Dois engenheiros de automação da área de gestão da manutenção acompanhando resultados em um software. Para ampliar os benefícios da manutenção industrial, os sistemas computadorizados de gestão da manutenção (CMMS) e outras soluções têm se concentrado em automatizar tarefas como a programação da manutenção preventiva na fábrica.

O que é programação de manutenção?

Definição de programação de manutenção

A programação de manutenção é o processo de decidir quando a manutenção industrial será executada, quem fará o trabalho e quais recursos serão necessários e alocados para concluir a ordem de serviço.

A programação de manutenção é uma função intermediária importante na gestão da manutenção, que liga o planejamento de manutenção (o processo de determinar que serviço precisa ser feito) à execução desse serviço. O objetivo da programação de manutenção é definir um prazo viável para executar toda a manutenção necessária com o mínimo de downtime.

Além da qualidade do produto e da segurança do ambiente de trabalho, evitar o downtime é uma das preocupações mais urgentes de qualquer operação de fabricação industrial. No entanto, um relatório da Forbes constatou que, em média, um fabricante registra 800 horas de downtime de equipamentos por ano. Essas horas perdidas geram prejuízos financeiros expressivos, que chegam a US$ 50 bilhões por ano.

Embora a maioria das operações de fabricação não funcione 24 horas por dia, algumas funcionam, e qualquer downtime de máquina pode resultar em perda de receita. As paradas não planejadas, muitas vezes causadas por quebras ou acidentes, custam caro. Um planejamento de manutenção adequado ajuda a evitar essas interrupções.

Embora algumas tarefas de manutenção não exijam a parada dos equipamentos, muitas exigem.As organizações procuram minimizar o downtime, mas programar um downtime planejado pode ser vantajoso, porque abre espaço para manutenções capazes de evitar paradas não planejadas mais adiante.

Um planejamento de manutenção eficaz otimiza as tarefas de manutenção ao levar em conta fatores críticos, como demandas de produção, prazos de entrega, disponibilidade de recursos e a condição do próprio equipamento.

Na maioria das organizações industriais e de fabricação, a programação de manutenção está no centro do dia a dia da manutenção. Um cronograma de manutenção bem elaborado ajuda as equipes de manutenção a concluir o serviço planejado no prazo, reduz a frequência de reparos emergenciais e mantém os ativos críticos em pleno funcionamento.

Por outro lado, um planejamento de manutenção aquém do ideal pode deixar as equipes de manutenção despreparadas e obrigadas a agir às pressas.Essa abordagem, conhecida como manutenção reativa, leva os técnicos de manutenção a passar a maior parte do tempo atendendo ordens de serviço emergenciais, em vez de evitar que elas surjam.

A programação de manutenção também tem papel central em iniciativas mais amplas de manutenção e de gestão de ativos. Com um cronograma de manutenção preventiva em planilha ou com um sistema computadorizado de gestão da manutenção (CMMS) completo, o objetivo da organização costuma ser o mesmo: fazer o serviço certo no momento certo, com o mínimo possível de interrupção nas operações.

Diferença entre planejamento e programação de manutenção

Embora o planejamento e a programação de manutenção estejam estreitamente ligados e muitas vezes sejam discutidos em conjunto, são funções distintas dentro da gestão de ativos como um todo.

  • O planejamento de manutenção se concentra em definir qual serviço precisa ser feito, por que ele é necessário e como será executado.O planejador de manutenção analisa as solicitações de serviço que chegam e elabora planos de trabalho. Esses planos descrevem as tarefas envolvidas, as competências e ferramentas necessárias, a estimativa de horas de mão de obra, as precauções de segurança e as eventuais peças de reposição que precisarão estar disponíveis antes do início do serviço.
  • A programação de manutenção se concentra em definir quando a manutenção será feita e por quem. Depois que as ordens de serviço são planejadas, o programador, que em muitas organizações também é o planejador de manutenção, distribui o serviço por dias, turnos e técnicos com base na prioridade, na capacidade de mão de obra e nas janelas de produção.Na prática, isso significa combinar com as equipes de operação o acesso aos equipamentos, confirmar a chegada das peças e equilibrar o serviço planejado com o serviço emergencial que inevitavelmente surge ao longo da semana.

