A modernização de aplicações é o processo de converter sistemas ultrapassados em aplicações mais atuais, eficientes, escaláveis e mais fáceis de manter. Ela abrange melhorias na arquitetura, no código ou na infraestrutura de uma aplicação.
Modernizar aplicações costuma fazer parte dos esforços mais amplos de transformação digital de uma empresa. Segundo pesquisa realizada pelo IBM Institute for Business Value (IBV), 83% dos executivos da diretoria executiva afirmaram que modernizar aplicações e dados é central para a estratégia de negócios de sua organização.
A modernização de aplicações exige preparação criteriosa e implementação cuidadosa, sobretudo em sistemas críticos. O processo pode ser dividido nestas etapas principais:
O primeiro passo é fazer o inventário das aplicações existentes e analisar seu estado atual. Os critérios de avaliação variam conforme o que importa para cada empresa, mas alguns dos mais comuns são o valor para o negócio, os riscos de conformidade e de segurança, a contribuição para a dívida técnica, o custo e a complexidade da modernização e os problemas de desempenho e de experiência do usuário.
Cada fator terá seu próprio peso, com pontuações calculadas para cada sistema. Essas pontuações podem servir para classificar e priorizar as aplicações a modernizar.
No planejamento, as organizações delineiam objetivos e escopo e determinam o método de modernização que melhor se ajusta a cada aplicação. O plano detalha orçamentos, riscos prováveis e formas de mitigá-los, recursos e prazos.
Essa fase pode ser complicada e intimidadora, em especial para empresas que pretendem modernizar aplicações legadas de grande porte ou em grande número. Algumas podem optar por contratar serviços terceirizados de modernização de aplicações, apoiando-se no conhecimento especializado desses fornecedores para formular a estratégia certa.
A etapa de implementação é o momento em que as empresas colocam o plano em prática. Isso inclui executar a abordagem de modernização escolhida.
As empresas devem realizar testes completos e rigorosos para garantir que todos os recursos e funcionalidades necessários da aplicação permaneçam intactos. Convém executar os testes em um ambiente de homologação, para isolar e corrigir eventuais problemas antes da implementação completa em produção.
Acompanhar o desempenho e outras métricas de uma aplicação ajuda a localizar gargalos e oportunidades de otimização. Os resultados também podem orientar os planos de modernização de outras aplicações.
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Modernizar aplicações costuma envolver uma combinação estratégica de métodos, em vez de uma abordagem única para todos os casos. Estas são algumas das técnicas mais comuns, também conhecidas como os "Rs da modernização", parte delas emprestada dos "Rs da migração para a nuvem":
A re-hospedagem, também chamada de lift and shift, migra uma aplicação para um novo ambiente, com pouca ou nenhuma alteração relevante no código e nas funcionalidades. É uma forma rápida de modernizar aplicando o mínimo possível de mudanças, mas o novo ambiente precisa continuar tendo acesso aos mesmos dados.
A replataformação, às vezes chamada de lift and shape, adapta um sistema a uma plataforma diferente, que pode ser outro provedor de nuvem ou a versão mais recente de um framework ou sistema operacional. Ela exige mudanças no código para que ele rode na nova plataforma, e por isso um bom planejamento é vital para evitar a expansão de escopo.
A refatoração reestrutura o código-fonte de uma aplicação sem alterar seu comportamento e suas funcionalidades essenciais. Ela contribui para um software mais eficiente e tempos de execução menores, melhora a manutenibilidade e ajuda a reduzir a dívida técnica. Esse método pode levar mais tempo que a re-hospedagem ou a replataformação e exige desenvolvedores de software qualificados, sobretudo quando se trata de código legado.
A rearquitetura modifica o design subjacente de um sistema. Pode ser, por exemplo, a transformação de uma aplicação monolítica grande e fortemente acoplada em uma arquitetura de microsserviços composta de muitos serviços menores e independentes.
Essa abordagem abre a oportunidade de adotar padrões arquiteturais modernos e oferece mais flexibilidade e escalabilidade. No entanto, assim como a refatoração, redesenhar um sistema preservando o comportamento esperado exige tempo e conhecimento especializado.
A reconstrução significa começar do zero, descartar a base de código existente e reescrever a aplicação desde o princípio. As equipes de desenvolvimento de software ganham a chance de usar o stack de tecnologia mais recente e seguir as práticas atuais de design e desenvolvimento.
Essa técnica abre as portas para a inovação, com mais controle sobre as funcionalidades. Ela também permite que as organizações preservem sua propriedade intelectual e adaptem a aplicação às necessidades do negócio. Mas uma reconstrução pode sair mais cara e mais trabalhosa que outras abordagens, pelo tempo, pelo esforço e pelos recursos consideráveis que exige.
Para sistemas legados que chegaram ao fim da vida útil, a substituição completa pode ser a opção mais adequada. A substituição pode assumir a forma de um produto comercial de prateleira ou de uma aplicação SaaS, desde que essa solução empacotada mais nova contenha as funcionalidades necessárias do sistema a ser desativado.
