O armazenamento com reconhecimento de VM é uma tecnologia de armazenamento de dados que gerencia e monitora cada máquina virtual (VM) individualmente, em vez de tratá-la como parte de um pool compartilhado. Ele pode ser fornecido como matrizes de armazenamento desenvolvidas especificamente para essa finalidade ou como armazenamento definido por software (SDS), controlado por software em vez de hardware dedicado.
A maioria das empresas executa dezenas ou centenas de VMs em uma infraestrutura de armazenamento compartilhada. Isso inclui desde desktops virtuais até bancos de dados de produção que rodam em servidores virtuais. A hospedagem pode ser local ou feita por meio de um provedor de infraestrutura como serviço (IaaS), normalmente em um número de unidade lógica (LUN, uma unidade de armazenamento em bloco) ou em um volume de armazenamento baseado em arquivos.
Segundo uma pesquisa da Mordor Intelligence, o mercado de máquinas virtuais foi avaliado em US$ 13,59 bilhões em 2025 e deve chegar a US$ 26,94 bilhões até 2030. À medida que esse crescimento leva mais VMs para o mesmo armazenamento compartilhado, fica mais difícil identificar, com os métodos tradicionais, qual VM está consumindo mais recursos ou causando lentidão. O armazenamento com reconhecimento de VM existe para resolver esse problema.
O armazenamento com reconhecimento de VM rastreia separadamente a atividade de cada VM e aplica serviços de dados, como o provisionamento, a cada uma delas individualmente.Ele enxerga além dos volumes compartilhados ou dos números de unidade lógica (LUNs) que o armazenamento tradicional trata como uma única unidade, e acompanha o desempenho das VMs em detalhe, a ponto de mostrar qual delas está gerando mais operações de entrada/saída por segundo (IOPS) em um dado momento.
Em vez de deixar as VMs disputarem o mesmo pool, o sistema fornece a cada VM aquilo de que ela precisa. Ele também pode atribuir configurações de qualidade de serviço (QoS) por VM, isto é, regras que controlam quanto desempenho de armazenamento cada VM pode usar. Assim, uma aplicação de alta prioridade não precisa disputar o mesmo armazenamento com outra de prioridade mais baixa. O armazenamento é provisionado quando uma VM é criada, ajustado conforme as cargas de trabalho mudam e liberado quando a VM é excluída.
Os instantâneos também são gerenciados por VM. Um instantâneo registra o estado do disco virtual de uma VM em um momento específico, para que os dados possam ser restaurados se algo der errado. No armazenamento tradicional, os instantâneos no nível da matriz capturam um volume compartilhado inteiro. O armazenamento com reconhecimento de VM permite que a matriz crie instantâneos de VMs individuais, de modo que recuperar os dados de uma VM não exige restaurar o volume inteiro. (Os instantâneos por VM sempre foram possíveis no nível do hipervisor, mas o VAS leva esse detalhamento também ao nível do armazenamento.)
Vale observar que o armazenamento com reconhecimento de VM se aplica ao armazenamento em bloco e de arquivos que hospeda os discos das VMs, e não ao armazenamento de objetos normalmente usado para arquivamento ou dados não estruturados.Para conhecer melhor as diferenças entre o armazenamento em bloco e os outros tipos de armazenamento, consulte armazenamento de objetos vs. de arquivos vs. em bloco.
A principal diferença entre o armazenamento tradicional e o armazenamento com reconhecimento de VM está na visibilidade. O armazenamento tradicional depende de protocolos de bloco como Fibre Channel e iSCSI, que foram projetados para servidores físicos e não oferecem nenhum meio nativo de enxergar a atividade de cada VM. Em geral, ele apresenta um volume compartilhado ou um número de unidade lógica (LUN) de uma rede de área de armazenamento (SAN) como uma entidade única. Esse ponto cego leva ao superprovisionamento: os administradores reservam capacidade extra por precaução, e a maior parte dessa margem nunca chega a ser usada.
O armazenamento com reconhecimento de VM adota uma abordagem diferente e dá a cada VM apenas aquilo de que ela precisa. A Tintri foi um dos primeiros fornecedores a levar essa abordagem ao mercado, e, desde então, outros fornecedores de armazenamento criaram suas próprias versões.
Isso fica mais evidente na resolução de problemas. No armazenamento tradicional, para encontrar uma VM lenta, em geral é preciso coletar logs e verificar todo o volume compartilhado, o que leva tempo justamente quando os sistemas já estão sob pressão. O armazenamento com reconhecimento de VM elimina essa etapa. As informações já ficam vinculadas a cada VM, o que facilita encontrar a causa.
O armazenamento com reconhecimento de VM oferece várias vantagens importantes, que se somam aos benefícios mais amplos da virtualização:
- Melhor desempenho
- Custos mais baixos
- Resolução de problemas mais rápida
- Escalonamento mais simples
- Recuperação mais precisa
No armazenamento com reconhecimento de VM, as VMs deixam de esperar por recursos retidos pelas demais. Isso reduz a latência, e as aplicações passam a funcionar de forma mais estável, sobretudo em conjunto com um hardware subjacente mais rápido, como uma matriz all-flash.
A capacidade é usada com mais eficiência, em vez de ficar ociosa para cobrir os piores cenários, o que permite executar mais VMs no mesmo hardware.
As equipes de TI conseguem identificar com precisão qual VM está causando um problema, sem precisar vasculhar logs, o que reduz o tempo de diagnóstico.
No armazenamento com reconhecimento de VM, cada nova VM tem seu espaço de armazenamento provisionado automaticamente assim que é adicionada, o que dispensa a reconfiguração manual da capacidade.
