Caixas de papelão nas prateleiras de um armazém

O que é armazenamento de borda?

Definição de armazenamento de borda

O armazenamento de borda é uma abordagem de armazenamento de dados que armazena, gerencia e processa os dados na origem ou perto dela (como sensores, dispositivos de internet das coisas (IoT) e câmeras). Em vez de encaminhá-los para um data center centralizado ou um ambiente de nuvem, ela mantém os dados mais perto de onde são gerados.

Nessa abordagem, os dados ficam em locais de borda distribuídos, incluindo data centers regionais, servidores locais e outras infraestruturas de TI posicionadas perto dos usuários e das fontes de dados. O processamento ocorre localmente, o que reduz a necessidade de os dados fazerem idas e voltas constantes até uma instalação central. O resultado é um tempo de resposta mais rápido, um menor consumo da largura de banda e mais resiliência.

Para alguns setores, o processamento local é fundamental. Na área da saúde, por exemplo, dispositivos vestíveis conseguem monitorar os sinais vitais dos pacientes e alertar os profissionais de saúde sobre mudanças que exigem atenção imediata. No setor de energia, sensores instalados em uma rede elétrica conseguem detectar problemas nos equipamentos e sinalizar falhas antes que ocorra uma interrupção no fornecimento.

As empresas dependem cada vez mais de sistemas corporativos de armazenamento de borda para gerenciar grandes volumes de dados em escala, com foco em alto desempenho, escalabilidade e confiabilidade. À medida que a adoção da inteligência artificial (IA) cresce e mais dispositivos se conectam às redes, o armazenamento de borda se tornou uma parte importante da forma como as organizações lidam com os dados e agem com base neles em tempo real.

Por que o armazenamento de borda é importante?

Os avanços na conectividade de alta velocidade, especialmente o 5G, somados aos avanços em computação em nuvem, IA e aprendizado de máquina (ML), mudaram significativamente o cenário da infraestrutura de armazenamento e ampliaram o papel do armazenamento de borda.

Em um estudo da Straits Research, o mercado global de computação de borda foi avaliado em USD 38,32 bilhões em 2024 e deve crescer de USD 55,44 bilhões em 2025 para USD 1.065,63 bilhões até 2033, a uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 44,7%.1

Grande parte desse crescimento é impulsionada pelo volume de dados. Segundo a IDC, o volume global de dados gerados deve chegar a 393,9 ZB até 2028, impulsionado pela IA generativa (IA gen) e por outras tecnologias.2 Cada vez mais esses dados vão se originar e permanecer na borda, em vez de trafegar até data centers na nuvem ou locais.

As razões para manter os dados na borda vão da gravidade dos dados à soberania dos dados. A gravidade de dados refere-se à tendência de os dados atraírem aplicações e serviços cuja movimentação é cara, enquanto a soberania de dados diz respeito a regulamentações que exigem que os dados permaneçam dentro de determinados limites geográficos.

A segurança é outro fator. De acordo com o relatório do custo das violações de dados de 2025 da IBM, as violações que envolveram dados armazenados em vários ambientes custaram, em média, USD 5,05 milhões e levaram 276 dias para serem identificadas e contidas. Armazenar os dados localmente na borda, em vez de distribuí-los por vários ambientes, deixa as organizações com menos lugares para monitorar e proteger.

Setores como o financeiro, que dependem do processamento de dados em tempo real, não podem arcar com os atrasos causados pelo encaminhamento dos dados a uma nuvem distante. O armazenamento de borda resolve esse desafio ao processar e armazenar os dados no local, no ponto em que são coletados.

As necessidades de armazenamento para IA estão acelerando ainda mais a demanda por armazenamento de borda. À medida que a inferência de IA migra de data centers centralizados para dispositivos e instalações distribuídos, a demanda por armazenamento local rápido cresce junto. Isso impulsiona um uso maior de mídias de armazenamento de alto desempenho, como os SSDs NVMe, para dar conta das cargas de trabalho de IA sem depender da conectividade com a nuvem.

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As origens do armazenamento de borda

O armazenamento de borda evoluiu ao longo das décadas, impulsionado por avanços nas redes e na computação e por uma mudança em direção ao processamento dos dados mais perto de onde são gerados.

