Navegando na Nuvem IBM, Parte 1: Um Manual sobre Tecnologias em Nuvem

Esta série de artigos explica os conceitos básicos da computação em nuvem, começando com algumas das tecnologias subjacentes que oferecem suporte a um ambiente em nuvem. Ao longo do caminho, também veremos onde algumas das principais® ofertas em nuvem da IBM se encaixam no cenário e como elas podem ajudá-lo a ser bem-sucedido na nuvem. Este conteúdo é parte do IBM WebSphere Developer Technical Journal.

José De Jesús, Senior Certified Architect, IBM

José De Jesús é Senior Certified Architect no ISSW para a equipe IBM (I4I). Possui título de Bacharel em Ciência da Computação pela Fordham University e de Mestre em Ciências em Gerenciamento de Tecnologias pela University of Miami. José é Non-SAP Infrastructure Team Lead do projeto interno da IBM, o Blue Harmony, bem como ISSW Certification Lead. Ele também é líder da I4I Cloud Initiative e da I4I Technical Vitality Initiative, além de ser membro da Distributed Management Task Force (DMTF).



31/Jul/2012

Introdução

A computação em nuvem é um modelo que fornece software, middleware e recursos de computação baseados na web sob demanda. Por meio da implementação da Tecnologia como Serviço, os usuários têm acesso somente aos recursos necessários para uma tarefa específica, o que acaba possibilitando que eles economizem no custo, desenvolvimento e tempo de implementação do investimento, bem como no gasto adicional com recursos. Possibilitar que os usuários tenham acesso aos softwares e às tecnologias mais recentes também promove a inovação de negócios.

Esta série de artigos ajudará a entender o que é a computação em nuvem e como ela funciona, além de como os produtos IBM podem ajudar no sucesso com uma estratégia em nuvem.

Ela começa examinando algumas tecnologias que possibilitam a computação em nuvem e, em seguida, explica seus conceitos básicos.


Por dentro da nuvem

Virtualização da plataforma

A virtualização da plataforma se refere à divisão lógica de uma máquina física em diversas máquinas virtuais (MVs) ou guests. O objetivo é consolidar recursos, reduzir espaço e os custos com energia, e separar o S.O. do hardware físico para mais flexibilidade. A virtualização da plataforma é geralmente realizada por um hypervisor, que é uma camada de software ou firmware que possibilita que outros softwares (normalmente sistemas operacionais) sejam executados de forma simultânea, como se tivessem acesso total à maquina real. O hypervisor, também denominado monitor de máquina virtual (VMM), controla e apresenta os recursos físicos de uma máquina como recursos virtuais às MVs.

Há dois tipos de hypervisors: Tipo 1, que é executado diretamente no hardware físico; e o Tipo 2, que requer a execução de um sistema operacional do host (Figura 1).

Figura 1. Tipos de hypervisors
Tipos de hypervisors

Alguns exemplos de hypervisors Tipo 1: IBM z/VM®, IBM PowerVM® e VMWare ESX/ESXi Server para Windows®. Outros exemplos seriam o Citrix Xen e Microsoft® Hyper-V®. Como eles são executados no próprio hardware, hypervisors Tipo 1 também são denominados nativos ou bare-metal .

Exemplos de hypervisors Tipo 2 incluem: VMWare Workstation, VMWare Server, Kernel-Based Virtual Machine (KVM) e Oracle® VM VirtualBox. Hypervisors Tipo 2 também são denominados hospedados. Há muita controvérsia sobre se alguns hypervisors (como o KVM) deveriam ser classificados como Tipo 1 ou 2, ou se até mesmo sua categorização dessa forma é significativa devido à forma como funcionam; essa discussão está fora do escopo deste artigo.

A Figura 2 fornece uma breve descrição dos hypervisors que são atualmente suportados pelos hardwares e pelas soluções em nuvem IBM.

Figura 2. Hypervisors atualmente suportados em hardwares IBM
Hypervisors atualmente suportados em hardwares IBM

Dependendo da plataforma, as MVs possuem nomes diferentes. Uma máquina virtual em um ambiente AIX® é denominada partição lógica ou LPAR. Em sistemas baseados no x86, o termo utilizado é máquina virtual. Sistemas z/VM utilizam os dois termos: LPARs e MVs. LPARs no z/VM são chunks de recursos do hardware alocados de forma essencial em um computador System z® e cada LPAR pode suportar um sistema operacional independente, um dos quais pode ser o próprio z/VM. Portanto, o LPAR z/VM pode hospedar um guest z/VM, que, por sua vez, pode hospedar MVs diferentes. Um recurso de hardware em computadores System z cria e gerencia LPARs da mesma forma que o z/VM cria e gerencia MVs. Quando um S.O. guest Linux® estiver sendo executado no IBM z/VM, ele é conhecido como um guest zLinux ou uma MV zLinux.

