Administradores de Sistemas do Linux para Windows: Administre o Linux com as Ferramentas de Desktop GNOME

É possível apontar e clicar no Linux? Com certeza!

Ao utilizar o Linux® , o seu trabalho não fica necessariamente restrito a ferramentas de linha de comandos. É verdade que a maioria dos administradores Linux experientes usa ferramentas de linha de comando para obter uma administração mais eficiente e conveniência. Entretanto, o projeto GNOME oferece algumas ferramentas excelentes para gerenciar um servidor Linux usando uma interface gráfica com o usuário (GUI). Com base em sua experiência com o Microsoft® Windows® , é possível que essas ferramentas deixem a transição menos complicada.

Tracy Bost, Consultant and Trainer, Freelance

Author photo - Tracy BostTracy Bost é desenvolvedor de software e engenheiro de sistemas experiente. Ele também é palestrante e instrutor do sistema operacional Linux. Tracy é certificado como Red Hat Certified Engineer (RHCE) e Microsoft Certified Systems Engineer (MCSE), além de ser membro ativo da Linux Foundation. Ele trabalhou em vários segmentos de mercado, incluindo hipotecas, imóveis e o setor sem fins lucrativos.



16/Jul/2012

Visão geral

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Veja mais artigos na série Linux para Administradores de Sistemas Window .

Neste artigo, saiba mais sobre esses conceitos do Linux no desktop:

  • Trabalhar com contas de usuários e grupos
  • Gerenciar arquivos e pastas
  • Trabalhar com serviços
  • Monitorar o sistema
  • Revisar os arquivos de log

Pré-requisitos

Para aproveitar ao máximo os artigos desta série, é necessário saber gerenciar contas de usuários e grupos, arquivos e pastas e saber revisar arquivos de log em um ambiente do servidor Windows. Espera-se um entendimento básico sobre como efetuar login e navegar em um ambiente de desktop do Linux, como LXDE, GNOME ou KDE. Além disso, ter um computador funcional com Linux ajuda a explorar os conceitos e exemplos nesse artigo.


Trabalhar com contas de usuários e grupos

Quando se trata do gerenciamento do servidor a partir de um ambiente de desktop, é absolutamente necessário contar com uma ferramenta de gerenciamento de usuários e grupos. No release mais recente do GNOME 3.2, essa ferramenta está localizada no GNOME Control Center. O GNOME Control Center é um local central para gerenciar diversos aspectos do seu computador Linux — semelhante ao Painel de Controle do Windows. Ainda hoje, o GNOME System Tools (GST) é amplamente utilizado. O GST fornece ferramentas úteis para administradores Linux. Entre elas, uma ferramenta para gerenciar contas de usuários e grupos. Algumas distribuições do Linux bastante difundidas estabelecem a ferramenta system-users-config como o gerenciador de usuários padrão. Portanto, seja qual for a sua distribuição do Linux, é necessário ter acesso para gerenciar contas de usuário local de fábrica, geralmente sob o rótulo de usuários e grupos.

A distribuição do Linux neste artigo

A distribuição usada neste artigo é Ubuntu 10.0.4, com o desktop e tema padrão do GNOME. Dependendo da sua distribuição de Linux, as telas e locais padrão das diversas ferramentas descritas neste artigo podem variar ligeiramente. Verifique a documentação da sua distribuição para obter mais informações específicas.

O Linux não tem registro. Portanto, as ferramentas GUI usadas são apenas ferramentas de frontend para gravar dados em um arquivo do sistema de arquivos. Para a tarefa de gerenciamento de usuários e grupos, os arquivos subjacentes /etc/passwd e /etc/group são gerenciados com essas ferramentas. O arquivo /etc/passwd mantém informações de contas dos usuários, e o /etc/group armazena as informações de contas de grupo. As senhas de usuário são criptografadas no arquivo /etc/shadow, e as senhas de grupo são armazenadas no arquivo /etc/gshadow.

A ferramenta de gerenciamento de usuários e grupos do GNOME fornece uma interface objetiva para o gerenciamento de contas, como mostra a Figura 1.

Figura 1. Criando de usuário
Criando de usuário

Se você tiver os privilégios, será possível criar e editar contas de usuário e grupo. Além disso, é possível gerenciar configurações detalhadas de conta, como o local do diretório inicial, ID do usuário, shell de login padrão, reconfigurações de senha e designação da reconfiguração de senha. Os usuários padrão normalmente têm acesso à ferramenta para gerenciamento de senha.

Para criar um novo grupo, clique na guia Groups e insira o nome do grupo. Como mostra a Figura 2, depois de criar um grupo, é possível gerenciar a associação simplesmente selecionando ou limpando as caixas de seleção ao lado dos nomes dos usuários.

Figura 2. Criando um grupo
Criando um grupo

Gerenciar arquivos e pastas

No Windows, o Windows Explorer é a ferramenta preferencial de muitas pessoas para navegar no sistema de arquivos. No projeto GNOME, essa ferramenta é o Nautilus. O Nautilus é um gerenciador de arquivos que possui uma equipe de desenvolvimento forte e uma base de usuários ampla. Ele é desenvolvido desde 2001.

Se você usa o desktop GNOME, provavelmente o Nautilus já esteja instalado. Mesmo se não estiver usando o GNOME, é possível fazer o download do Nautilus e instalá-lo. Verifique a documentação da sua distribuição.

Uma das principais tarefas realizadas com o gerenciador de arquivos é navegar no sistema de arquivos. Com o Nautilus, é possível alternar para o modo navegador. Nesse modo, você obtém uma experiência parecida com a do Windows Explorer. Lembre-se: no Linux, todas as pastas são montadas como subpastas do diretório raiz principal (/). Portanto, se existem unidades remotas montadas no seu servidor Linux como, por exemplo, de um computador Windows ou outro computador Linux, é possível navegar no sistema de arquivos a partir do diretório raiz (/), como em um diretório localizado no sistema de arquivos local, como mostra a Figura 3.