Planejar com antecedência torna os cronogramas mais realistas, e uma programação cuidadosa ajuda a evitar que o trabalho de planejamento se perca.Juntos, o planejamento e a programação de manutenção formam a base da maioria das estratégias de manutenção eficazes.

Benefícios da programação de manutenção

O benefício mais evidente da programação de manutenção é a redução do downtime não planejado. Quando um ativo crítico falha de forma inesperada, as linhas de produção param, os compromissos de entrega atrasam, os custos com horas extras sobem e os técnicos são desviados de outros serviços. A manutenção não planejada quase sempre sai mais cara que a planejada, tanto em custos diretos de reparo quanto em perda de produção.

Alguns dos principais benefícios operacionais de uma programação de manutenção eficaz são:

  • Redução do downtime dos equipamentos: programar o serviço para as janelas de produção planejadas ou para as paradas programadas minimiza as interrupções e ajuda a detectar problemas antes que se transformem em falhas.
  • Diminuição dos custos de manutenção: o serviço planejado é mais rápido e mais barato que os reparos emergenciais, que muitas vezes envolvem envio urgente de peças, horas extras e danos secundários.
  • Aumento da vida útil dos ativos: a manutenção de rotina (como lubrificação, inspeções e calibração) ajuda a retardar o desgaste e a prolongar a vida útil dos equipamentos.
  • Melhoria do desempenho dos equipamentos: ativos que recebem manutenção seguindo um cronograma regular têm mais chances de operar na velocidade, na qualidade e na eficiência para as quais foram projetados.
  • Aprimoramento da alocação de recursos: um cronograma claro mostra aos supervisores de manutenção onde a mão de obra está sobrecarregada e onde há capacidade disponível, o que melhora a alocação de recursos.
  • Redução dos riscos à segurança: falhas inesperadas podem criar condições perigosas, e o serviço emergencial feito às pressas pode aumentar a probabilidade de improvisos e acidentes, o que eleva os riscos à segurança em geral.
  • Conformidade regulatória: muitos setores exigem inspeções documentadas em intervalos definidos. Um cronograma confiável e um histórico de manutenção completo facilitam muito a gestão das auditorias, o que reforça a conformidade regulatória como um todo.

Quando as equipes de manutenção e de operação trabalham com o mesmo cronograma, também fica mais fácil coordenar planos de produção, estoque e quadro de pessoal em função das necessidades reais dos equipamentos, com ganhos de eficiência operacional em toda a organização.

Tipos de manutenção e a programação de cada um

A forma de programar a manutenção depende muito do tipo de manutenção executada. A maioria das organizações combina abordagens e as aplica a ativos diferentes conforme a criticidade, o custo e o risco de falha.

Para uma visão mais ampla, consulte o guia da IBM sobre estratégia de manutenção.

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva é aquela programada em intervalos regulares e executada para reduzir a probabilidade de falha. Essa é uma das formas mais comuns de manutenção planejada e costuma ser a base da programação de manutenção.A manutenção preventiva pode ser programada de duas formas principais:

  • Baseada em tempo: as equipes de manutenção executam o serviço em intervalos fixos de calendário, como mensais ou anuais, independentemente de quanto o equipamento foi usado.
  • Baseada no uso: as equipes de manutenção acionam o serviço com base no uso real, como horas de operação, ciclos de produção ou quilômetros rodados.

Um programa de manutenção preventiva geralmente inclui, para cada ativo, um checklist de manutenção preventiva que descreve os pontos de inspeção, as tarefas e as tolerâncias que os técnicos precisam verificar. Com o tempo, os técnicos podem aprimorar esses checklists com base no que encontram em campo.

Manutenção baseada na condição

Na manutenção baseada na condição, é a condição real do ativo que define o cronograma. Sensores ou inspeções monitoram indicadores como vibração, temperatura ou qualidade do óleo, e a manutenção é programada quando esses indicadores saem da faixa aceitável.

Essa abordagem ajuda a evitar tanto o excesso quanto a falta de manutenção, embora torne a programação um pouco menos previsível.