A virtualização não é nova. A IBM desenvolveu a tecnologia pela primeira vez na década de 1960 para multiplexar seus computadores mainframe caros. Depois de muita pesquisa e a reimplementação dos sistemas operacionais CP-40/CMS e CP-67/CMD, a primeira máquina totalmente virtualizada, o IBM S/360-67, surgiu em 1967. Em 1972, máquinas virtuais haviam se tornado um recurso padrão de todos os mainframes S/370. O S/370 era executado no sistema operacional VM/370 da IBM, que era um programa de controle do sistema de compartilhamento que posteriormente foi desenvolvido no z/VM. Atualmente, a virtualização é difundida entre datacenters e ambientes em nuvem, e é uma das principais tecnologias que fazem com que a computação em nuvem funcione.

Dispositivos virtuais

Um dispositivo virtual ou aplicativo virtual representa uma MV pré-configurada ou uma coleção de MVs pré-configuradas e interdependentes, cada uma em um pacote configurável com um S.O. (sistema operacional) totalmente funcional, conhecido como S.O. guest, e um ou mais aplicativos. A Figura 3 mostra alguns exemplos.

Figura 3. Exemplos de dispositivos virtuais
Exemplos de dispositivos virtuais

Dispositivos virtuais são configurações portáveis e autocontidas de uma pilha de software. Eles também são denominados imagens virtuais e são geralmente desenvolvidos para hospedar um único aplicativo de negócios. O padrão do segmento de mercado para o formato dos dispositivos virtuais é o Open Virtualization Format (OVF), publicado pela Distributed Management Task Force (DMTF). Todas as empresas membro, como a IBM, VMware, Citrix, Microsoft e Oracle, oferecem suporte ao OVF em seus produtos.

O OVF descreve o software a ser implementado, denominado pacote do OVF, e o ambiente para o qual ele é executado (o ambiente do OVF). Um pacote de OVF compreende um diretório do OVF contendo diversos arquivos, incluindo um descritor de OVF, que é um arquivo XML com extensão .ovf que descreve o conteúdo do pacote de OVF. Os pacotes de OVF normalmente incluem discos virtuais e, opcionalmente, arquivos suplementares adicionais, como um arquivo de manifesto, ISO e de certificado.

Eles podem ser disponibilizados como um conjunto de arquivos ou compactados utilizando o formato TAR e distribuídos como um único arquivo com extensão .ova (para dispositivo ou aplicativo virtual aberto).

O ambiente de OVF é um documento XML que contém informações pertencentes à implementação do dispositivo virtual. Por exemplo, informações como nomes de host, endereços IP, configuração do nível do S.O., entre outras, podem ser todas incluídas como parte das informações do ambiente de OVF.

O descritor de OVF especifica as propriedades que precisam ser configuradas durante a implementação do dispositivo virtual.

O motivo pelo qual os dispositivos virtuais são importantes é que eles oferecem uma nova maneira de criar, distribuir e implementar o software. Ter uma camada abstrata acima do hypervisor e ser capaz de empacotar o software e distribuí-lo como uma unidade pré-configurada e "pronta para ser executada" fornece alguns benefícios importantes:

  • Uma redução no tempo de fornecimento e implementação de aplicativos, o que significa um aumento no tempo de maturação.
  • Uma melhoria na qualidade do distribuível final: um aplicativo totalmente configurado que não requer instalação e configuração e é, portanto, menos propenso a erro.
  • A capacidade de trocar dispositivos virtuais entre provedores em nuvem.
  • O OVF também possibilita que cargas de trabalho sejam transferidas a outros servidores físicos durante a manutenção ou falhas não planejadas do equipamento ou aplicativo.

