desafio biométrico.

(O padrão FIDO também é compatível com chaves de segurança de hardware.Para mais informações, consulte "Tokens de hardware".)

Com uma chave de acesso, o fluxo de autenticação funciona assim:

  1. O serviço envia um desafio ao dispositivo do usuário.

  2. O usuário desbloqueia sua chave privada e a usa para assinar o desafio.

  3. O desafio é enviado de volta ao serviço, que usa sua chave pública para verificar se ele foi assinado pela chave privada correspondente.

  4. O usuário recebe o acesso.

As chaves de acesso são consideradas muito mais seguras do que as senhas por vários motivos.A chave privada nunca sai do dispositivo do usuário, portanto, não pode ser interceptada. Se um invasor de fato roubar o dispositivo que contém a chave privada, ainda assim precisará inserir um PIN ou passar por um desafio biométrico para usar a chave.

Como disse Jeff Crume, mestre inventor e engenheiro distinto da IBM, em um episódio do podcast IBM Security Intelligence:

O principal vetor de violações [no relatório do custo das violações de dados da IBM de 2025] é o phishing.E, com phishing, o que eles buscam?Estão atrás das suas credenciais. E adivinha só? Se você não tiver uma senha, ninguém poderá roubá-la de você. E, se você tem uma chave de acesso, fica muito mais difícil.

Fatores biométricos

A autenticação biométrica se baseia nas características físicas do usuário.Leituras de retina, tecnologia de reconhecimento facial e leitura de impressão digital estão entre as formas mais comuns de biometria.

Os fatores biométricos são considerados seguros porque não podem ser roubados nem falsificados com facilidade.Eles também são considerados fáceis de usar, pois os usuários não precisam fazer nada de especial para inserir credenciais biométricas, basta olhar para uma câmera ou encostar o polegar em uma tela.

A desvantagem é que, embora seja extremamente raro, a biometria pode ser roubada.Em 2024, por exemplo, hackers roubaram dados de reconhecimento facial de uma empresa australiana chamada Outabox. E, quando a biometria é roubada, não dá para redefini-la como uma senha. Não há como alterar as próprias impressões digitais ou os padrões da retina.

Senhas de uso único (OTPs)

Como o nome sugere, as senhas de uso único (OTPs) são senhas descartáveis, geralmente válidas por apenas um breve período, que substituem credenciais permanentes.Sempre que um usuário precisa fazer login em um serviço, ele gera uma nova OTP.

As OTPs podem ser geradas de várias maneiras. Entre os métodos mais comuns estão:

  • Usar uma chave de segurança de hardware para gerar OTPs ao apertar de um botão.

  • Usar um aplicativo autenticador em um smartphone, que cria continuamente OTPs de curta duração baseadas em tempo (TOTPs) para os serviços pareados.

  • Usar mensagens de texto SMS para receber OTPs de um serviço de autenticação.

As OTPs não são consideradas fatores de conhecimento porque não são segredos de longa duração. As OTPs são fatores de posse.Não é o conhecimento da OTP que verifica uma pessoa, mas a posse do aplicativo autenticador, do número de telefone ou da chave de segurança registrados que geraram a OTP.

As OTPs geralmente expiram após um único uso ou um período determinado, o que limita seu valor caso sejam roubadas ou interceptadas.Mas elas podem ser roubadas por meio de certos artifícios, como infostealers ou ataques de intermediário (MitM).

Tokens de hardware

Também chamados de chaves de segurança, os tokens de hardware são dispositivos dedicados, muitas vezes na forma de dongles USB, que armazenam ou geram informações de autenticação.

Alguns tokens de hardware usam OTPs. Eles criam novas OTPs regularmente, como um aplicativo autenticador, ou geram OTPs sob demanda quando o usuário aperta um botão. Outros tokens transmitem automaticamente informações de autenticação a um serviço quando conectados a um dispositivo.

Os tokens de hardware são considerados fortes porque muitas vezes não estão conectados à internet, e a pessoa precisa possuir fisicamente o token para usá-lo.

Dito isso, as chaves de segurança podem ser perdidas ou roubadas. Pode ser caro, e logisticamente inviável, emitir uma chave para cada funcionário ou usuário de um serviço.

Links mágicos

Os links mágicos são links especiais que contêm tokens de autenticação.

