A Parte 1 desta série de artigos explicou quantas organizações do mundo hoje, grandes e pequenas, privadas e públicas, estão tentando entender seu impacto ambiental. Ao fazer isso, muitas solicitaram conhecimento e aconselhamento de empresas que foram pioneiras nessa área -- como a IBM -- à medida que analisam todos os aspectos de suas operações, incluindo, mas não se limitando a, gerenciamento da cadeia de suprimentos, fabricação, logística, gerenciamento de energia e gerenciamento de desperdício. Cada área possui um conjunto de emissões de gases de efeito estufa (GHG) definido e mensurável, no qual a maioria dessas organizações tendem a focar seus recursos e energia.
No primeiro artigo, usamos nossos produtos de base SOA para criar uma solução para controlar as emissões de carbono de funcionários de uma organização e comparamos os dados a outros indicadores chave de desempenho, como objetivos e métricas financeiros. Todos os dados coletados foram enviados a um painel com a intenção de fornecer aos responsáveis por tomarem decisões uma visão geral de como a organização está se saindo com relação o objetivos ecológicos e financeiros, assim como uma visão do impacto geral da mão-de-obra da empresa no ambiente.
Está bem claro que no exercício de suas funções, funcionários têm um impacto significativo nas emissões de CO2. Se se deslocam para o trabalho, trabalham em um escritório tradicional ou viajam para encontrar clientes, os funcionários têm emissões diretas e indiretas associadas às suas atividades. Este artigo articula quais são essas emissões e sugere como é possível medir, controlar e gerenciar as mesmas. Nossa solução é baseada em uma arquitetura SOA aberta que permite não apenas medir as emissões de carbono, mas também controlar outros indicadores chave de desempenho que são vitais para o gerenciamento de qualquer empresa bem-sucedida.
Para testar nossa solução, decidimos executar um projeto de pequena escala com voluntários de duas organizações separadas, uma nos EUA e a outra na Europa. A população de amostra chegou a aproximadamente 100 funcionários, divididos igualmente entre as duas localidades geográficas. Foi solicitado que os voluntários registrassem em log seus dados de viagens, de deslocamento para o trabalho e de trabalho em casa uma vez por semana por um período de 5 semanas, durante o qual também controlamos como a organização estava se saindo com relação a um de seus indicadores chave de desempenho (especificamente, o uso de consultoria). Além disso, dados para o uso da infraestrutura de TI de cada projeto de consultoria também foram carregados no aplicativo.
A Figura 1 ilustra a arquitetura funcional que foi implementada para esse projeto de pequena escala.
Figura 1. Arquitetura Funcional
Durante as quatro primeiras semanas do projeto, foi solicitado que os voluntários registrassem em log seus dados no estado em que se encontravam, sem qualquer tentativa de influenciar seu comportamento. Isso foi realizado para criar conscientização e fazer com que a população participante tornasse a tarefa de relatório parte de sua rotina semanal. Assim que se acostumarem com o conceito e a ferramenta, começamos a incentivá-los a observar algumas medidas de conservação. Também asseguramos que a produtividade e eficácia de cada indivíduo não fosse afetada. Seguem algumas medidas e conservação que foram promovidas:
- Trabalhar em casa, se for viável e fizer sentido para sua situação pessoal.
- Considerar o uso de transporte público, se for seguro e conveniente.
- Dividir carona com colegas para ir ao trabalho, se possível.
- Usar somente o equipamento necessário, com relação a laptops, servidores, etc.
A Figura 1 mostra que a medida da pegada de carbono por pessoa diminuiu em 50% da semana 1 até a semana 5 para a parte dos EUA do projeto. Isso é explicado por algumas tendências claras e mensuráveis que são melhor ilustradas na Figura 3.
Figura 2. Pegada de Carbono por Pessoa; Comparação Semana a Semana
A Figura 3 mostra as tendências observadas nos padrões de deslocamento para o trabalho que levaram a essa redução significativa. Conforme evidenciado pelos dados mostrados na figura, o estímulo de usar meios de transporte menos pesados com relação ao carbono podem ter o efeito geral de reduzir uma pegada geral da população de amostra. Os dados mostram que para as quatro primeiras semanas, menos pessoas trabalharam em casa e mais pessoas trabalharam diretamente de um escritório. Mas o aumento no uso de transporte público e a eliminação de viagens compensaram mais que o aumento supramencionado. Quando medidas de conservação foram passadas na semana 5, a população participante superou o desafio e reduziu de forma significativa suas emissões de carbono, levando a sério as recomendações feitas.