Manutenção preditiva

A manutenção preditiva vai um passo além da manutenção baseada na condição: usa dados em tempo real de sensores de Internet das Coisas (IoT), dados históricos e modelos de IA para prever quando um ativo provavelmente vai falhar.

Para os programadores de manutenção, o principal ganho é a antecedência. Se um modelo indicar que um rolamento provavelmente vai falhar dentro de algumas semanas, o planejador tem tempo para pedir as peças e programar o reparo. Com isso, as equipes de manutenção podem executar o serviço durante uma janela de produção planejada, em vez de agir às pressas depois de uma falha. Tanto a abordagem preditiva quanto a preventiva são consideradas formas de manutenção proativa.

Manutenção reativa e corretiva

A manutenção reativa ocorre depois que o equipamento falha.Embora seja considerada a abordagem menos eficiente, ela pode ser uma opção razoável para ativos não críticos e de baixo custo, quando o serviço preventivo custaria mais do que a troca da peça.

A manutenção corretiva é o serviço feito para corrigir um defeito conhecido, muitas vezes identificado durante uma inspeção preventiva. Ao contrário dos reparos emergenciais, em geral ela pode ser planejada e programada. Mesmo organizações de manutenção maduras convivem com alguma manutenção não planejada. Por isso, a meta realista é reduzir o serviço reativo a uma parcela administrável da carga de trabalho e deixar no cronograma folga suficiente para acomodar esse serviço.

Principais elementos de um cronograma de manutenção

A maioria dos cronogramas de manutenção eficazes tem vários elementos em comum:

  • Ordens de serviço: cada ordem de serviço registra o ativo, a tarefa, a prioridade, o técnico designado, as peças necessárias e a duração prevista.
  • Planos de trabalho: planos de trabalho detalhados definem as etapas, as ferramentas, as competências e os materiais necessários para cada tarefa e ajudam a tornar as estimativas de tempo mais precisas.
  • Classificação dos ativos por criticidade: classificar os ativos críticos pelo impacto na segurança, na produção e nos custos ajuda os programadores a decidir o que vem primeiro quando os recursos são limitados.
  • Peças de reposição e materiais: uma coordenação estreita com a gestão de estoque ajuda a confirmar a disponibilidade das peças antes de programar o serviço. Práticas eficazes de gestão do estoque de manutenção, reparo e operações (MRO) têm grande peso nesse ponto.
  • Janelas de produção: grande parte dos serviços de manutenção exige parar o equipamento; por isso, programar o serviço de acordo com a produção ajuda a minimizar as interrupções.
  • Backlog: o backlog é o volume total de serviços aprovados e ainda não concluídos. Um backlog que cresce demais pode indicar que a equipe está subdimensionada, enquanto um backlog pequeno demais pode dificultar manter os técnicos ocupados com trabalho produtivo.

Como funciona o processo de programação de manutenção

O processo de programação de manutenção costuma seguir um ciclo regular:

  1. Identificar o serviço: as solicitações vêm dos cronogramas de manutenção preventiva, dos alertas do monitoramento da condição, dos modelos preditivos, dos relatos dos operadores e das inspeções.
  2. Priorizar o serviço: os planejadores de manutenção ordenam as solicitações de acordo com a criticidade dos ativos, a segurança, as exigências regulatórias e o impacto na produção.
  3. Planejar o serviço: o planejador de manutenção elabora planos de trabalho, estima as horas de mão de obra e identifica as peças, ferramentas e permissões de trabalho necessárias.
  4. Programar o serviço: confirmados os materiais e o acesso aos equipamentos, os programadores distribuem as ordens de serviço por datas, turnos e técnicos específicos, normalmente na forma de um cronograma semanal dividido em tarefas diárias.
  5. Executar o serviço: os técnicos concluem as tarefas atribuídas e registram as horas de mão de obra, as peças utilizadas e eventuais acompanhamentos necessários.
  6. Encerrar e revisar: as ordens de serviço concluídas são encerradas, e os dados servem para atualizar o histórico de manutenção e aperfeiçoar os próximos cronogramas.

É fácil deixar essa última etapa de lado, mas é dela que vem boa parte dos ganhos de longo prazo. Ela dá às equipes de manutenção os dados de que precisam para a melhoria contínua.

