Cientistas da National Geographic e da IBM descobrem herança genética nos Fenícios
Lisboa, 31 de Outubro de 2008
Os Fenícios deram ao mundo o alfabeto e a cor roxa no entanto, o estudo publicado no American Journal of Human Genetics (AJHG-D-08-00725R2) por cientistas especialistas no genoma humano, vem demonstrar que a herança vai além do que até agora se tinha apurado. Uma em cada 7 pessoas da região mediterrânea tem um Fenício como antepassado directo na linha masculina.
A National Geographic e o Genographic Project da IBM desenvolveram um novo método para detectar o impacto das migrações populacionais da nossa história. A sua primeira aplicação foi feita para revelar o legado genético dos Fenícios, um intrigante mas misterioso império do primeiro milénio antes de Cristo.
Os Fenícios partiram do que hoje conhecemos como Líbano, expandiram-se pelo mar ao longo do Mediterrâneo e criaram colónias em locais tão afastados quanto a Espanha e a África do Norte, onde tinham a sua mais poderosa cidade, Cartago. Sendo os primeiros “capitalistas globais”, controlaram o comércio em toda a bacia mediterrânica durante cerca de mil anos até terem sido conquistados por Roma, no segundo século antes de Cristo.
Ao longo dos séculos seguintes muito do que se sabia acerca desta população enigmática foi perdido ou destruído.
Chris Tyler-Smith, do Instituto Wellcome Trust Sanger e participante neste estudo afirma que: “Quando começámos, nada sabíamos acerca dos genes dos Fenícios. Tudo o que tínhamos para guiar-nos era a história: sabíamos apenas onde tinham e não tinham passado. No entanto esta informação, com a ajuda da genética moderna, acabou por ser suficiente para seguir as pistas de um povo que desapareceu”.
Este novo método de análise observa as assinaturas genéticas, com cromossoma Y em linhagens modernas do género masculino, demonstrando que são mais comuns em regiões com uma história ligada aos Fenícios, do que em locais pelos quais nunca tenham passado. A análise revelou ainda que muitas das linhagens genéticas, partilhadas por populações afastadas umas das outras em todo o Mediterrâneo, estão unidas por uma característica comum – o facto de as pessoas pertencerem a regiões que já foram colónias Fenícias.
Daniel Platt, do Centro de Biologia Computacional da IBM no T. J. Watson Research Center afirma que: “Os resultados são importantes porque mostram que os locais por onde passaram os Fenícios estão marcados pela sua assinatura genética, que se distingue de qualquer outra que possa ter sido deixada por outras migrações da história, ou surgido por acaso. O que prova que o legado genético deixado persiste até aos dias de hoje".
Ao juntarmos as linhagens acreditamos que os Fenícios contribuíram, em pelo menos seis por cento, para as populações modernas. A probabilidade aponta para que um rapaz em cada turma, do Chipre ao Tunis, possa ser um descendente directo da linha masculina dos comerciantes Fenícios.
Pierre Zalloua, principal Genographic Researcher, do Médio Oriente e Norte de África, afirma: “Este estudo revela mais um pouco da herança da nossa população, que foi enterrada ou esquecida. Esta nova descoberta é fundamental para desvendar equívocos e mal-entendidos da nossa história. Só o conhecimento abrangente do nosso passado nos pode ajudar a fortalecer a nossa identidade moderna. É desafiante e ao mesmo tempo maravilhoso comprometermo-nos a ser capazes de desvendar e escrever a nossa própria história”.
O estudo destaca a importância do esforço feito em coordenação, de forma a recolher dados a um nível global. A primeira e maior recolha, deste género, em genética da população, feita até hoje. Spencer Wells, Director do Genographic Project, refere: “Este estudo só foi possível devido à rede que criamos através do grupo Genographic, em que participação dos voluntários, em todo o mundo, nos ajuda a descobrir histórias fascinantes. É através deste esforço sincronizado que conseguimos detectar os mais ténues detalhes da migração dos Fenícios, acreditando que este novo método nos permitirá, a nós e a outros cientistas do futuro, decifrar marcas genéticas, anteriormente indetectáveis, em diferentes regiões do mundo.”
Histórico: O Genographic Project foi lançado em 2005, pela National Geographic e a IBM, com investigação apoiada pela Waitt Family Foundation que utiliza a genética como ferramenta para resolver questões antropológicas à escala mundial. No núcleo do projecto está um consórcio de dez equipas científicas regionais, que seguem o quadro ético e científico e que são responsáveis pela recolha de amostras e análises das suas regiões.
O projecto está aberto a membros do público, podendo estes participar através da aquisição de um kit de participação disponível no website do Genographic, em que podem ainda escolher doar os seus resultados genéticos de forma a alargar a base de dados. As vendas dos kits reverterão para a investigação e um fundo para comunidades de povos indígenas no âmbito da língua e projectos culturais.
www.nationalgeographic.com/genographic
Para entrevistas com investigadores de Genopraphic, contacte Glynnis Breen:
gbreen@ngs.org ou 1 202 857 7481
Para entrevistas com investigadores, contacte Michael Loughran:
mloughra@us.ibm.com or +1 914 945 2895
Para aceder a fotografias:
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Acerca da National Geographic:
Fundada em 1888, a National Geographic é uma das maiores organizações científicas e educacionais sem fins lucrativos. A sua missão é aumentar e divulgar o conhecimento geográfico, inspirando-nos a melhor e a cuidar do planeta.
A National Geographic reflecte o mundo através das suas seis revistas, canais de televisão por cabo, bem como programas, filmes, rádio, livros, vídeos, mapas, media interactivos e merchandising, alcançando um total de 300 milhões de pessoas por mês.
Acerca da IBM:
A IBM é a maior organização de Tecnologias de Informação, com mais de 80 anos de liderança no auxílio à inovação empresarial. Com uma longa história de inovação em prol da sociedade, lançou nos últimos anos várias iniciativas de investigação criadas para ultrapassar os “grandes desafios” científicos que ainda não foram superados, incluindo o xadrez Deep Blue – jogar computador e perceber os mistérios da proteína com o BlueGene, o super computador mais rápido do mundo. A IBM Research é a maior organização de pesquisa em Tecnologias da Informação em todo o mundo, com mais de 3000 cientistas e engenheiros em oito laboratórios de 6 países diferentes. Para mais informação acerca da IBM, visite www.ibm.com (US)
Acerca da Waitt Family Foundation:
Fundada em 1993 pela Gateway Computer e pelo seu actual presidente Ted Waitt e a sua esposa, Joan, the Waitt Family Foundation foca-se no passado, presente e futuro da Humanidade.
A Fundação financia assim, especificamente, os projectos que visem descobrir mais sobre o nosso passado e que nos ajudem a melhor compreender o que hoje somos, bem como revelar oportunidades ainda inexploradas para o nosso futuro. Para mais informação acerca da Waitt Family Foundation, consulte: www.waittfoundation.org
