O que é soberania de dados?

Vista aérea de uma barragem perto de uma floresta escura na Alemanha

O que é soberania de dados?

A soberania de dados é o conceito de que os dados estão sujeitos às leis do país ou da região onde foram gerados.

Às vezes chamada de residência de dados, a soberania de dados vem se tornando rapidamente uma parte central das estratégias jurídicas, de privacidade, de segurança e de governança das empresas que lidam com o armazenamento, o processamento e a transferência de dados.Ter uma abordagem sólida de gerenciamento de dados e de fluxos internacionais de dados, um componente essencial da soberania de dados, ajuda as organizações a proteger suas informações mais confidenciais contra ataques cibernéticos e outras ameaças.

Soberania de dados, residência e localização são termos intimamente relacionados. Na verdade, a soberania de dados e a residência estão tão relacionadas que às vezes são usadas de forma intercambiável. No entanto, há algumas diferenças importantes que as organizações que buscam usar recursos de computação em nuvem como parte de sua jornada de transformação digital devem entender.

Soberania de dados: dados armazenados e processados no país onde foram gerados.

Residência de dados: dados que estão sendo armazenados em um país diferente daquele onde foram gerados.

Localização de dados: o ato de cumprir todas as leis e requisitos aplicáveis relacionados à residência de dados.

O que é nuvem soberana?

Soberania, residência e localização de dados são todas partes essenciais de um conceito conhecido como nuvem soberana, um tipo de computação em nuvem que ajuda as organizações a cumprir as leis de privacidade de regiões e países específicos onde elas coletam, processam e armazenam dados de clientes.

À medida que o armazenamento em nuvem continua a se espalhar pelo mundo, os limites geográficos tradicionais, como as fronteiras, não são suficientes para proteger dados confidenciais. Além disso, o avanço de tecnologias intensivas em dados, como a inteligência artificial (IA) e o aprendizado de máquina (ML), que dependem de acesso a dados rápido e seguro, obriga as empresas a tomar decisões mais estratégicas sobre a segurança na nuvem. A IA, em especial a IA generativa, tem potencial para impulsionar inovações valiosas para os negócios, mas precisa de uma infraestrutura de nuvem rápida e segura para funcionar.

É aí que entra a nuvem soberana, um conceito que engloba soberania de dados, soberania operacional e soberania digital. Os frameworks de nuvem soberana ajudam as empresas a conquistar a confiança dos clientes e a expandir seus negócios sem deixar de cumprir as leis de coleta de dados, de armazenamento de dados e de privacidade de dados nas regiões em que atuam.

Por que a soberania de dados é importante?

A importância da soberania de dados está estreitamente ligada ao papel cada vez maior dos ambientes de computação em nuvem nas estratégias gerais de crescimento de muitas organizações.

À medida que mais aplicações corporativas migram para a nuvem, um ambiente de nuvem se torna uma infraestrutura crítica, tão importante para a saúde de uma empresa quanto uma fábrica, um prédio de escritórios ou uma propriedade intelectual valiosa.

Os requisitos de soberania de dados geralmente envolvem as normas de privacidade de dados em um país ou região específica. As principais preocupações das organizações que buscam cumprir as leis locais geralmente incluem cibersegurança segurança e privacidade de dados, proteção de dados confidenciais contra violações e malware e controle de quais indivíduos, entidades e aplicações podem acessar os dados.

Por exemplo, a União Europeia (UE) tem um Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) que exige que as empresas que operam dentro do território da UE e lidam com os dados dos cidadãos da UE contratem alguém conhecido como Diretor de Proteção de Dados (DPO) para garantir que as organizações mantenham rigorosamente a confidencialidade, integridade e acessibilidade dos dados que geram, processam e armazenam.

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Como a soberania de dados é determinada? 

A soberania de dados é determinada pelas leis e regulamentações específicas que regem a região ou o país onde os dados foram gerados.

Essas leis variam de território para território, mas, em geral, quando se diz que um país tem "soberania sobre" um dado, isso significa que ele detém jurisdição e autoridade sobre como esse dado pode ser usado e sobre quem pode acessá-lo. No entanto, muitas vezes os dados estão sujeitos às leis de mais de um país (residência de dados e localização de dados), e a governança, o armazenamento e o processamento deles se tornam mais complicados.

