Nem sempre o cliente tem razão

Uma funcionária de banco ajudando outra mulher a tirar suas dúvidas

Autores

Matthew Finio

Staff Writer

IBM Think

Amanda Downie

Staff Editor

IBM Think

O cliente sempre tem razão?

Nem sempre.

Um cliente de restaurante termina sua refeição, reclama da qualidade da comida e solicita um desconto. Um cliente devolve um dispositivo eletrônico danificado por água, insistindo que a loja honre a garantia e ignore o uso inadequado evidente. Um passageiro de avião ocupa um assento vazio em uma seção mais cara do avião, mesmo sem ter pago pelo upgrade.

Para empresas, quais são os limites das solicitações dos clientes? Setenta e cinco por cento dos CEOs acreditam que entender as necessidades dos clientes é o fator mais crítico para impulsionar o crescimento dos negócios.1 No entanto, aderir rigidamente a uma filosofia de "o cliente sempre tem razão" não é um modelo de negócios prático ou benéfico. É uma regra que pode criar problemas consideráveis e incentivar comportamentos irracionais ou grosseiros. 

História: “o cliente sempre tem razão”

A frase "o cliente sempre tem razão", creditada ao varejista londrino do início do século XX, Harry Gordon Selfridge, surgiu quando o atendimento ao cliente estava longe de ser a prioridade que é hoje. No fim do Século XIX e início do Século XX, as compras eram amplamente transacionais, guiadas pelo princípio caveat emptor: “que o comprador que se cuide.” Os varejistas muitas vezes vendiam produtos defeituosos, faziam declarações exageradas e ofereciam pouco suporte, deixando os compradores enfrentando esses riscos por conta própria

Nessa época, os comerciantes frequentemente vendiam produtos de baixa qualidade ou imitações, apresentando tecidos baratos e outros materiais como se fossem luxuosos ou exóticos. Eram comuns alegações de que os produtos eram “aprovados por médicos” ou “comprovados cientificamente”, tônicos medicinais prometiam curar desde dores de cabeça até tuberculose, mas frequentemente careciam de validade médica e, às vezes, eram adulterados com substâncias perigosas, como morfina e cocaína. Trabalhadores chineses introduziram o óleo de cobra nos EUA como um remédio tradicional anti-inflamatório, mas vendedores americanos frequentemente o substituíam por óleos mais baratos ou até mesmo ópio. Isso fez com que “óleo de cobra” se tornasse um termo para curas falsas e “vendedor de óleo de cobra” passasse a designar quem comercializava produtos fraudulentos.

Esse ambiente não regulamentado criou uma oportunidade para Selfridge e outros pioneiros do varejo, incluindo Marshall Field em Chicago e John Wanamaker em Filadélfia, se diferenciarem ao focar na satisfação do cliente.

A ideia por trás de "o cliente sempre tem razão" foi revolucionária porque sinalizou uma mudança na forma como as empresas tratavam seus clientes. Selfridge, Field e Wanamaker entenderam que o sucesso a longo prazo dependia da construção de confiança e lealdade, o que significava abordar as reclamações dos clientes e tratá-los com dignidade e respeito, mesmo quando as reclamações dos clientes pareciam irracionais. Os funcionários foram incentivados a criar uma experiência mais acolhedora para o cliente. Essa mudança ajudou a inaugurar uma nova era de comércio baseada na confiança e na repetição de negócios.

Com o tempo, a filosofia de "o cliente sempre tem razão" enfrentou críticas por permitir exigências irreais e até comportamentos abusivos. Muitas empresas agora preferem uma abordagem equilibrada, enfatizando que "o cliente merece ser ouvido". Essa perspectiva preserva a satisfação do cliente e respeita os funcionários e estabelece limites saudáveis.

Mulher negra trabalhando em notebook

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Como “o cliente sempre tem razão” pode prejudicar os negócios

A regra de "o cliente sempre tem razão" ignora a necessidade de limites claros no relacionamento com o cliente. Quando os clientes acreditam que sempre ganharão, às vezes aproveitarão fazendo exigências não realistas. Tais solicitações podem incluir devoluções frequentes, reclamações injustificadas ou apelos por grandes descontos. Atender a todas as demandas pode criar confusão sobre o que a empresa pode entregar de forma realista. 