Edições do hypervisor

Uma edição do hypervisor de um produto ou solução IBM é uma imagem virtual que contém um sistema operacional e componentes de middleware selecionados em torno de um determinado produto ou solução IBM. É basicamente um dispositivo virtual para um produto IBM específico pré-configurado para ser executado de forma ideal em um ambiente virtualizado. Edições do hypervisor de softwares IBM vêm em pacotes configuráveis como arquivos .ova e alguns são pré-carregados no hardware em nuvem da IBM, como o IBM Workload Deployer e o IBM PureSystems™. Há edições do hypervisor já disponíveis para produtos, como o IBM HTTP Server, IBM WebSphere® Application Server, IBM WebSphere MQ, IBM WebSphere Message Broker, IBM WebSphere Process Server, IBM WebSphere Portal, IBM WebSphere Business Monitor, IBM DB2® e IBM Lotus® Web Content Management.

Cargas de trabalho

O termo carga de trabalho é utilizado em duas formas sutilmente diferentes. Em geral, ele se refere ao processamento de demanda imposto em um recurso de computador em um determinado momento. No entanto, ele também significa a forma implementada de um aplicativo virtual (centrado em aplicativos), sistema virtual (centrado no middleware) ou dispositivo virtual (centrado na máquina). No contexto da nuvem, frases como "fornecendo uma carga de trabalho" ou "implementando uma carga de trabalho" se referem à ativação desse aplicativo virtualizado com todo o necessário para a sua execução, incluindo a MV, o S.O. e os arquivos suplementares. Ao imaginar a qualidade da manipulação de uma carga de trabalho por um servidor especificado, isso significa com qual qualidade ele pode manipular as demandas de recursos de cálculo, memória, disco e rede desse sistema, aplicativo ou dispositivo virtual implementado.

Nem todas as cargas de trabalho são iguais. Os recursos necessários para uma carga de trabalho de E/S intensiva, por exemplo, serão diferentes dos necessários para uma carga de trabalho de cálculo ou memória intensiva. Nem todas as cargas de trabalho requerem os mesmos níveis de Qualidade de Serviço (QoS). Descobrir quais cargas de trabalho serão mais bem executadas em ambientes diferentes pode ser uma forma bastante eficaz de reduzir custos. Conforme discutido posteriormente, nuvens híbridas podem ter um papel importante nessas situações.

Elasticidade

O planejamento da capacidade para determinadas cargas de trabalho pode ser desafiador. Conforme ilustra a Figura 4, os pontos problemáticos mais comuns: o não planejamento de capacidade suficiente para atender às demandas da carga de trabalho é imprudente e pode causar tempo de inatividade. De forma contrária, superestimar os requisitos da capacidade resultará em um ou mais servidores subutilizados ou inativos. Até mesmo a alocação correta da capacidade para picos de uso não é suficiente, pois as demandas da carga de trabalho flutuam e a capacidade será perdida se o sistema não estiver sendo executado no nível máximo. O final de um ciclo de teste, por exemplo, pode ser seguido por uma utilização significativamente menor do hardware. Mesmo com o melhor planejamento de capacidade, haverá casos em que a demanda da carga de trabalho é simplesmente imprevisível. A situação ideal é alocar somente a capacidade necessária em um determinado momento. Isso é denominado elasticidade e é uma característica importante de um ambiente em nuvem.

Figura 4. Elasticidade
Elasticidade

Agrupamento de recursos

A maximização do uso de recursos de hardware também é particularmente importante quando diversas MVs os compartilham. O agrupamento de recursos trata a coleção de recursos de hardware - largura de banda de cálculo, memória, armazenamento e rede - como um único "conjunto" de recursos disponível sob demanda. Isso possibilita que os hypervisors e programas de nível mais alto designem e reatribuam recursos de forma dinâmica, sob demanda e com base nos níveis de prioridade. O agrupamento de recursos é o que possibilita que diversas organizações ou proprietários compartilhem recursos de forma eficaz em um ambiente em nuvem.

Movendo MVs e cargas de trabalho

Tanto por meio de um recurso integrado quanto com um software adicional, muitos S.O. e hypervisors atualmente podem mover MVs ou cargas de trabalho de forma dinâmica para diferentes servidores físicos. O AIX 6.1, por exemplo, possui o recurso Live Partition Mobility para a movimentação de LPARs e o recurso Live Application Mobility para a movimentação de cargas de trabalho. O VMware utiliza o VMotion para mover MVs de um servidor físico para outro e o Live Guest Relocation (LGR) do z/VM permite a movimentação de uma máquina virtual para outra LPAR sem interrupções. O z/VM também possibilita que o sistema movimente cargas de trabalho para recursos disponíveis do sistema sem interrupção. Essa capacidade de movimentar uma MV ou carga de trabalho "durante a execução" pode aumentar a robustez contra falhas do componente ou suportar mudanças na demanda da carga de trabalho de forma dinâmica.

