Covid-19

O compromisso da tecnologia na resposta à pandemia da COVID-19

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Ao mesmo tempo em que governos, empresas e pesquisadores exploram novas maneiras de usar a tecnologia para frear a propagação da COVID-19 por meio do distanciamento social, recursos de rastreamento de contatos (contact tracing) e monitoramento de temperatura, eles também estão engajados em uma conversa paralela: como garantir a privacidade, confiança e proteção de dados das entidades e cidadãos?

Este foi o tema do primeiro debate virtual IBM Policy Lab Live, que ocorreu no dia 23 de julho. Intitulado “O compromisso da tecnologia na resposta à pandemia da COVID-19”, o painel foi moderado pela Dra. Nicol Turner Lee, Diretora do Centro de Inovação Tecnológica da Brookings Institution, e contou também com Christina Montgomery, Chief Privacy Officer da IBM; Cathy McMorris Rodgers, Congressista norte-americana que representa o Subcomitê de Proteção ao Consumidor e Comércio; e com Lucrezia Busa, que atua no gabinete do Comissário Europeu de Justiça, e lida com a pasta de agenda digital, inteligência artificial e proteção de dados.

Mesmo que a tecnologia possibilite que as pessoas permaneçam mais seguras diante da pandemia, a privacidade e a confiança seguem como questões primordiais neste momento. “Temos o potencial de resolver tantos problemas sociais com a tecnologia, mas se neste momento colocarmos a privacidade em segundo plano, não estaremos agindo da maneira correta”, disse Christina. “Na IBM, acreditamos que as maiores implicações sobre a privacidade não estejam nos widgets ou algoritmos, mas sim em temas cruciais como a confiança e a responsabilidade das organizações neste processo, assim como a inclusão do ser humano na implantação da tecnologia”, observou.

A tecnologia não pode ser adotada sem confiança e compromisso

De acordo com as painelistas, desde o início da pandemia a tecnologia tem se destacado mais do que nunca, tanto em nossa vida pessoal, como no trabalho. Em todo o mundo, desde as primeiras quarentenas e lockdowns, a tecnologia foi capaz de manter os cidadãos ligados ao trabalho, à escola, à família, aos amigos e aos serviços essenciais de saúde. E à medida que as empresas e os governos considerarem novas soluções para que as reaberturas ocorram o mais rápido e seguro possível, o papel da tecnologia se tornará ainda mais crucial.

“Acredito que as novas tecnologias e as inovações serão a chave para acabarmos com a pandemia do coronavírus, para salvar vidas e para reconstruirmos as economias”, mencionou a congressista Cathy Rodgers. “É impossível não associar a assistência médica, a telemedicina, as parcerias com os governos e as análises do vírus sem o uso dos supercomputadores. As empresas de tecnologia estão na linha de frente da nossa resposta ao vírus, tanto do ponto de vista sanitário como econômico”, sinalizou.

Porém, para serem eficazes, as novas soluções destinadas a conter a propagação do vírus precisam ser amplamente adotadas. Se as pessoas não confiarem que informações pessoais e seus direitos de cidadãos serão protegidos, mesmo os produtos mais brilhantemente concebidos deixarão de ser úteis no processo. Os dados sensíveis “estão no centro de muitas das soluções criadas para enfrentar a pandemia global”, observou Christina. “Se a sociedade não confia nestas tecnologias, ela simplesmente não vai utilizá-las. E se as tecnologias não forem usadas, haverá um bloqueio que as impedirá de serem aprimoradas. Este é um tema muito sensível”, completou.

Durante o debate, Lucrezia Busa descreveu o momento de pandemia como “um elemento decisivo para a relação entre tecnologia e os direitos fundamentais”. Segundo ela, quando o vírus começou a se espalhar na Europa, as pessoas começaram a questionar se as sociedades teriam que escolher entre dois lados: pelo direito à privacidade, ou pelo uso da tecnologia para rastrear e impedir a propagação.

De acordo com a especialista do comissariado europeu, esta distinção não deveria existir. “Os direitos fundamentais e a privacidade podem ser complementares nas soluções e ferramentas postas em prática para resolver a pandemia”. Lucrezia citou o Comissário Europeu de Justiça, Didier Reynders e completou: “Entramos nesta crise como uma democracia, e devemos sair como uma democracia”.

A restrição do uso dos dados para estabelecer confiança

As painelistas ainda discutiram o papel dos governos e empresas no estabelecimento de diretrizes para o uso de dados. Diante da ausência de legislação de privacidade (caso dos Estados Unidos) ou das diferentes regras de Proteção de Dados vigentes nos países (a GDPR, General Data Protection Regulation, na Europa, e a LGPD, Lei Geral de Proteção de Dados, no Brasil), os Princípios de Confiança e Transparência da IBM têm sido um ótimo norte como diretrizes de privacidade para as nações. Entre outros fatores, essas normas determinam que as soluções da IBM sejam projetadas e implantadas com privacidade e segurança por padrão, e restringem rigorosamente quais dados podem ser coletados e como podem ser utilizados. O Conselho de Ética AI da IBM, o qual Christina Montgomery copreside, rege-se por esses mecanismos de proteção na avaliação de todo e qualquer projeto e oportunidade de negócio.

Para fechar o painel, a Dra. Nicol Lee, moderadora da conversa, reforçou:  “Este é um ano de pandemia, possibilidades e prioridades. E enquanto tentamos descobrir maneiras de mitigar esta pandemia tanto local quanto globalmente, a tecnologia pode intervir de maneira construtiva”.

Para assistir o replay do debate, acesse: https://www.pscp.tv/w/1gqxvaAbpEzJB

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