Veja a seguir várias razões pelas quais “o cliente sempre tem razão” nem sempre é uma política de negócios sensata: 

  • A sustentabilidade fica comprometida: esforçar-se constantemente para agradar os clientes, independentemente do contexto, cria práticas comerciais insustentáveis. Por exemplo, se uma empresa oferece rotineiramente descontos ou reembolsos sob demanda, mesmo quando não se justificam, isso pode prejudicar a receita e levar ao esgotamento da equipe. Priorizar solicitações razoáveis ajuda a garantir que uma empresa mantenha a eficiência operacional e uma equipe mais feliz.

  • Demandas irracionais desperdiçam recursos: as empresas têm tempo, dinheiro e pessoal limitados. Atender excessivamente a clientes difíceis ou irracionais consome recursos que poderiam ser melhor gastos em clientes leais e cooperativos. Por exemplo, passar horas resolvendo as reclamações de um cliente que exige muita manutenção pode desviar a atenção dos clientes que apreciariam o serviço e prejudicariam o desempenho geral da empresa.

  • O moral dos funcionários sofre: ficar constantemente do lado dos clientes, mesmo quando eles estão errados, pode desmotivar os funcionários. Se eles se sentirem obrigados a tolerar abusos para agradar os clientes, provavelmente se sentirão subvalorizados e desconectados, o que pode levar a clientes menos satisfeitos em geral. Clientes satisfeitos geralmente são o resultado de colegas de trabalho felizes, funcionários que se sentem respeitados e apoiam seu empregador. 

  • Outros clientes sofrem: Desviar muitos recursos para lidar com as demandas de alguns clientes desafiadores pode sobrecarregar a equipe, prejudicando a experiência geral do cliente e a reputação da empresa. Se muitas horas da equipe forem gastas lidar com uma solicitação irracional, outros clientes poderão ter experiência de atrasos ou se sentir ignorados. Priorizar a todos de forma justa aumenta a satisfação geral do cliente.

  • Os clientes às vezes estão errados: nem sempre os clientes estão bem informados e podem ter expectativas não realistas ou entender mal os produtos. Geralmente buscam o melhor negócio para si mesmos, por exemplo, exigindo a substituição de um produto que obviamente usaram mal. Tentar atender a todas as demandas, mesmo quando são equivocadas ou irracionais, pode gerar resultados negativos. É melhor informá-los e orientá-los do que simplesmente concordar com exigências excessivas.

  • Causa conflito entre a gerência e a equipe: aderir estritamente à mentalidade de que "o cliente sempre tem razão" pode criar tensão entre a gerência e os funcionários. Se os funcionários não se sentem apoiados quando seguem políticas da empresa que incomodam um cliente, isso pode minar a confiança na liderança. Proprietários de empresas que apoiam seus funcionários promovem fidelidade, mais engajamento e resultados mais bem-sucedidos para os clientes e para a empresa.

  • O mau comportamento não deve ser tolerado: Alguns clientes aproveite de empresas que aderem ao "o cliente sempre tem razão" e se comportam mal com a equipe. Se um cliente é verbalmente abusivo, mas a empresa insiste em deixá-lo feliz, isso envia uma mensagem de que o mau comportamento é aceitável. Uma postura de apoio à equipe promove um ambiente seguro e respeitoso e evita uma cultura tóxica no ambiente de trabalho.

  • Superar as expectativas é melhor do que atendê-las: Em vez de concordar cegamente com os clientes, as empresas devem se concentrar em superar as expectativas, oferecendo soluções que realmente beneficiem ambas as partes. Por exemplo, oferecer alternativas ou upgrades bem pensados pode impressionar muito mais os clientes do que atender a todas as solicitações. Essa abordagem mantém a integridade da empresa em vez de simplesmente atender às demandas de curto prazo.

O que fazer quando o cliente não tem razão

Quando o cliente não está certo, é essencial lidar com a situação de forma ponderada e construtiva. Veja aqui as etapas que você pode seguir:

  1. Pratique a empatia: permita que o cliente expresse suas preocupações sem interrupções. Demonstre empatia e compreensão, mesmo que acredite que eles estejam errados. Isso ajuda a amenizar a situação.