Nos casos em que os dados são gerados em um país ou região, mas armazenados ou processados em outro lugar, a organização responsável por eles deve garantir o cumprimento de todos os requisitos legais para o tratamento de conjuntos de dados nos dois locais.

Por exemplo, as empresas podem precisar elaborar acordos específicos de proteção de dados ou projetar e implementar protocolos específicos de transferência de dados para manter a conformidade e evitar possíveis conflitos em um ou em vários territórios. Além disso, as organizações que armazenam e processam dados em várias regiões ou países devem conhecer bem as leis de proteção de dados, as restrições transfronteiriças ou outras questões relevantes para manter a privacidade de dados e a integridade deles.

Como funciona a soberania de dados?

Para ser eficaz, a abordagem de uma organização em relação à soberania de dados deve incluir também dois outros componentes essenciais: soberania operacional e soberania digital. Juntas, a soberania de dados, a soberania operacional e a soberania digital são os três componentes mais essenciais da infraestrutura de nuvem soberana.

A soberania operacional garante que a infraestrutura crítica esteja sempre disponível para as pessoas, as entidades e as aplicações que precisam dela, enquanto a soberania digital garante que a organização mantenha sempre o controle de seus ativos digitais. Vamos examinar mais de perto os dois termos e por que eles são importantes.

Soberania operacional

A soberania operacional garante que a infraestrutura crítica associada a aplicações ricas em dados esteja sempre ativa e acessível. Além disso, a soberania operacional ajuda as empresas a manter a transparência e o controle sobre seus processos operacionais e a identificar ineficiências.

Com uma abordagem sólida de soberania operacional, mesmo que uma região específica seja atingida por um desastre, a empresa pode garantir a resiliência de sua infraestrutura crítica. Para isso, muitas abordagens de soberania operacional incluem um plano de continuidade de negócios e recuperação de desastres (BCDR) ou de recuperação de desastres como serviço (DRaaS). Por fim, a soberania operacional ajuda as empresas a cumprir as regulamentações locais que regem a infraestrutura necessária para dar suporte a ambientes de nuvem em determinada região.

Soberania digital

A soberania digital descreve o nível de controle de uma organização sobre seus recursos digitais, como dados, softwares, conteúdo e infraestrutura digital. A soberania digital é importante para o conceito de nuvem soberana, principalmente no contexto de governança e transparência. As empresas que usam o controle de acesso sobre seus recursos digitais precisam definir regras sobre quem tem permissões e quem é restrito. Essas regras precisam ser configuradas de uma forma que sejam facilmente aplicáveis, como políticas como código, um processo que permite que as organizações gerenciem sua infraestrutura e seus procedimentos de maneira repetível.

Transparência, outro aspecto importante da soberania digital, refere-se à capacidade de uma organização aferir seus processos e resultados. A transparência permite que as organizações vejam nos seus fluxos de trabalho operacionais mais importantes o que está funcionando e o que precisa ser modificado.

Modelos de nuvem pública versus modelos de nuvem distribuída

De modo geral, as organizações que buscam adotar uma abordagem de nuvem soberana para a soberania dos dados em um ambiente de computação em nuvem têm duas opções para escolher: nuvem pública ou nuvem distribuída. Na maioria dos países, as implementações de nuvem pública e multinuvem ajudam as organizações a implementar suas cargas de trabalho na nuvem e, ao mesmo tempo, manter o controle sobre seus dados em uma região específica. Uma arquitetura de nuvem pública típica inclui uma camada de nuvem de plataforma, como uma plataforma de nuvem híbrida, que proporciona uma implementação de nuvem estável e consistente.

A segunda opção é o modelo de implementação de nuvem distribuída, como um provedor de infraestrutura local ou um data center local. Essas soluções são atraentes para empresas que precisam de mais controle sobre seus dados. Em essência, um modelo de implementação de nuvem distribuída permite que você implemente cargas de trabalho e plataformas em qualquer infraestrutura de sua escolha.

A abordagem em três etapas para a soberania dos dados corporativos

Para começar a implementar uma abordagem eficaz à soberania dos dados, as organizações devem seguir as seguintes etapas:

Familiarizar-se com as leis e regulamentos relevantes.

Empresas que desejam desenvolver recursos de dados locais ou baseados na nuvem em mais de uma região ou país devem primeiro se informar sobre as leis e regulamentações que regem a soberania dos dados nesses territórios. 