Primeiro, o usuário registra sua conta de e-mail ou número de telefone em um serviço.Depois, quando quer fazer login, o usuário solicita um link mágico.O serviço envia o link para o e-mail ou dispositivo móvel registrado. Quando o usuário clica nele, é levado ao serviço que deseja acessar, totalmente autenticado e conectado.

Os links mágicos são um tipo de fator de posse, mas não é a posse do link em si que comprova a identidade do usuário. Na verdade, é a posse da conta de e-mail ou do número de telefone registrados anteriormente.

Assim como as OTPs, os links mágicos permanecem válidos por apenas um curto período e expiram automaticamente após um único uso.

No entanto, se um invasor conseguir acessar a caixa de entrada de e-mail ou o número de telefone de um usuário, os links mágicos podem ser facilmente explorados de forma indevida. Basta que o invasor acesse o serviço que deseja invadir, solicite um link e pronto: está dentro.

Notificações por push

Funcionando de modo semelhante aos links mágicos, esse método envia notificações por push para o dispositivo móvel previamente cadastrado de um usuário quando ele tenta fazer login em um serviço. O usuário precisa tocar em "aprovar" (ou algo equivalente) na notificação por push para obter acesso.

As notificações por push são outro fator de posse.O ato de tocar confirma que o usuário está de posse do dispositivo cadastrado, o que verifica sua identidade.

As notificações por push são convenientes e, em geral, seguras, mas são suscetíveis a ataques conhecidos como "enxurrada de notificações por push", também chamados de "fadiga de MFA", "bombardeamento de MFA" ou "spam de prompt".

Nesse ataque, um agente de ameaça acessa o serviço que quer violar, insere o ID de usuário do alvo e solicita repetidamente a autenticação por notificação por push. A súbita enxurrada de notificações no dispositivo do alvo tem o objetivo de sobrecarregá-lo, de modo que a vítima aprove uma por acidente ou apenas para fazê-las parar.Com essa aprovação, o hacker consegue entrar na conta do usuário.

QR codes

Os logins baseados em QR exibem um QR code. O usuário escaneia o código, geralmente com um aplicativo autenticador ou um aplicativo específico do serviço que está acessando, e é assim que ele faz login.

O mecanismo básico aqui é uma transferência de sessão.Por exemplo, digamos que um usuário queira fazer login em um site no seu notebook usando um QR code:

  1. O site apresenta um QR code ao usuário. Esse código contém um token de curta duração que representa a sessão pendente e não autenticada.

  2. O usuário escaneia esse código com seu dispositivo móvel previamente cadastrado e autenticado.

  3. O dispositivo móvel aprova a sessão.

  4. O servidor web vincula a sessão aprovada à identidade do usuário, e o usuário obtém acesso ao serviço em seu notebook.

Mesmo que um invasor obtenha o código QR, ele não consegue fazer muito sem o dispositivo pré-autenticado do usuário.Dito isso, um invasor pode, hipoteticamente, sequestrar a sessão do telefone do usuário e invadir uma conta dessa forma.

A autenticação baseada em QR code também é suscetível ao quishing, também conhecido como QR phishing ou QR jacking. Os invasores apresentam às vítimas QR codes falsos que, ao serem escaneados, aprovam sessões controladas pelo invasor em vez de sessões legítimas.

Fatores comportamentais

Fatores comportamentais são artefatos digitais que verificam a identidade de um usuário com base em padrões de comportamento, como a faixa de endereços IP típica do usuário, sua localização e sua velocidade média de digitação.

Esses fatores raramente são usados isoladamente como prova suficiente de identidade.Mais comumente, integram um esquema de autenticação baseada em risco que avalia continuamente a postura de segurança do usuário para determinar dinamicamente os requisitos de autenticação conforme o nível de risco.

Por exemplo, um usuário que faz login a partir de seu dispositivo habitual e em seu horário habitual pode precisar fornecer apenas um fator de autenticação. Esse mesmo usuário, ao fazer login a partir de um novo dispositivo ou de uma localização incomum, pode precisar fornecer um fator adicional.

Autenticação sem senha para identidades não humanas

Impulsionado em grande parte pela ascensão dos serviços de nuvem, da inteligência artificial e do aprendizado de máquina, o número de identidades não humanas (NHIs) ativas na rede corporativa média cresceu drasticamente nos últimos anos. E, à medida que os agentes de IA viabilizam automações cada vez mais sofisticadas, gerenciar as permissões das NHIs e proteger suas credenciais tornam-se preocupações centrais para as equipes de cibersegurança.