Entrando na nuvem

Sem dúvida nenhuma, essas tecnologias diferentes aproximaram os datacenters a um modelo de serviços em nuvem. À medida que continuam se desenvolvendo, elas irão aprimorar ainda mais a flexibilidade da infraestrutura dos datacenters, bem como simplificar a experiência de TI do usuário. Elas também permitirão possibilidades mais avançadas em nuvem, tanto para os clientes quanto para os fornecedores. Sozinhas, elas não compreendem a computação em nuvem; mas juntas, estabeleceram parte do trabalho de fundação que ativa a nuvem.


Utilizando a computação em nuvem

A computação em nuvem trata da entrega de um conjunto de recursos de TI e funções de negócios, como serviços sob demanda pela internet ou uma rede privada. É uma forma totalmente nova de criar, entregar e consumir serviços de TI. A "nuvem", nesse caso, é a infraestrutura na qual os serviços são executados - geralmente compostos de hypervisors, dispositivos de armazenamento e de rede - bem como a MV e as tecnologias de gerenciamento de carga de trabalho que possibilitam a entrega eficaz desses serviços.

O National Institute of Standards and Technology (NIST) identifica cinco características essenciais a qualquer ambiente em nuvem:

  • Autoatendimento sob demanda

    O ambiente deve suportar um modelo "faça você mesmo", no qual os clientes podem fornecer recursos de forma automatizada por meio de um navegador da web ou de uma interface de programação de aplicativos (API), sem a necessidade de interação humana com o fornecedor do serviço.

  • Amplo acesso à rede

    Os recursos devem estar disponíveis por meio de uma ampla rede e acessíveis por dispositivos padrão, como estações de trabalho, laptops, tablets e telefones celulares.

  • Agrupamento de recursos

    O sistema deve agrupar os recursos para que possam ser facilmente compartilhados entre diversos clientes. Agrupamentos de recursos compartilhados permitem que o sistema designe ou reatribua recursos conforme necessário com base na demanda. Isso é especialmente útil para suportar modelos multitenancy, nos quais diversas organizações ou proprietários compartilham os mesmos recursos em um ambiente em nuvem.

  • Rápida elasticidade

    (Também conhecida como rápida escalabilidade) O ambiente deve ser capaz de incluir ou remover recursos de cálculo de forma automática (ou pelo menos rápida) com base na demanda da carga de trabalho, sem interromper a execução do sistema.

  • Serviço medido

    Um ambiente em nuvem deve ser capaz de medir e classificar os recursos que estão sendo utilizados e com os quais as cargas de trabalho são mais bem gerenciadas e sua execução é otimizada, além de fornecer uma visão transparente da utilização do recurso ao consumidor.

Modelos de entrega em nuvem

A nuvem oferece três modelos de entrega: Infraestrutura como Serviço (IaaS), Plataforma como Serviço (PaaS) e Software como Serviço (SaaS). Esses modelos determinam os níveis de compartilhamento ou multitenancy para os consumidores. A Figura 5 ilustra isso. Em cada nível na pilha, os blocos destacados em amarelo são os componentes que os proprietários compartilham como parte desse modelo de entrega.

Figura 5. Modelos de entrega em nuvem
Modelos de entrega em nuvem
  • Infraestrutura como Serviço

    Na camada mais inferior está a Infraestrutura como Serviço (IaaS), na qual os proprietários compartilham recursos de infraestrutura, como processadores, rede e armazenamento, assim como o sistema operacional. Os proprietários ainda precisam instalar seus próprios componentes e aplicativos de middleware. Isso proporciona a eles ainda mais flexibilidade com relação ao que pode ser instalado, mas também dificulta mais a configuração e manutenção. Em outras palavras, a IaaS fornece aos usuários capacidade de computação compartilhada, armazenamento acessível à rede e um S.O. Todo o resto é instalado, mas não compartilhado. Como será explicado em artigos subsequentes, o IBM PureFlex™ Systems é a principal solução nessa área. O PureFlex é um ambiente de arquitetura convergente que vem pré-configurado com sistemas de servidor, rede, armazenamento e software para IaaS. O IBM Workload Deployer, um dispositivo de hardware baseado na tecnologia IBM DataPower, também desempenha um papel importante aqui para nuvens privadas.