Ela pode ser mais simples e mais barata que a reconstrução, mas as empresas talvez tenham menos controle sobre os recursos futuros e terão de lidar com o lock-in com fornecedor.
As empresas podem escolher entre uma ampla gama de tecnologias para agilizar a modernização de aplicações. Estas são algumas tecnologias populares que trabalham lado a lado para apoiar o processo:
As organizações podem preferir manter a aplicação onde está e, ao mesmo tempo, expor seus dados ou funções de forma segura por meio de APIs. Esses protocolos servem de ponte entre sistemas legados e aplicações modernas, facilitando o fluxo de dados e a interação, para que a conectividade e a comunicação ocorram sem atritos. Criar APIs para aplicações legadas elimina a necessidade de refatorar, rearquitetar ou reconstruir, sem deixar de integrá-las a serviços modernos.
As plataformas de computação em nuvem dão acesso sob demanda a recursos computacionais pela internet e oferecem mais escalabilidade que a infraestrutura local tradicional. Elas permitem implementações e atualizações rápidas e oferecem serviços gerenciados.
Entidades como instituições financeiras, órgãos públicos e organizações de saúde costumam optar por uma nuvem privada para atender a exigências regulatórias relativas a cargas de trabalho com dados sensíveis. Outras empresas escolhem uma estratégia de migração para a nuvem mais flexível, com uma arquitetura de nuvem híbrida que mantém parte das cargas de trabalho no ambiente local e leva as demais para a nuvem. Algumas empresas adotam um ambiente multinuvem em busca de melhor personalização e de uma seleção mais ampla de recursos e serviços, e também para evitar o lock-in com fornecedor.
A conteinerização encapsula o código da aplicação, junto com suas bibliotecas e dependências, em unidades executáveis autossuficientes chamadas contêineres. Esses contêineres são leves e portáteis, o que lhes permite rodar com rapidez e de maneira consistente em diferentes ambientes computacionais. O Docker é uma das ferramentas de conteinerização de código aberto mais populares, e o Kubernetes é uma plataforma de orquestração de contêineres amplamente usada.
O DevOps automatiza e acelera a forma como as aplicações são criadas, testadas e implementadas. Entre seus traços distintivos estão a integração contínua e a entrega contínua (conhecidas em conjunto como CI/CD). No pipeline de CI/CD, os desenvolvedores fazem commit do código em um sistema de controle de versão, e esse código é automaticamente empacotado, testado e liberado para produção.
Essa arquitetura nativa da nuvem costuma ser usada para desacoplar sistemas monolíticos em um conjunto de componentes menores e fracamente acoplados. Novos recursos ou funcionalidades podem ser acrescentados sem afetar a aplicação inteira, e os componentes podem ser atualizados ou escalados de forma independente uns dos outros. Os microsserviços podem ajudar as empresas a converter gradualmente os sistemas legados em serviços modernos.
A computação sem servidor permite que as equipes criem e executem aplicações sem provisionar nem gerenciar servidores e outros componentes da infraestrutura de back-end. Funciona bem para o processamento de streams e para cargas de trabalho orientadas a eventos.
A IA generativa pode transformar a modernização de aplicações, tornando-a mais simples, mais rápida e mais barata. Segundo o relatório do IBV the CEO’s guide to generative AI, quase um terço dos custos de modernização de aplicações legadas vem da tradução e do desenvolvimento de código.
Mas as ferramentas de IA generativa podem gerar componentes e código de aplicações, além de automatizar os testes, o que ajuda a reduzir esses custos. O IBM Bob, por exemplo, é um parceiro de desenvolvimento baseado em IA que oferece pacotes premium com modos, habilidades e fluxos de trabalho desenvolvidos especificamente para a modernização corporativa, da atualização de aplicações Java para as versões mais recentes ao desenvolvimento em mainframe com COBOL.
O relatório também constatou que algumas organizações aplicam a IA generativa para refatorar aplicações ou para criar fluxos de trabalho de migração de sistemas legados para versões SaaS. Mas o IBV recomenda buscar as oportunidades que antes estavam fora de cogitação, por serem difíceis ou assustadoras demais para que sequer se tentasse modernizá-las, como os sistemas de programação de voos das companhias aéreas ou os sistemas de gestão do ciclo de vida do produto na fabricação. É nos processos desses sistemas centrais do negócio (e nos projetos de modernização de aplicações em atendimento ao cliente, segurança da informação e marketing) que a IA generativa deve produzir o maior impacto e os resultados mais estratégicos, observa o IBV.
Juntas, a modernização de aplicações e a IA generativa impulsionam um ciclo de mais agilidade e crescimento de receita. Segundo o relatório do IBV, 77% dos executivos afirmaram que o uso de IA generativa em projetos de modernização de aplicações vai aumentar a agilidade do negócio, e os CEOs que adotam práticas ágeis têm 49% mais chance de superar seus pares em crescimento de receita.