Contas não humanas podem ser sequestradas da mesma forma que as de humanos. Muitas vezes têm privilégios elevados (pense em um processo de backup capaz de ler os bancos de dados corporativos mais sensíveis) e dependem de uma única credencial para autenticação, o que as torna alvos atraentes e potencialmente frágeis.

Embora as NHIs não usem senhas da mesma forma que os humanos, elas costumam depender de certificados e tokens que podem ser roubados, forjados ou quebrados, assim como as senhas.

A autenticação sem senha para usuários humanos consiste em eliminar credenciais de longa duração, facilmente roubadas ou falsificadas. As organizações podem obter benefícios semelhantes para as NHIs combinando acesso just-in-time e armazenamento de credenciais em cofre, como se vê no processo de gerenciamento do ciclo de vida de segurança.

O gerenciamento do ciclo de vida de segurança automatiza a criação, a rotação e o armazenamento seguro das credenciais de NHIs, substituindo segredos persistentes e embutidos no código por credenciais efêmeras ou just-in-time armazenadas em um cofre central e seguro.Os cofres, por sua vez, são protegidos por criptografia e por medidas de autenticação fortes, ajudando a garantir que apenas usuários autorizados possam acessar essas credenciais quando necessário.

Jake Lundberg, CTO de campo da HashiCorp, delineou uma visão de credenciais de NHIs hiperefêmeras em um episódio do Security Intelligence:

O melhor cenário possível é você migrar para credenciais baseadas em sessão. Quando minha sessão é iniciada, tenho uma credencial just-in-time. E, assim que a sessão é encerrada, eu de fato perco essas credenciais. Então, quando minha sessão termina, mesmo que tenha durado apenas cinco minutos, removemos essas credenciais desses sistemas.

Especificações de identidade de carga de trabalho, como SPIFFE/SPIRE, podem vincular identidades de NHIs a atributos de tempo de execução verificáveis criptograficamente.Esses frameworks tornam possível verificar uma carga de trabalho com base em onde e como ela está sendo executada, permitindo que as NHIs se autentiquem sem usar senhas ou chaves de API.

Implementação da autenticação sem senha

Logins sem senha podem ser implementados como autenticação de fator único (exigindo um fator que não seja de conhecimento) ou como autenticação multifator (MFA) (exigindo dois ou mais fatores que não sejam de conhecimento). As implementações de MFA sem senha são consideradas mais seguras do que a MFA padrão ou a autenticação de dois fatores (2FA), que geralmente usam uma senha como primeiro fator.

(Uma implementação de MFA que solicita tanto uma senha quanto algum outro fator que não seja de conhecimento não é sem senha, pois ainda envolve uma senha. Todos os fatores envolvidos precisam ser fatores que não sejam de conhecimento para que o login seja de fato sem senha.)

Nem todo aplicativo oferece suporte nativo a opções totalmente sem senha. Para implementar a autenticação sem senha em toda a rede corporativa, as organizações costumam usar plataformas de orquestração de identidades. Essas ferramentas conectam e coordenam sistemas díspares de gerenciamento de acesso e identidade (IAM) de vários provedores de identidade em uma malha de identidade holística, com um fluxo de trabalho de identidade único e sem atritos. A orquestração de identidades é a tecnologia por trás de muitos sistemas de logon único (SSO).

Em essência, a orquestração de identidades funciona roteando as solicitações de login de serviços individuais por um processo centralizado, e muitas plataformas de orquestração de identidades comportam um processo de autenticação centralizada sem senha. Assim, toda a empresa pode ser sem senha, mesmo que aplicativos e serviços individuais do stack de tecnologia não ofereçam suporte a isso.

Por que a autenticação sem senha é importante

A autenticação baseada em senha há muito tempo é o método padrão para verificar identidades de usuários.Infelizmente, também é o menos seguro.Os métodos sem senha podem eliminar um dos elos mais fracos das redes modernas, fechando uma brecha amplamente explorada na superfície de ataque corporativa.