  • Plataforma como Serviço

    A Plataforma como Serviço (PaaS) é uma camada acima da IaaS e fornece componentes de middleware, bancos de dados, armazenamento, conectividade, confiabilidade, armazenamento em cache, monitoramento e roteamento. A PaaS é desenvolvida sobre a IaaS para fornecer cada vez mais valor de negócios. Os proprietários continuam utilizando seus aplicativos individuais, mas usam serviços de middleware compartilhados, como monitoramento, segurança, banco de dados e portal. Uma peça importante aqui é o IBM PureApplication™, que é uma plataforma pré-configurada para soluções PaaS. Além disso, o PureApplication é desenvolvido sobre a IaaS para fornecer aplicativos virtuais otimizados para aplicativos da web e de banco de dados orientados a transação. Outra peça importante aqui é o IBM Workload Deployer, que oferece IaaS e PaaS para uma nuvem privada. O PureApplication é uma arquitetura convergente, enquanto que o IBM Workload Deployer é um dispositivo externo à sua infraestrutura virtualizada existente. O modelo para o primeiro é uma "nuvem em uma caixa", enquanto que o modelo para o IBM Workload Deployer é "traga sua própria infraestrutura em nuvem". Artigos subsequentes abordarão isso em mais detalhes.

  • Software como Serviço

    Com o Software como Serviço (SaaS), os proprietários compartilham tudo que seria compartilhado em uma solução IaaS e PaaS, além de uma única versão de um aplicativo. Nesse caso, todos os proprietários compartilham o mesmo aplicativo, mas mantêm seus dados isolados. O provedor em nuvem pode instalar o aplicativo em diversas máquinas para suportar a escalabilidade horizontal. Com o SaaS, é mais fácil incluir novos proprietários, pois o cliente está simplesmente selecionando e customizando um aplicativo em nuvem e não precisa se preocupar com o desenvolvimento do middleware ou com a instalação do aplicativo. Restou muito pouco que pode ser feito pelo cliente. O IBM SmartCloud Solutions, discutido posteriormente, é um ótimo exemplo de SaaS na prática.

Modelos de implementação em nuvem

O modelo de serviços em nuvem é composto por quatro modelos de implementação, listados abaixo e exibidos na Figura 6.

Figura 6. Modelos de implementação em nuvem
Modelos de implementação em nuvem
  • Nuvem pública

    Uma nuvem pública é aberta ao público em geral. A infraestrutura em nuvem existe nas instalações do fornecedor da nuvem e pode ser possuída, gerenciada e operada por uma ou mais entidades. Um dos principais motivos pelos quais as empresas se mudam para a nuvem pública é para substituir suas despesas de capital (CAPEX) pelas despesas operacionais (OPEX). Uma nuvem pública possui um modelo de precificação de pagamento por uso. O consumidor não precisa comprar antecipadamente o hardware necessário para cobrir o pico de uso e não precisa se preocupar com a "previsão" correta dos requisitos de capacidade. Esse modelo de precificação de pagamento por uso, geralmente denominado computação utilitária, possibilita que os consumidores utilizem recursos de cálculo, como fariam com um utilitário. Eles pagam somente pelo que usam e têm a impressão de capacidade ilimitada, disponível sob demanda. Os consumidores normalmente não precisam se preocupar com onde ou em que hardware o processamento é feito. Eles confiam que o fornecedor em nuvem manterá a infraestrutura necessária para executar seus aplicativos e fornecer o serviço requisitado em seu Acordo de Nível de Serviço (SLA). O IBM SmartCloud Enterprise e o IBM SmartCloud Enterprise Plus oferecem suporte inigualável nessa área.

  • Nuvem privada

    Uma nuvem privada é implementada para uso exclusivo de uma organização. A organização ou um terceiro pode possuir, gerenciar e hospedá-la, e sua infraestrutura pode existir nas instalações ou fora dela. Quando um terceiro gerencia a nuvem, ela é denominada nuvem privada gerenciada. Quando a nuvem privada é hospedada e operada fora das instalações, é denominada nuvem privada hospedada. Há diversos motivos pelos quais as empresas adotam uma solução de nuvem privada. Seguem alguns:

    • Aproveitar e otimizar investimentos de hardware existentes. Recursos de TI consolidados, automação, autoatendimento e ferramentas de gerenciamento mais bem integradas também reduzem os custos totais e as despesas operacionais.
    • Preocupação com a segurança dos dados e com problemas de confiança com diversas organizações do cliente que compartilham os mesmos recursos. Os clientes geralmente iniciam seu empreendimento em nuvem atrás de um firewall corporativo.
    • Contenção de recursos. Como uma nuvem pública possui diferentes organizações com aplicativos competindo por recursos compartilhados, uma empresa pode preferir o uso exclusivo de hardwares, como servidores e balanceadores de carga, para manipular cargas de trabalho específicas ou obter maior disponibilidade de sistemas e aplicativos em momentos específicos.