Os dados de uma única VM podem ser restaurados sem afetar o restante do ambiente, o que limita o impacto de cada incidente. Isso faz do armazenamento com reconhecimento de VM uma peça útil em uma estratégia de recuperação de desastres, já que permite a replicação por VM antes de uma interrupção e uma recuperação mais rápida e direcionada depois dela.
O armazenamento com reconhecimento de VM envolve algumas contrapartidas que vale a pena ponderar, como:
- Complexidade da configuração
- Lock-in com fornecedor
- Custo
O armazenamento com reconhecimento de VM pode simplificar o gerenciamento do dia a dia, mas a migração em si pode ser mais complexa. Não basta apertar um botão: a organização precisa planejar a saída de uma configuração baseada em LUN e, muitas vezes, contar com um armazenamento projetado para permitir visibilidade no nível da VM. Esses possíveis custos merecem atenção.
Alguns sistemas de armazenamento com reconhecimento de VM também são fortemente vinculados a um hipervisor específico (a camada de software que permite executar várias VMs em um único computador físico) ou a um determinado fornecedor de armazenamento, o que dificulta trocar de plataforma mais tarde sem refazer a configuração do armazenamento.
Os sistemas de armazenamento com reconhecimento de VM podem ter um custo inicial maior que o do armazenamento tradicional, já que o hardware e o software precisam ser capazes de rastrear e gerenciar dados no nível da VM.
A VMware é a principal plataforma de virtualização da TI corporativa e, por isso, os fornecedores de armazenamento desenvolveram suas soluções com base nela. (No entanto, as mudanças no licenciamento que se seguiram à aquisição da VMware pela Broadcom levaram alguns clientes para a concorrência.) Esse suporte à VMware inclui:
- VVols
- vSAN
- VAAI
Os VVols são o framework da VMware para integrar o armazenamento no nível da VM. Os VVols armazenam os discos de cada VM como objetos individuais na matriz de armazenamento, por meio de protocolos de bloco ou do Network File System (NFS), em vez de colocá-los em um datastore compartilhado tradicional.
Com os VVols, é possível aplicar instantâneos, clonagem e configurações de QoS a uma VM de cada vez, e não a um volume inteiro.
A Broadcom, que adquiriu a VMware em 2023, começou a descontinuar os VVols. As novas certificações de VVols e do VASA Provider deixaram de ser concedidas a partir do VMware Cloud Foundation (VCF) e do vSphere Foundation (VVF) 9.0, lançados em junho de 2025, e a Broadcom planeja remover o recurso por completo no VCF/VVF 9.1.
A VMware também oferece o vSAN, sua própria opção de armazenamento, que agrupa as unidades conectadas aos servidores em um armazenamento compartilhado, sem precisar de uma SAN separada. Por ser integrado diretamente ao hipervisor, o vSAN pode aplicar políticas de desempenho e de proteção de dados no nível da VM sem uma camada de integração separada, como os VVols.
Há também o VAAI (VMware vSphere Storage APIs Array Integration), que transfere determinadas tarefas de armazenamento, como o provisionamento, do servidor host para o próprio array de armazenamento. Quando uma VM é clonada a partir de um modelo, a matriz pode copiar ou sobrescrever os dados internamente, em vez de enviá-los pelo host. O VAAI acelera operações como provisionamento e clonagem, mas, sozinho, não dá à matriz visibilidade de cada VM. Nem todo fornecedor oferece suporte ao VAAI da mesma forma, por isso vale a pena confirmar esse ponto antes de escolher uma plataforma.
Nem todas as cargas de trabalho são executadas em máquinas virtuais. Muitas organizações também usam contêineres, que empacotam aplicações sem um sistema operacional completo e costumam rodar dentro de VMs. Os contêineres podem usar armazenamento temporário ou persistente, como o armazenamento nativo da nuvem gerenciado pelo Kubernetes ou por outros orquestradores. Entre as organizações que de fato executam VMs, porém, a VMware não é a única opção. Há hipervisores alternativos, como o Hyper-V, o KVM e o Nutanix AHV, e cada plataforma trata o armazenamento de forma diferente:
Trocar de hipervisor coloca em risco instantâneos, configurações de QoS e políticas de recuperação no nível da VM, já que essas configurações muitas vezes estão vinculadas às ferramentas do hipervisor original e nem sempre são transferidas automaticamente.
Antes da migração, mapeie as proteções existentes de cada VM e verifique se o novo ambiente consegue replicá-las ou se será preciso recriá-las. Alguns fornecedores oferecem suporte a vários hipervisores em uma mesma plataforma, o que facilita essa etapa. Outros são projetados para um único hipervisor, e as proteções talvez precisem ser configuradas novamente depois da troca.
Em agosto de 2026, a Broadcom encerrou o acesso público ao download do VDDK (Virtual Disk Development Kit), a biblioteca que permite que ferramentas de terceiros leiam discos de VM sem passar pelo sistema operacional convidado. As ferramentas que o usavam para migração sem agente, entre elas o Microsoft Azure Migrate, o AWS Application Migration Service e o Nutanix Move, agora precisam obter acesso pelo Technology Alliance Program da Broadcom ou adotar métodos baseados em agente.
Organizações que já gerenciam um ambiente de nuvem híbrida, com nuvem privada, nuvem pública e ambientes locais, podem ter mais facilidade nessa transição. Transferir cargas de trabalho entre infraestruturas diferentes já faz parte da rotina dessas organizações. Testar a recuperação na nova plataforma antes da virada definitiva é uma etapa a mais que compensa, já que identificar uma lacuna durante os testes custa muito menos do que descobri-la no meio da migração.
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