Estabelecer um canal de comunicação com as autoridades relevantes

É importante entrar em contato com as agências encarregadas de aplicar as leis de soberania de dados nos países ou regiões com os quais você deseja fazer negócios. Comunique seus planos em relação ao armazenamento, processamento e transferência de dados para garantir que você esteja em conformidade com as leis que eles têm a responsabilidade de cumprir.

Faça parceria com especialistas locais

As leis de conformidade em muitas regiões onde a computação em nuvem é popular podem mudar rapidamente. É sempre uma boa ideia ter alguém no país ou região que você está armazenando e processando dados que seja especialista nos contratos regulatórios de territórios. Os provedores de serviços de nuvem (CSPs) que operam em um território já devem ter acordos em vigor com as autoridades locais.

Principais considerações para empresas que buscam estabelecer a soberania dos dados

À medida que cidadãos e órgãos reguladores continuam a levantar preocupações com a soberania de dados no mundo todo, as abordagens de nuvem soberana ajudam as empresas a garantir a integridade de seus dados, não importa onde eles sejam armazenados e processados.

Nos próximos anos, a forma como as organizações coletam, protegem, armazenam e controlam o acesso a seus dados, sobretudo se pretendem recorrer a novas tecnologias ricas em dados, como a IA e o ML, terá implicações enormes para o crescimento e a segurança. A soberania de dados está no centro dessas preocupações; por isso, escolher um provedor de nuvem que a entenda a fundo ajudará as empresas a implementar uma abordagem sólida de nuvem soberana e a alcançar seus objetivos de transformação digital. Os parceiros nas regiões e nos países onde as empresas buscam estabelecer um ambiente de nuvem precisam ter estratégias para mitigar riscos comuns, como ataques cibernéticos, desastres naturais e downtime.

Por fim, as empresas que querem criar uma abordagem sólida de soberania de dados e de nuvem soberana precisam garantir que seu provedor de nuvem tenha uma estratégia geral de nuvem consistente e alinhada às leis dos países ou das regiões em que atuam. Veja algumas das características mais importantes que as empresas devem buscar ao avaliar CSPs e outros parceiros em potencial que possam ajudá-las a montar uma abordagem sólida de soberania de dados.

Recursos de governança de dados: a abordagem de um CSP em relação à governança de dados mostra que ele tem as políticas e os procedimentos certos para tratar dados confidenciais com êxito e aplicar as restrições necessárias a eles. Ele também deve fornecer auditorias periódicas, comprovando que as diretrizes estabelecidas estão sendo seguidas.

Acordos de nível de serviço (SLAs): ao criar um SLA sobre soberania de dados em um ambiente de nuvem soberana, as três áreas mais importantes que o SLA deve abranger são controle (gerenciamento da nuvem), disponibilidade e desempenho.

Conformidade: Os CSPs e outros parceiros que ajudam as empresas a cumprir os requisitos de soberania de dados devem ter um alto nível de especialização em todas as leis de dados nas regiões em que operam. O ideal é que as empresas e seus CSPs compartilhem a responsabilidade de se manterem atualizados com as novas regulamentações e desenvolverem estratégias para lidar com elas.

Criptografia de dados: é fundamental que os CSPs que atuam na área da nuvem soberana tenham recursos sólidos de criptografia de dados, como chaves criptográficas, para garantir que consigam manter os dados confidenciais seguros e acessíveis. As chaves criptográficas transformam os dados em conteúdo criptografado que só pode ser descriptografado por alguém com as permissões corretas (a chave). Esse processo dá às empresas total garantia técnica e controle sobre quem pode acessar seus dados e quando.

Resiliência: uma abordagem sólida de soberania de dados e de ambientes de nuvem soberana deve incluir recursos sólidos de resiliência. As empresas só devem considerar CSPs com histórico comprovado de apoio a clientes em iniciativas de resiliência e recuperação nos países ou regiões pertinentes. Em um ambiente de nuvem soberana, todas as implementações de nuvem devem ter recursos integrados de recuperação e failover adaptados a cada área específica de conformidade em que os dados são armazenados.

Autores

Mesh Flinders

Staff Writer

IBM Think

Ian Smalley

Staff Editor

IBM Think

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