    Às vezes, as pessoas têm dificuldade em distinguir entre uma nuvem privada local e um ambiente virtualizado local. Uma pergunta adequada a ser feita é "o que uma nuvem privada local tem a oferecer a uma organização que já possui um ambiente altamente virtualizado com scripts já gravados para fornecer novos aplicativos?". A resposta é "muito mais". Uma nuvem privada não só facilita o fornecimento; ela proporciona uma maneira de oferecer serviços baseados na nuvem à sua organização interna.

    Com as tecnologias IBM para nuvens privadas, obtém-se escalabilidade dinâmica de recursos, autoatendimento, uma infraestrutura altamente padronizada, um catálogo com cargas de trabalho prontas para executar, aprovações, medição e gerenciamento integrado por meio de um único console. Uma nuvem privada IBM também proporciona a capacidade de aproveitar uma biblioteca padrão de máquinas ou aplicativos virtuais que podem ser fornecidos a qualquer momento e expandidos sob demanda para responder de forma mais rápida às necessidades de negócios em mudança e melhorar a utilização geral do hardware. A virtualização, por si só, não oferece essas coisas. O IBM Workload Deployer, mencionado anteriormente, é um dos principais produtos da estratégia da nuvem privada IBM.

  • Nuvem comunitária

    Uma nuvem comunitária é para uso exclusivo de uma comunidade, que é um grupo de pessoas de diferentes organizações que compartilham um interesse ou uma missão comum. Esse tipo de nuvem pode ser possuído, gerenciado e hospedado por um ou mais membros da comunidade, um terceiro ou uma combinação dos dois e pode existir nas instalações de uma das partes envolvidas ou fora dela para todos. Mercados verticais e instituições acadêmicas em particular podem se beneficiar de nuvens comunitárias para abordar preocupações comuns. Por exemplo, empresas de tecnologia que trabalham juntas em uma nova especificação podem utilizar uma nuvem comunitária para compartilhar recursos e provas de conceito.

  • Nuvem híbrida

    Uma nuvem híbrida consiste em duas ou três infraestruturas em nuvem diferentes que permanecem distintas, mas compartilham tecnologias que possibilitam a portabilidade de dados e aplicativos de uma para outra. Soluções de nuvem híbrida fornecem interoperabilidade de cargas de trabalho que podem ser gerenciadas entre diversos ambientes em nuvem. Isso inclui acesso a recursos de terceiros e a uma rede do parceiro cliente. A ideia é vincular aplicativos locais de forma contínua - tanto domésticos, empacotados ou em execução em uma nuvem privada - a nuvens fora das instalações.

    Seguem alguns exemplos de onde a nuvem híbrida pode ser utilizada:

    • Uma organização pode utilizar uma nuvem pública para hospedar um aplicativo e colocar o banco de dados subjacente em uma nuvem privada.
    • Uma empresa pode utilizar uma nuvem privada para hospedar parte de seu trabalho e uma nuvem pública para usos específicos (por exemplo, backup e arquivamento).
    • Uma organização pode hospedar sua carga de trabalho normal em uma nuvem privada e utilizar uma nuvem pública para manipular seu tráfego mais pesado. Há toda uma ciência em saber quando e o que descarregar em uma nuvem pública. Por exemplo, se duas cargas de trabalho diferentes possuem os mesmos requisitos computacionais, a que tiver o menor custo de migração é a melhor candidata a ser movida. Algumas pessoas formulam modelos de Markov Decision Process (MDP) e algoritmos complexos sobre esse problema.
    • Uma equipe pode decidir dividir a localização de um aplicativo com base no estágio do seu ciclo de vida. Por exemplo, ela pode realizar o desenvolvimento no local e, em seguida, go-live em um ambiente em nuvem.