Figura 3. Análise de Tipo de Deslocamento para o Trabalho
Um dos principais objetivos que havíamos determinado alcançar era executar o projeto sem afetar os objetivos de produtividade ou de negócios. Isso foi definitivamente alcançado, conforme evidencia a Figura 4 abaixo para a parte dos EUA do projeto.
Figura 4. Utilização de Consultoria
Na Europa, reduções semelhantes de emissões de carbono também foram constatadas. A Figura 5 mostra que as emissões de carbono por pessoa reduziram em 40% ao longo de um período de três semanas de coleta de dados na Europa. Para alguns, isso foi bem surpreendente, argumentando que a população de amostra da Europa estava predisposta a ter uma área de cobertura de emissões menor em virtude do alto uso geral dos excelentes sistemas de transporte público aos quais ela tem acesso.
Figura 5. Pegada de Carbono por Pessoa; Comparação Semana a Semana
Apesar de os padrões de deslocamento para o trabalho dos europeus serem diferentes do que nos EUA, ainda há uma combinação viável que pode ajudar a reduzir de forma significativa as emissões de carbono de uma organização, conforme mostrado na Figura 6.
Nesse caso, a organização é mais tradicional no sentido que requer uma presença mais alta no escritório. Mas os dados mostram que, à medida que as semanas se passaram, cada vez mais pessoas se deslocavam usando métodos com a menor área de cobertura de emissões possível.
Figura 6. Comparação do Tipo de Deslocamento para o Trabalho Semana a Semana
A implementação limitada de nossa solução mostrou que é possível gerenciar e controlar minuciosamente e, até mesmo, reduzir de forma significativa as emissões de carbono de uma organização enquanto ainda se mantém um alto nível de produtividade e se cumpre objetivos de negócios anteriormente determinados. Pode-se argumentar que o período de implementação foi muito curto e que a população de amostra foi muito pequena para deduzir conclusivamente que é possível reduzir a emissão e ainda atingir objetivos financeiros agressivos. Esses seriam pontos válidos a serem discutidos.
Mas uma coisa que é inegável nesta experiência é que quando são apresentados às pessoas os dados que representam cientificamente o impacto que seu comportamento tem em seu entorno imediato, isso ativa uma disposição para aprimorar os pontos positivos e reduzir os negativos que possam existir. Ao criar um painel de emissões interativo, todos podem ver claramente como podem melhorar seu comportamento ambiental. Esse tipo de abordagem pode ajudar qualquer organização a entender o impacto de sua mão-de-obra no ambiente como está hoje e como pode agir para ajudar a reduzir esse impacto.
Por fim, essa solução foi baseada em produtos de base IBM WebSphere SOA padrão, especificamente WebSphere Modeler, WebSphere Process Server e WebSphere Business Monitor. As qualificações de nossos consultores nesses produtos e nessa área podem ajudar sua organização a usar essa solução e expandi-la para criar algo que se ajuste a seus requisitos específicos.
A próxima parte desta série discutirá como pegar o que foi feito aqui e criar uma arquitetura da próxima versão que seja:
- Visual e intuitiva em seus relatórios.
- Modular, extensível e inteligente!
- Mais precisa em seus cálculos de emissão.
- Dinâmico e ciente do local, sem a necessidade de UI e entrada de dados.
Fique ligado!
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Mais sobre esta série:
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Relatório para o Congresso sobre a Lei Pública de Eficiência de Energia de Servidores e Datacenters 109-431 (arquivo PDF, 2,5 MB)
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Hicham Badawi é um Arquiteto de TI e Gerente de Prática/Desenvolvimento no IBM Software Services for Websphere Organization (ISSW). Hicham liderou muitos projetos corporativos de desenvolvimento e implementação de software. Hicham é também um dos líderes inovadores e conscientes no espaço "Ecológico" do Grupo de Software IBM.