Principais métricas da programação de manutenção

Alguns dos indicadores mais usados para avaliar a eficácia da programação são:

  • Aderência à programação: o percentual do serviço programado que é concluído conforme o planejado, dentro do prazo previsto. A baixa aderência à programação pode indicar planejamento deficiente, falta de peças ou excesso de serviço emergencial.
  • Percentual de manutenção planejada (PMP): a parcela de todo o serviço de manutenção que foi planejada. Um percentual mais alto costuma indicar uma organização mais proativa.
  • Tamanho do backlog: geralmente medido em semanas de mão de obra disponível, o backlog mostra se o volume de serviço da equipe é compatível com sua capacidade.
  • Tempo médio entre falhas (MTBF): o MTBF mede o tempo médio de operação entre falhas de equipamentos reparáveis. Um MTBF crescente sugere que o trabalho de manutenção está dando resultado.
  • Custos de manutenção: acompanhar os custos com mão de obra, peças e terceiros, além da relação entre custos planejados e não planejados, mostra o impacto financeiro das práticas de programação.

O papel do CMMS e dos softwares de programação de manutenção

Um sistema computadorizado de gestão da manutenção (CMMS) centraliza as informações de manutenção e automatiza boa parte do planejamento, da programação e do acompanhamento da manutenção. O CMMS e outros softwares de programação de manutenção costumam oferecer os seguintes recursos:

  • Geração automática de ordens de serviço a partir de gatilhos de tempo, uso ou condição
  • Armazenamento do cadastro de ativos, do histórico de manutenção, dos planos de trabalho e dos checklists em um só lugar
  • Controle das peças de reposição e integração com a gestão de estoque
  • Visualização da carga de trabalho dos técnicos para apoiar as decisões de programação
  • Acesso por dispositivos móveis para que os técnicos possam atualizar e encerrar ordens de serviço em campo
  • Emissão de relatórios sobre a aderência à programação, o backlog, o MTBF e os custos de manutenção

O software de manutenção preventiva costuma ser um componente central das soluções de CMMS e permite que as organizações gerenciem cronogramas de manutenção preventiva de milhares de ativos sem acompanhar manualmente cada intervalo.

Em organizações maiores e com uso intensivo de ativos, um sistema de gestão de ativos corporativos (EAM) pode estender esses recursos a todo o ciclo de vida do ativo, da aquisição à operação, à manutenção e ao descarte. Muitas plataformas modernas de EAM e CMMS também incorporam IA, dados de IoT e análise preditiva, o que ajuda os planejadores de manutenção a direcionar uma parte maior da carga de trabalho para a manutenção baseada na condição e a preditiva.

Práticas recomendadas para uma programação de manutenção eficaz

As organizações que programam bem a manutenção costumam seguir algumas práticas em comum:

  • Planejar antes de programar: deixar prontos os planos de trabalho, as peças e as permissões de trabalho antes de programar o serviço torna os cronogramas muito mais confiáveis.
  • Priorizar com base na criticidade: concentrar os esforços de manutenção preventiva e preditiva onde uma falha causaria o maior impacto.
  • Programar de acordo com a capacidade disponível: montar os cronogramas com base nas horas reais de mão de obra e deixar alguma margem para serviços emergenciais.
  • Colaborar com a operação: combinar as janelas de acesso aos equipamentos com antecedência, e não na última hora.
  • Usar dados para refinar os intervalos: recorrer ao histórico de manutenção e aos dados de condição para ajustar a frequência de manutenção dos ativos.
  • Acompanhar e revisar o desempenho: analisar periodicamente métricas como a aderência à programação para orientar a melhoria contínua.

A maioria dos cronogramas de manutenção não será perfeita, e nem precisa ser. O que mais importa é ter um processo confiável e repetível que ajude as equipes de manutenção a se antecipar aos problemas dos equipamentos.Quando esse processo é eficaz, ajuda as organizações a reduzir o downtime não planejado, controlar os custos de manutenção, prolongar a vida útil dos ativos e manter as operações funcionando como previsto.

Josh Schneider

Staff Writer

IBM Think

Ian Smalley

Staff Editor

IBM Think