    As tecnologias IBM WebSphere Cast Iron® são excelência no gerenciamento de nuvens híbridas e em soluções de integração. Com uma ferramenta denominada WebSphere Cast Iron Studio, usuários sem conhecimento de programação podem criar graficamente orquestrações que integram nuvens públicas e privadas, e aplicativos locais utilizando conectores integrados para diferentes tipos de terminais, incluindo serviços da web, bancos de dados, arquivos de texto e SAP.

    O WebSphere Cast Iron vem empacotado de três maneiras diferentes:

    • Como um dispositivo físico autocontido, como o WebSphere DataPower® Cast Iron Appliance (XH40).
    • Como uma edição do hypervisor ou dispositivo virtual que oferece a mesma funcionalidade que o aplicativo físico.
    • Como um próprio serviço de nuvem que fornece API da web e serviços de integração da nuvem para uso e aprimoramento dos demais.
    Artigos subsequentes abordarão esse assunto em mais detalhes.

IBM SmartCloud

Por ter uma ampla variedade de produtos e serviços para diferentes domínios e em todos os modelos de fornecimento e implementação em nuvem, a IBM tem muito a oferecer tanto a clientes quanto a fornecedores da nuvem. A família de ofertas IBM SmartCloud é atualmente o mais amplo portfólio do segmento de mercado de serviços em nuvem. Como mostra a Figura 7, o SmartCloud consiste em três famílias de ofertas: IBM SmartCloud Foundation, IBM SmartCloud Services e IBM SmartCloud Solutions.

Figura 7. IBM SmartCloud
IBM SmartCloud
  • IBM SmartCloud Foundation

    O IBM SmartCloud Foundation inclui produtos de hardware e software IBM que possibilitam que as empresas criem e configurem nuvens privadas ou híbridas. Os produtos de infraestrutura em nuvem incluem componentes de servidores, armazenamento e virtualização.

  • IBM SmartCloud Services

    O IBM SmartCloud Services inclui serviços em nuvem gerenciada para IaaS e PaaS. Esses serviços incluem backups gerenciados do IBM SmartCloud Enterprise, IBM SmartCloud Enterprise Plus, IBM SmartCloud Application Services e IBM SmartCloud.

    • O SmartCloud Enterprise é uma oferta de nuvem pública para IaaS e é atualmente hospedado por seis centros da nuvem IBM em todo o mundo. Com o SmartCloud Enterprise, um negócio pode comercializar um aplicativo rapidamente, sem ter que investir em infraestrutura. As assinaturas do SmartCloud Enterprise incluem opções flexíveis de preço, como "pagamento por uso", "traga sua própria licença" e "somente para uso de desenvolvedores".
    • O SmartCloud Enterprise Plus é um serviço de nuvem privada hospedado e gerenciado pela IBM. Ele oferece recursos compartilhados e dedicados, e uma variedade mais ampla de opções para hypervisors e a plataforma subjacente de hardware.
    • O SmartCloud Application Services inclui funcionalidade integrada de plataforma (PaaS) à oferta de IaaS. Essa funcionalidade inclui as ferramentas para o desenvolvimento, implementação, integração e gerenciamento de aplicativos na nuvem, bem como suporte especial para determinados aplicativos comerciais de negócios, como o SAP.
    • O SmartCloud Managed Backup Services inclui os recursos para backup e proteção de dados fundamentais, tanto dentro quanto fora das instalações. Esses serviços possibilitam que as empresas diminuam seu risco de perda de dados e melhorem a disponibilidade em casos de indisponibilidades ou desastre, além de gerenciarem melhor seus requisitos de conformidade regulamentar.
  • IBM SmartCloud Solutions

    O IBM SmartCloud Solutions combina SaaS com qualificações profundas do processo e do segmento de mercado da IBM para criar aplicativos baseados na nuvem que os negócios podem começar a utilizar imediatamente como serviços para atender às necessidades específicas. A Figura 7 mostra as diferentes categorias de aplicativos SaaS disponíveis atualmente. É possível ler mais sobre elas aqui.


Conclusão

Isso conclui a primeira parte desta série, oferecendo uma visão geral fundamental do que significa computação em nuvem e as tecnologias que fazem com que ela funcione. Partes subsequentes do artigo aprofundarão ainda mais nos produtos e ofertas da nuvem IBM, e fornecerão exemplos práticos com produtos como o IBM Workload Deployer e IBM PureApplication. Essas discussões mostrarão como as tecnologias por trás dessas soluções IBM realmente mudam o jogo da nuvem.

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