As raízes remontam ao fim da década de 1990, quando as redes de entrega de conteúdo (CDNs) foram criadas para entregar páginas da web e vídeos a partir de servidores posicionados perto dos usuários, em vez de uma única origem distante. Uma distância menor significava uma entrega mais rápida. À medida que essas redes amadureceram e passaram a hospedar aplicações além de conteúdo, aquilo que a infraestrutura de borda conseguia processar cresceu consideravelmente.

No início dos anos 2000, os serviços comerciais de edge computing já davam conta de tarefas práticas do dia a dia, como carrinhos de compras on-line e feeds de notícias que precisavam ser atualizados em tempo real.

Desde então, os ambientes de borda cresceram em escala e complexidade, à medida que a infraestrutura de TI se espalhou por mais locais e tipos de dispositivos. A arquitetura de borda atual inclui servidores de borda, gateways de borda, redes de alta velocidade e mídias de armazenamento local, coletando, processando e encaminhando os dados perto de onde eles se originam.

As implementações modernas de borda incorporam cada vez mais contêineres e Kubernetes, que ajudam as organizações a gerenciar cargas de trabalho de forma consistente entre os ambientes de borda e a nuvem central, seja em uma rede de transporte, uma rede de energia ou uma cadeia de varejo.

À medida que as organizações gerenciam mais dados em mais locais, manter o armazenamento perto da fonte tornou-se uma parte prática de construir e gerenciar uma infraestrutura de TI distribuída.

Armazenamento de borda versus armazenamento em nuvem versus armazenamento local

Os ambientes de borda, de nuvem e locais têm, cada um, um papel importante no armazenamento de dados e na infraestrutura de TI modernos. Cada vez mais, as organizações usam uma combinação dessas tecnologias.

  • O armazenamento em nuvem é um modelo de serviço de computação em nuvem no qual os dados e arquivos são armazenados fora das instalações por um provedor terceirizado e acessados pela internet ou por uma conexão de rede privada dedicada.O armazenamento em nuvem pode ser público, privado ou híbrido e funciona bem para retenção de longo prazo, análises em larga escala e dados que precisam estar acessíveis de qualquer lugar.
  • O armazenamento local mantém os dados dentro das próprias instalações da organização, em um hardware que ela mesma possui e gerencia. Ele oferece o máximo de controle e um desempenho previsível para cargas de trabalho com requisitos rígidos de segurança ou conformidade, como as do setor público ou aquelas que funcionam melhor sem precisar trafegar dados por uma rede.
  • O armazenamento de borda fica mais próximo de onde os dados são gerados e usados. Em vez de substituir o armazenamento em nuvem ou no local, ele os complementa. O armazenamento de borda cuida do processamento em tempo real e da recuperação local de dados, enviando de volta à nuvem ou ao data center central apenas o que exige armazenamento de longo prazo ou uma análise mais aprofundada.

A maioria das grandes organizações hoje usa os três, estruturando sua infraestrutura de dados de acordo com a solução de armazenamento que melhor atende às suas necessidades de negócio.

Como funciona o armazenamento de borda?

O armazenamento de borda segue um modelo de computação distribuída. Em vez de manter todos os dados em um único local central, ele armazena e processa os dados em vários nós físicos. Os nós de borda armazenam os dados em cache localmente, buscando-os em um servidor de origem quando necessário e atendendo às solicitações de usuários ou dispositivos próximos sem direcionar o tráfego de volta a um data center distante.

Veja a seguir um detalhamento de alguns componentes-chave do armazenamento de borda:

  • Servidores de borda: os servidores de borda armazenam e processam os dados localmente, onde eles se originam. Feitos para operar em locais distribuídos, muitas vezes sem uma equipe de TI dedicada no local, eles precisam ser compactos e resilientes. Clusters de servidores de borda conseguem lidar com volumes maiores de dados ou oferecer backup em uma mesma unidade, caso um deles falhe.
  • Mídias de armazenamento NVMe e SSD: os SSDs baseados em PCI que usam a tecnologia non-volatile memory express (NVMe) dão conta de tarefas com computação intensiva de dados, como o processamento de vídeo e as cargas de trabalho de computação de alto desempenho (HPC), em velocidades muito superiores às dos discos rígidos tradicionais. Mídias SSD de alta capacidade atendem a casos de uso como a videovigilância em locais de borda, onde as gravações precisam ser armazenadas e acessadas localmente, sem uma conexão constante com um sistema central.
  • Armazenamento de objetos: o armazenamento de objetos lida com grandes volumes de dados não estruturados, como arquivos de vídeo e imagens de sensores, e escala sem a sobrecarga de um sistema tradicional de armazenamento de arquivos. Muitas organizações o usam na borda para guardar os dados localmente antes de enviá-los a sistemas em nuvem ou locais para retenção de mais longo prazo.
  • Hardware de inferência de IA: as unidades de processamento gráfico (GPUs) e as unidades de processamento neural (NPUs) executam modelos de IA diretamente nos dispositivos de borda, valendo-se de dados armazenados localmente em vez de enviá-los a um sistema central. Uma câmera de segurança pode analisar as imagens no local, ou um sensor de fábrica pode detectar uma anomalia, sem precisar ir e voltar da nuvem.
  • Software de gerenciamento e hierarquização de dados: a camada de software controla quais dados ficam na borda, quais vão para o armazenamento central e quais o sistema exclui. As soluções corporativas de armazenamento de borda (por exemplo, IBM FlashSystem, AWS Outposts, Dell EMC) automatizam os fluxos de trabalho de gerenciamento e monitoramento de armazenamento em implementações distribuídas, aplicando regras que as organizações definem com antecedência. Além disso, as interfaces de programação de aplicativos (APIs) abertas permitem que as aplicações acessem e gerenciem dados em todos os locais de borda.
  • Infraestrutura de rede e de gateways: a conectividade confiável e os gateways de borda controlam a rapidez com que os dados se movem entre os nós de borda e os sistemas centrais. Eles também permitem que os dados cruzem com segurança os limites da rede. As empresas de telecomunicações fornecem cobertura 5G, que amplia o que as implementações de borda conseguem processar e comporta um volume maior de dados e uma latência menor em locais móveis e distribuídos.
  • Data center central ou nuvem: um data center central ou a nuvem armazena a cópia primária dos dados e recebe o que os nós de borda encaminham após o processamento local. Ele cuida da retenção de longo prazo e das análises que funcionam melhor de forma centralizada.

Benefícios do armazenamento de borda

O armazenamento de borda oferece uma série de benefícios para as organizações que gerenciam dados em locais distribuídos:

  • Baixa latência: armazenar e processar os dados perto da fonte acelera os tempos de resposta e melhora a experiência do usuário, o que é fundamental para aplicações sensíveis ao tempo, como os de veículos autônomos e de análise de vídeo em tempo real.
  • Redução dos custos de largura de banda: o armazenamento de borda reduz a quantidade de dados que trafega pela rede ao fazer o processamento localmente. As organizações enviam apenas o que precisa chegar à nuvem, o que reduz os custos com a nuvem e diminui os custos de saída de dados e de armazenamento.
  • Resiliência e operações offline: os nós de borda funcionam de forma independente, então uma interrupção central ou uma queda de conexão não atrapalha as operações. Em ambientes totalmente desconectados ou isolados, como locais industriais ou militares remotos, o armazenamento de borda consegue funcionar sem qualquer ligação com um sistema central.
  • Flexibilidade de armazenamento: o armazenamento conectado à rede (NAS), a rede de área de armazenamento (SAN) e o armazenamento de objetos funcionam na borda e escalam para atender às necessidades de armazenamento em constante mudança, de um único local remoto a centenas de locais. As organizações podem escolher o tipo de armazenamento que se adequa à carga de trabalho, como o armazenamento de objetos para dados não estruturados ou a SAN para aplicações de alto desempenho.
  • IA na borda: os modelos de IA de borda em dispositivos distribuídos precisam de um armazenamento local rápido para funcionar. Sem ele, a inferência de IA fica à espera de uma conexão com a nuvem. O armazenamento de borda também cuida da hierarquização de dados e do gerenciamento do ciclo de vida, mantendo os dados certos no local e migrando automaticamente os dados mais antigos ou de menor prioridade para um armazenamento central mais barato.
  • Segurança: manter os dados localmente faz com que eles fiquem fora de infraestruturas compartilhadas e não trafeguem por redes públicas ou de terceiros, o que reduz a exposição. As organizações de setores regulamentados também têm mais facilidade para aplicar políticas de acesso de forma consistente quando os dados não saem das instalações.
  • Soberania de dados: muitos setores operam sob regulamentações de soberania de dados que restringem para onde os dados podem ir. O armazenamento de borda dá às organizações controle direto sobre onde os dados ficam e quem pode acessá-los, sem encaminhá-los pela nuvem.