As senhas são facilmente roubadas por meio de ataques de engenharia social, como o phishing, e de malwares, como spyware e infostealers.São particularmente vulneráveis a ataques a help desks, golpes de engenharia social em que agentes maliciosos ligam para o help desk fingindo ser um usuário ou funcionário que precisa redefinir a senha.Esses ataques estão se tornando mais comuns porque são de uma eficácia devastadora. Como certa vez disse Stephanie Carruthers, ex-chefe de desenvolvimento de pessoas da IBM X-Force:

Realizamos campanhas de engenharia social para nossos clientes cujo objetivo é ligar para o help desk deles e ver se conseguimos nos passar por um funcionário para redefinir sua senha.Até hoje, tivemos sucesso todas as vezes que fizemos isso.

As pessoas costumam usar senhas fracas que os invasores conseguem quebrar por meio de ataques de força bruta e de dicionário, ou seja, testando senhas comuns até que uma funcione.As pessoas também reutilizam senhas em vários serviços, permitindo o preenchimento de credenciais. Quando os invasores têm a senha de um serviço, podem testá-la em vários outros também.

Mesmo quando as pessoas seguem as melhores práticas de senha (usando uma senha diferente e difícil de adivinhar para cada serviço), elas esbarram em problemas.Considerando o número de contas que as pessoas têm, é fácil esquecer essas senhas. No caso das credenciais de NHIs, como as chaves de API, elas podem ser deixadas embutidas no código dos aplicativos ou desprotegidas, em texto simples, em drives compartilhados.

As ferramentas de gerenciamento de senhas surgiram para resolver esses desafios de higiene de senhas, mas têm suas próprias vulnerabilidades peculiares. A saber: a maioria dos gerenciadores de senhas é protegida por senhas mestras, que também podem ser roubadas.Então, sim, os hackers podem roubar senhas salvas com as manobras certas.

A proliferação de NHIs também contribuiu para tornar a autenticação sem senha uma prioridade.

Aplicações, processos de sistema e outros usuários não humanos não têm senhas clássicas, mas usam tokens OAuth, chaves de API, certificados e outros segredos para se autenticar.Os agentes de IA, que ficam na fronteira entre recursos tradicionalmente humanos e não humanos, podem até "tomar emprestadas" as credenciais de seus usuários humanos para executar tarefas automatizadas.Todos esses segredos podem ser roubados e usados indevidamente da mesma forma que as senhas.

Os sistemas IAM tradicionais não foram projetados para o gerenciamento de segredos de NHIs, criando uma brecha na segurança de identidades.

Os profissionais de identidade e segurança reconhecem essas pressões há bastante tempo.Mas as abordagens sem senha agora estão ganhando força porque a tecnologia finalmente está acompanhando o ritmo. Os smartphones tornam viável que usuários comuns adotem a biometria e senhas de uso único baseadas em tempo. O desenvolvimento dos padrões FIDO e dos protocolos subjacentes WebAuthn e CTAP2 tornou a autenticação baseada em chaves de acesso amplamente disponível para sites e aplicações web.E novas ferramentas de gerenciamento do ciclo de vida de segurança permitem que as organizações automatizem a criação, a rotação, o armazenamento e o gerenciamento de acesso de credenciais para NHIs.

Prós e contras da autenticação sem senha

A autenticação sem senha é amplamente considerada mais segura e mais conveniente do que as abordagens baseadas em senha. As desvantagens estão em grande parte relacionadas à possível complexidade e ao custo de adotar, para começar, o modelo sem senha.

Prós

Resistência a phishing e malware

O phishing é uma das principais causas de violações de dados, respondendo por 16% das violações analisadas no relatório do custo das violações de dados da IBM. O objetivo da maioria dos ataques de phishing é roubar as credenciais de um usuário, normalmente uma senha.

A autenticação sem senha substitui as senhas por credenciais resistentes a phishing que não podem ser roubadas de forma fácil ou viável, frustrando assim uma das maiores ameaças à segurança de dados.

As credenciais sem senha também podem reforçar as defesas contra certas variantes comuns de malware, como infostealers ou spyware.Por exemplo, as chaves de acesso nunca são transmitidas nem digitadas em lugar algum e, embora as OTPs possam ser lidas, tornam-se inúteis após um único uso.

Contorna o problema da higiene de senhas

Uma das razões pelas quais as senhas são uma fraqueza de cibersegurança tão significativa é que muitos usuários não seguem as melhores práticas estabelecidas de higiene de senhas.Um dos casos de uso mais convincentes da autenticação sem senha é que ela elimina completamente o problema da higiene.