A modernização de aplicações traz estas vantagens para as empresas:
A modernização permite que as empresas respondam com rapidez às mudanças do mercado e atendam às necessidades dos clientes à medida que elas evoluem. Elas podem entregar novos recursos e funcionalidades aprimoradas sem o downtime típico dos sistemas legados.
A empresa de aviação Lufthansa Group, por exemplo, modernizou suas operações em solo ao unificar vários aplicativos móveis em uma única solução web, chamada Turnaround Companion (TAC). Construída com tecnologias web modernas, a plataforma nativa da nuvem tem uma estrutura modular que permite adaptá-la com flexibilidade a novos requisitos. As novas versões do TAC também têm um downtime de apenas alguns minutos, ante quase 45 minutos dos aplicativos móveis legados, com a meta de zero downtime nas versões futuras.
Atualizar aplicações antigas e lentas costuma envolver também a renovação de suas interfaces do usuário. Interações intuitivas, responsivas, contínuas e fluidas com as aplicações criam uma experiência do usuário positiva, que pode melhorar a satisfação do cliente.
No caso da Lufthansa Group, o novo design do TAC gerou uma experiência do usuário consistente em diferentes dispositivos. A interface intuitiva da plataforma e a visualização clara dos dados permitiram que a equipe de solo assimilasse rapidamente as informações importantes e respondesse de forma eficaz mesmo em situações de estresse.
A modernização de aplicações costuma levar a tempos de processamento menores e a baixa latência, com sistemas capazes de lidar com cargas de trabalho variáveis sem queda de desempenho. Os ambientes de nuvem, em especial, conseguem aumentar e reduzir a capacidade conforme os picos e as quedas de tráfego em tempo real.
Para a Lufthansa Group, a plataforma unificada melhorou significativamente a eficiência das operações em solo, com acompanhamento em tempo real do processo de turnaround da aeronave (a preparação entre voos). Todos os dados e as comunicações também ficam consolidados em um único stack de solução, o que facilita a coordenação rápida entre as equipes do aeroporto e da companhia aérea.
As aplicações legadas costumam ser caras de manter. Modernizá-las pode reduzir os custos de manutenção, permitindo que as empresas invistam essa verba em inovação. As plataformas de computação em nuvem também oferecem um modelo mais econômico, com cobrança por uso e menos custos indiretos de infraestrutura.
A marca de telecomunicações stc group, por exemplo, adotou uma arquitetura de nuvem híbrida. A replataformação para uma solução de alto desempenho gerou uma queda de quase um terço nos custos de conteinerização, uma redução de 30% na despesa de capital e um corte nos custos operacionais relacionados a hardware.
Embora a modernização de aplicações traga benefícios relevantes, o processo também tem suas desvantagens. Estes são alguns obstáculos comuns que as empresas podem encontrar ao modernizar aplicações:
Sistemas legados de grande porte podem ser difíceis de modernizar por causa de sua natureza monolítica e da dívida técnica acumulada. Mas até mesmo sistemas antigos de escopo menor podem se tornar um empecilho, dadas suas dependências intrincadas.
As empresas podem achar mais fácil começar por etapas, dividindo os projetos de modernização em fases mais gerenciáveis. Em vez de encarar uma aplicação inteira de uma só vez, podem se concentrar primeiro em um aspecto menos crítico e refinar a abordagem para as etapas seguintes.
A modernização pode parecer uma despesa alta e pontual, e restrições orçamentárias podem comprometer esses esforços. A abordagem em fases mencionada antes pode ajudar, assim como uma análise de custo-benefício detalhada e a priorização de sistemas de alto impacto que entreguem valor claro e um ROI mensurável.
A migração de dados é um aspecto da modernização muitas vezes negligenciado. Quando não é feita corretamente, pode levar à perda ou à corrupção de dados e introduzir riscos de segurança.
Antes da migração, as empresas precisam criptografar todos os seus dados e preparar o backup e restauração para manter a integridade dos dados. Outros fatores a considerar são o tipo de carga de trabalho, o volume de dados, o tempo que a migração vai levar e como minimizar o downtime ou as interrupções.
Em geral, faltam às empresas o conhecimento e as competências nas tecnologias que escolheram para a modernização. Elas precisam estar prontas para investir em programas de treinamento e capacitação, que deem às suas equipes as competências necessárias para implementar e manter os sistemas modernizados. Uma alternativa é firmar parceria com fornecedores externos que possam orientar e apoiar as organizações ao longo de toda a jornada de modernização.
Capacite suas equipes a inovar mais rapidamente com o IBM Bob, possibilitando a modernização de aplicações assistidas por IA, desenvolvimento rápido e entrega de software mais eficiente.
Aproveite a IA generativa para agilizar a modernização de aplicação, ajudando as equipes de desenvolvimento a acelerar a transformação, melhorar a produtividade e reduzir a complexidade.
Reinvente sistemas legados com a modernização inteligente por IA.