O fosso digital entre países mais e menos avançados continua a diminuir, embora mais lentamente
Lisboa, 9 de Abril de 2008
(NYSE: IBM) – Os Estados Unidos da América e Hong Kong foram considerados os países melhor preparados digitalmente do mundo, de acordo com os dados divulgados hoje pelo E-readiness. O estudo, fruto de uma colaboração entre o Institute for Business Value da IBM e a Economist Intelligence Unit, considerou um total de 70 países e avaliou as suas capacidades tecnológicas. Portugal mantém o mesmo índice de 2007, sendo o 27º país da lista do Economist Intelligence Unit, imediatamente atrás da Espanha.
Outra das conclusões aponta para o abrandamento do desenvolvimento tecnológico de países como a Finlândia que desceu três posições no ranking, ou a Dinamarca que, após quatro anos no primeiro lugar, desce para quinto.
Estas alterações relativamente a 2007 vieram assim revelar como manter o desenvolvimento digital se assumiu como um desafio difícil de cumprir. Os líderes europeus, de que a Finlândia e a Dinamarca são exemplo, não conseguiram manter os níveis de investimento em TI ou mesmo melhorar o acesso público e empresarial a canais digitais. Pelo contrário, os países que mais avançaram no top 10 – Estados Unidos, Hong Kong, Holanda e Austrália – destacaram-se pelos avanços em matéria de conectividade, ou seja, de acesso à banda larga fixa e wireless, assim como nos ambientes de inovação.
“As economias digitais mais avançadas do mundo – tal como as menos avançadas – continuam a registar ganhos relevantes em apostarem no acesso às tecnologias da informação e em tornarem acessíveis à população serviços digitais”, afirma Robin Bew, Director Editorial da Economist Intelligence Unit. “No entanto, é muito difícil manter este progresso, e mesmo os líderes do ranking têm muito trabalho pela frente no sentido de traduzirem estes ganhos em benefícios económicos e sociais concretos”.
As conclusões referentes a 2008 apontam ainda para a redução do fosso digital entre os países mais e menos preparados. Um indicador que vem dar alguma esperança e contrariar a divisão digital entre os países mais e menos desenvolvidos. No entanto, esta redução do fosso foi bastante menos evidente do que em anos anteriores. Os países menos preparados digitalmente não registaram qualquer movimento de ascensão nos seus rankings (ainda que a maioria tenha melhorado algumas pontuações), devido sobretudo ao facto de os seus ambientes de negócio se terem deteriorado ou melhorado, ainda que não significativamente. Melhorias ao nível da conectividade em alguns países em desenvolvimento, particularmente na América Latina, são igualmente baixos. Arábia Saudita, Tailândia e Egipto, países situados no fim da tabela, conseguiram no entanto subir algumas posições relativamente a anos anteriores, motivados principalmente pelo progresso ao nível da conectividade.
“Na nossa investigação, identificámos três tipos de países no que respeita aos rankings de e-readiness: líderes efectivos, os que adoptam facilmente as TI e os têm mais dificuldade em ”, afirmou Peter Korsten, líder do IBM Institute for Business Value. “Estes grupos permaneceram relativamente constantes, mas os progressos mais significativos foram registados nos países com mais dificuldades em adoptar as novas tecnologias, exemplo da Tailândia, do Peru ou da Roménia, que entre 2001 e 2008 subiram cerca de 17 posições”, acrescentou.
A análise do E-readiness 2008 identifica vários princípios que podem ser utilizados pelos decisores políticos para avaliarem as oportunidades de progresso digital nos seus países:
•Deixar o mercado funcionar. Os decisores políticos devem permitir que sejam as forças do mercado a determinar o curso da economia digital.
• … Mas intervir quando necessário. Os governos devem, ao mesmo tempo, assegurar que o investimento é direccionado também para as sociedade digitais dos países menos desenvolvidos,
• Seguir o exemplo. No países mais pobres, os governos deveriam tentar adoptar práticas digitais o mais cedo possível. Isso passa, por exemplo, por compras directas, ou através da criação de canais adicionais, entre outras operações.
• Não querer fazer tudo. Os governos querem ser campeões do desenvolvimento digital, financiar a sua própria infra-estrutura de TI, regular levemente e encorajar a adopção, o que se afigura como uma missão difícil de conseguir. Nesse sentido, os governos devem intervir o menos possível no caso de o negócio digital estar em crescimento; mantendo-se tecnologicamente neutros nas práticas de aquisição e de licenciamento.
• Manter-se atento. Como revelaram os resultados deste ano, é muito fácil um país desviar-se dos seus objectivos digitais, perdendo algum terreno conquistado com a construção de “networks” e comunidades. O mundo do e-readiness abrange vários objectivos que, também eles, se alteram. Uma situação que obriga à revisão das políticas e práticas no sentido de corresponder às aspirações das comunidades para quem os Governos trabalham.
A situação portuguesa
Portugal mantém o mesmo índice de 2007, sendo o 27º país da lista do Economist Intelligence Unit, imediatamente atrás da Espanha.
Apesar de acompanhar o desenvolvimento do nível de preparação electrónica global, o crescimento português registado não permitiu melhorar a posição que já detinha em 2001, mantendo-se abaixo da média da Europa Ocidental em todas as categorias que contribuem para o cálculo do nível de preparação electrónica. No entanto, detecta-se uma ligeira melhoria do seu nível em termos relativos, nomeadamente a partir de 2005, mas não suficiente para alterar o seu índice.
As categorias em que Portugal fica mais longe da média europeia são as do ambiente social e cultural e da conectividade e infra-estrutura tecnológica.
Metodologia
s rankings do E-readiness compreendem cerca de 100 critérios qualitativos e quantitativos, organizados em seis categorias distintas. Estas distribuem-se de acordo com a seguinte representatividade no modelo analítico: conectividade e infra estruturas (20%); ambiente de negócio (15%); ambiente social e cultural (15%); ambiente legal e de políticas (10%); políticas governamentais e visão (15%); e adopção do consumidor e do negócio (25%).
As fontes de informação destes rankings são o Economist Intelligence Unit, Pyramid Research, o Banco Mundial, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual, entre outras. Os critérios qualitativos do estudo são definidos por uma rede de trabalho ligada ao Economist Intelligence Unit. Para mais informação sobre a metodologia, por favor consulte o ficheiro pdf, disponível em www.eiu.com/sponsor/ibm/e-readinessrankings2008, com a referência “E-readiness rankings 2008: Maintaining momentum”.
Sobre o Economist Intelligence
O Economist Intelligence Unit é a unidade de informação de negócio do grupo de media The Economist, que publicam igualmente o jornal The Economist. Através de uma rede de mais de 650 analistas e contribuintes, continuamos a avaliar e perspectivar as economias mundiais.
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