  2. Avalie a situação: determine se a reclamação do cliente decorre de um mal-entendido, desinformação ou expectativas irracionais. Reúna informações relevantes para esclarecer o problema.

  3. Informe o cliente: apresente informações precisas com gentileza para ajudar o cliente a entender a situação. Use linguagem clara e sem conflitos para explicar qualquer mal-entendido.

  4. Seja profissional: mantenha uma postura tranquila e respeitosa, independentemente de como o cliente se comporta. Evite ficar na defensiva ou discutir, pois isso pode aumentar a tensão.

  5. Estabeleça limites: Se um cliente estiver sendo abusivo ou fazendo exigências irracionais, será importante estabelecer limites claros. Explique educadamente o que é razoável e o que sua empresa pode ou não fazer.

  6. Busque soluções colaborativas: dedique-se à elaboração de uma solução que atenda às necessidades do cliente e às políticas da sua empresa. Isso pode incluir produtos alternativos, descontos ou outras opções compensatórias justas.

  7. Saiba quando dizer não: se as exigências de um cliente não forem realistas ou se forem prejudiciais para sua empresa, esteja preparado para negar. Explique com firmeza, mas com respeito, por que você não pode atender à solicitação.

  8. Registre o ocorrido: mantenha um registro detalhado da interação, pois isso pode evidenciar padrões em determinados clientes e contribuir para aprimorar treinamentos e políticas internas.

  9. Avalie e reflita: depois que a situação for resolvida, reflita sobre a interação. Analise o que pode ser melhorado em encontros futuros, tanto em termos de atendimento ao cliente quanto de processos internos.

  10. Acompanhamento: após a interação, considere entrar em contato com o cliente para confirmar se suas preocupações foram abordadas e restabelecer o relacionamento. Este acompanhamento demonstra um cuidado genuíno com sua experiência e um compromisso com a melhoria do serviço.
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Uma abordagem melhor

Os tempos mudaram. Para os negócios modernos, um princípio mais eficaz do que “o cliente sempre tem razão” é “o cliente merece ser ouvido” ou, mais especificamente, “transações comerciais bem-sucedidas requerem respeito mútuo e colaboração”. 

Essa abordagem reconhece que, embora os clientes devam ser valorizados e ouvidos, é igualmente essencial respeitar a dignidade e o bem-estar dos funcionários. Manter uma abordagem equilibrada, onde as necessidades dos clientes e as realidades do negócio sejam consideradas, permite às empresas criar experiências mais positivas, gerando clientes leais e satisfeitos, funcionários mais felizes e um modelo de negócios mais sustentável.

Promover um ambiente em que clientes e funcionários se relacionem de forma construtiva permite que as empresas melhorem a experiência do cliente e fortaleçam a confiança e a responsabilidade.

No centro dessa filosofia está a empatia. Ao priorizar a compreensão da perspectiva do cliente, as empresas podem lidar com as preocupações de forma ponderada, sem comprometer seus valores ou sobre Recursos. Capacitar os funcionários para trabalharem de forma colaborativa com os clientes cria uma dinâmica de parceria que busca soluções benéficas para ambas as partes. 

Definir parâmetros claros de comportamento aceitável também contribui para todos se sentirem respeitados, resguardando a integridade da empresa e fortalece os relacionamentos com os clientes fiéis. Essa postura equilibrada, tratando os clientes com justiça mas mantendo limites, gera resultados mais positivos e sucesso duradouro.

Em última análise, uma estratégia de negócios bem-sucedida não se concentra apenas em conquistar todos os clientes, mas sim os clientes certos. Trata-se de cultivar confiança e construir relações duradouras com clientes que valorizem e respeitem a expertise da empresa. É sobre preparar o negócio e seus funcionários para um sucesso de longo prazo. E, às vezes, isso significa reconhecer com elegância que o cliente nem sempre tem razão. 

Notas de rodapé

 CEO decision-making in the age of AI, IBM Institute for Business Value, publicado originalmente em 26 de junho de 2023.

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