Casos de uso do armazenamento de borda

Muitos setores geram grandes volumes de dados em locais onde enviar tudo para uma instalação central não é rápido, prático nem econômico o suficiente. O armazenamento de borda mantém esses dados onde eles são mais necessários.

Manufatura

As fábricas produzem fluxos constantes de dados a partir das máquinas e das linhas de produção. Armazená-los no local significa que os problemas nos equipamentos podem ser detectados antes de causarem downtime na produção.

Setor de saúde

Hospitais e clínicas lidam com dados volumosos, contínuos e altamente regulamentados. Mantê-los dentro das instalações faz com que os sistemas clínicos recebam os dados de que precisam na velocidade que o atendimento exige, ao mesmo tempo em que atendem aos requisitos de conformidade com a HIPAA e de residência de dados.

varejo

Quando uma rede cai, o armazenamento de borda ajuda a manter as lojas funcionando. Sistemas de ponto de venda, câmeras de segurança e ferramentas de inventário podem funcionar a partir do armazenamento local, sincronizando os dados com os sistemas centrais em horários programados. Para os varejistas com centenas de locais, isso também elimina a necessidade de encaminhar cada transação por um hub central.

Energia e serviços públicos

Empresas de energia, operadoras de dutos e produtores de energia renovável muitas vezes trabalham em locais remotos com conectividade limitada. Em vez de depender de um data center central, esses locais armazenam e analisam os dados operacionais localmente e enviam alertas conforme a necessidade.

Edifícios inteligentes

Os sistemas de climatização, os controles de acesso e os sensores de ocupação produzem dados que orientam a tomada de decisões dentro de um edifício, como ajustar a temperatura, gerenciar o acesso ou monitorar o consumo de energia. Manter os dados localmente faz com que os edifícios consigam operar sem precisar esperar por uma conexão com a nuvem para responder.

Melhores práticas do armazenamento de borda

O armazenamento de borda traz desafios de gerenciamento que não existem em um data center centralizado. O hardware funciona em locais remotos e, às vezes, sem equipe no local, e é mais difícil aplicar a segurança de forma consistente. Veja a seguir algumas práticas que podem ajudar:

  • Defina políticas de ciclo de vida dos dados desde o início: decida quais dados ficam na borda, quais vão para o armazenamento central e por quanto tempo cada tipo é retido. Sem políticas claras, as organizações muitas vezes descobrem que não têm capacidade de armazenamento suficiente nos locais de borda ou que estão guardando dados por mais tempo do que o necessário.
  • Centralize o monitoramento e as atualizações: os locais remotos muitas vezes não têm equipe de TI dedicada. Gerenciar as atualizações de software, o desempenho do armazenamento e as políticas de segurança a partir de uma plataforma central mantém as implementações distribuídas sob controle à medida que o número de locais de borda cresce.
  • Incorpore a redundância: o hardware de armazenamento de borda muitas vezes funciona em locais sem controle de temperatura ou segurança física. Implementar clusters em vez de servidores únicos nos locais críticos faz com que uma única falha não derrube o armazenamento local.
  • Aplique políticas de segurança consistentes em todos os locais: cada nó de borda é um possível ponto de entrada na rede. Os controles de acesso e as políticas de segurança precisam abranger todos os locais para proteger os dados onde quer que estejam armazenados, e não apenas os sistemas centrais.
Stephanie Susnjara

Staff Writer

IBM Think

Ian Smalley

Staff Editor

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Notas de rodapé

1 Edge computing market size, Straits Research, outubro de 2024

2 A Deep Dive Into IDC’s Global AI and Generative AI Spending, IDC, 16 de agosto de 2024