Os usuários não precisam criar senhas únicas e complexas para cada serviço porque não precisam criar senha nenhuma.A eliminação das senhas também pode melhorar a experiência do usuário, o que faz da autenticação sem senha um dos raros casos em que segurança e usabilidade andam em sintonia.

Reduz as chamadas ao help desk

Na maioria das organizações, uma senha esquecida significa uma chamada para o help desk de TI.Essas chamadas custam dinheiro, afastam os profissionais de TI de trabalhos mais valiosos e interrompem os fluxos de trabalho dos funcionários.E as chamadas para o help desk, como mencionado anteriormente, dão aos agentes de ameaça uma poderosa via de ataque.

A autenticação sem senha significa o fim das redefinições de senha, o que pode reduzir as chamadas ao help desk, cortar despesas com o suporte de TI e mitigar um vetor de ameaça perigoso.

Limita o raio de impacto de uma violação

Além de serem um dos principais vetores de entrada em redes, as credenciais roubadas também são um alvo prioritário para os hackers quando já estão dentro.O roubo de credenciais foi o impacto mais comum dos ataques analisados no mais recente Threat Intelligence Index, presente em 26% dos casos.

Quando os invasores têm essas credenciais, usam-nas para movimento lateral e aumento de privilégios, ou as vendem na dark web para outros invasores. De qualquer forma, senhas roubadas levam a grandes danos.

As credenciais sem senha não só são mais difíceis de roubar de início, como as que chegam a ser roubadas têm utilidade limitada ou são totalmente invendáveis. Por exemplo, não é possível roubar chaves de acesso invadindo um serviço, porque o serviço não armazena nenhuma delas.Cada chave de acesso fica armazenada no dispositivo do próprio usuário. E ninguém vai pagar por OTPs que já expiraram.

Contras

Apesar de todas essas vantagens, a autenticação sem senha tem, sim, suas desvantagens, incluindo implementações complexas, a dificuldade de redefinir credenciais perdidas ou roubadas e os ciberataques específicos aos quais os logins sem senha são suscetíveis.

Registros e implementações complexos

A rede corporativa média contém uma mistura de aplicações e ativos locais e baseados na nuvem, de diversos fornecedores, com sistemas de gerenciamento de acesso ligeiramente diferentes que nem sempre oferecem suporte à autenticação sem senha.

E alguns especialistas previram que softwares efêmeros, criados por vibe coding, logo se tornarão mais comuns nas redes corporativas, acrescentando à mistura um conjunto ainda mais heterogêneo de sistemas IAM.

Antes de poderem adotar a autenticação sem senha, muitas organizações constatam que precisam primeiro criar uma malha de identidade integrada que una todos os recursos em um fluxo de identidade comum.Embora uma malha de identidade holística seja hoje considerada uma prática recomendada para a segurança de identidades, criar um exige, sim, tempo, dinheiro, ferramentas e expertise.

Cadastrar usuários no processo de autenticação sem senha também pode representar desafios, dependendo dos tipos de credenciais que a organização deseja comportar. Chaves de acesso e aplicativos autenticadores são relativamente simples, mas chaves de segurança de hardware e biometria podem ser mais complicados.

Processos de recuperação difíceis

Os fatores de autenticação sem senha têm menor probabilidade de precisar de redefinição. Mas quando o fazem, o processo pode ser difícil.

Por exemplo, uma chave de hardware perdida custa dinheiro para ser substituída e precisa ser distribuída fisicamente ao usuário. Dados biométricos roubados não podem ser alterados. Um smartphone perdido ou roubado que contenha um aplicativo de autenticação pode dar a um agente de ameaça acesso a toda a vida digital de um usuário.

Ataques direcionados a credenciais sem senha

Embora os métodos de autenticação sem senha sejam mais difíceis de decifrar, eles são vulneráveis a certos ataques sofisticados.

Por exemplo, esquemas de intermediário suficientemente avançados podem interceptar OTPs antes que sejam inseridas no site real (e antes que expirem), permitindo que os hackers as usem antes dos usuários legítimos.Os golpes de troca de chip,nos quais os golpistas se passam pela vítima e convencem a operadora de telecomunicações a transferir o número dela para um telefone que eles controlam, também podem dar aos invasores um meio de interceptar OTPs, notificações por push, links mágicos e outros fatores de autenticação comuns.

Autor

Matthew Kosinski

Staff Editor

IBM Think

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