O progresso da migração do Exército Brasileiro para o Linux
Embora o prazo para alcançar 100% de migração não seja definido, o Exército considera que a adoção das soluções livres é definitiva e abrange toda a corporação, ou seja, “o índice máximo de sua utilização deve ser um objetivo permanente para todas as Unidades do Exército, em opção à solução fechada, sem ônus à plena operacionalidade das atividades específicas da Organização Militar”, como indica o preâmbulo de uma das edições do plano. Como em tantas outras organizações, a opção pelo modelo aberto no Exército também inclui o critério custo e o fim da dependência em relação a fornecedor único, mas neste caso também há a presença de outras motivações que se revestem de um caráter mais estratégico: - Ganho em segurança e estabilidade - Eliminação das mudanças compulsórias de versão - Independência tecnológica - Auditabilidade superior Desenvolvimento do conhecimento local A migração teve início pelos sistemas não-críticos e pelos servidores, com a intenção de aos poucos estender-se aos desktops militares. No recente XXII Fórum Internacional do Software Livre, realizado em Porto Alegre, o Tenente-Coronel Paulo Fernando Lamellas apresentou ao público o andamento do plano de migração, que já se encontra em sua 4a edição trianual, e agora está completamente alinhado ao padrão e-Ping do governo federal. Esta nova edição, lançada no final de 2010, traz um avanço interessante, considerando a cautela adotada inicialmente em deixar os desktops para um segundo momento: o exército está migrando seus desktops, e a distribuição escolhida para ser a base do sistema personalizado pelo exército foi o Ubuntu, em sua versão 10.04. E a razão desta escolha foi apresentada: segundo o Tenente-Coronel, "o Ubuntu é a distribuição mais fácil para o usuário utilizar e também proporciona maior facilidade de customização, o que permitiu adaptar a nossa distribuição ao usuário final". E não se trata de uma etapa ainda por começar: ainda segundo ele, mais de 67% do parque de 60.000 máquinas abrangido pelo plano já foi convertida para o novo sistema, que encontra boa aceitação devido ao esforço prévio de adaptação realizado no software: "a customização é uma excepcional ferramenta para convencer o usuário, porque na hora que ele vê na distribuição Linux os símbolos do Exército, o linguajar da corporação, isso faz com que ele se aproprie daquilo", acrescenta. São dois bons exemplos a serem considerados em migrações públicas e privadas: a criação de um plano gradual e escalonado, e a atenção prévia à personalização das interfaces expostas aos usuários finais. Parabéns ao Exército: braço forte, mão amiga, e sistemas livres! |