Figura 3. Navegando no sistema de arquivos
Navegando no sistema de arquivos

Navegar no Nautilus é semelhante a navegar no Windows Explorer. Clique em uma pasta para realizar drill down nas subpastas. Clique com o botão direito em qualquer pasta ou arquivo para realizar todas as tarefas comuns de um gerenciador de arquivos, como copiar, renomear, excluir, abrir, comprimir e gerenciar as permissões.

Para visualizar as preferências, é possível configurar opções como visualização detalhada, visualização de lista, por nome, etc., como mostra a Figura 4.

Figura 4. Gerenciando preferências de arquivo
Gerenciando preferências de arquivo

Ler, gravar e executar

Ao clicar com o botão direito para gerenciar as permissões de uma pasta ou arquivo, é possível visualizá-las ou alterá-las (se a sua conta permitir). No Nautilus, se um arquivo ou pasta não está incluído nas permissões de segurança da sua conta de usuário, um ícone de cadeado é exibido ao lado. No Linux, cada pasta tem três conjuntos de permissões: usuário proprietário (u), proprietário do grupo (g) e outros (o). Dentro de cada conjunto, é possível designar as permissões básicas de leitura, gravação ou execução.

Lembre-se de designar a permissão de execução para os shell scripts ou quaisquer outros arquivos que os usuários precisem executar. Diferentemente do Windows, no Linux, é necessário conceder explicitamente a permissão de execução do arquivo para o conjunto de usuários que precisam executar a ação. Consulte Figura 5 como exemplo.

Figura 5. Definindo as permissões em um arquivo
Definindo as permissões em um arquivo

Tablela 1 resume as opções básicas de permissão para um arquivo Linux típico. Eu incluo a representação octal porque muitos documentos de instalação e software fazem referência às permissões em notação octal.

Tablela 1. Permissões do Linux
PermissãoRepresentação octal
Somente leitura4
Write only2
Execute only1
Read and write6
Read and execute5
Full permission (read, write, and execute)7

Quando um novo arquivo é criado usando o Nautilus, ele usa a configuração subjacente do Linux para umask, da mesma forma que acontece quando um arquivo é criado a partir linha de comandos. O umask determina as permissões padrão. A maioria das distribuições de Linux adota como padrão umask022. Os arquivos funcionam a partir do octal 666. Basta subtrair para entender como o umask funciona. Se um novo arquivo é criado e o umask é 022, as permissões padrão dos arquivos são 666 - 022 ou 644. Isso significa que o proprietário do usuário tem permissão de leitura e gravação, ao passo que o proprietário do grupo e outros têm permissão somente leitura.

O mesmo conceito se aplica à criação de pastas com o Nautilus. As pastas funcionam a partir do octal 777. Com o mesmo umask de 022, se uma nova pasta é criada, suas permissões padrão são 777-022 ou 755. Isso significa que o proprietário do usuário tem permissão total, ao passo que o proprietário do grupo e os outros têm permissão de leitura e execução.

Compartilhamento

Como no Windows Explorer, é possível compartilhar uma pasta facilmente usando o Nautilus. Para isso, clique com o botão direito na pasta que deseja compartilhar e selecione o item de menu Sharing Options . Em seguida, selecione Share this folder como mostra a Figura 6.

Figura 6. Compartilhando uma pasta
Compartilhando uma pasta

Também é possível marcar a caixa de seleção Allow others to create and delete files in this folder se você quiser que outras pessoas possam salvar documentos na pasta. Se fizer isso, o Nautilus solicitará uma confirmação para alterar as permissões da pasta.

Se os usuários forem de um ambiente misto, é possível marcar a caixa de seleção Guest access para permitir que esses usuários acessem a pasta sem ter uma conta local do Samba para autenticação. Use essa opção com cuidado, pois ela pode apresentar vulnerabilidades de segurança desnecessárias para o seu servidor Linux.

Se quiser compartilhar as pastas com usuários do Windows e autenticá-los, primeiro será necessário configurar o Samba no seu servidor Linux.


Trabalhar com serviços

Com o GST instalado, é possível gerenciar seus serviços de servidor e vários outros daemons (termo do Linux que designa serviços) dentro do ambiente de desktop, semelhante ao uso dos serviços do Windows. Essa ferramenta geralmente é chamada de Startup Preferences, e é possível ativá-la a partir do menu System ao clicar em Preferences.

Até o momento, o GST não gerencia completamente os serviços como login, recarregar, reiniciar, etc. Ele oferece uma visão geral para entender quais serviços estão instalados no seu computador Linux e se você deseja ou não executar serviços específicos ao inicializar o sistema.

Os ícones verdes e vermelhos mostrados para os serviços na Figura 7 indicam se os serviços estão habilitados ou desabilitados para executar na inicialização do sistema. Eles são semelhantes às opções automáticas e manuais dos serviços do Windows. Um ícone separado mostra se os serviços estão executando.

Figura 7. Visualizando um serviço sendmail em execução no GST
Visualizando um serviço sendmail em execução no GST

Monitorar o sistema

Apesar de não ser idêntico ao gerenciador de tarefas do Windows, o GNOME System Monitor oferece uma funcionalidade semelhante. Se quiser ter uma visualização geral do uso de recursos do seu computador Linux, o GNOME System Monitor pode fornecer uma captura instantânea do sistema. As quatro principais guias de monitoramento são:

  • System
  • Processes
  • Resources
  • File Systems

A guia System fornece informações gerais sobre o sistema operacional e o hardware (memória e processador). É semelhante ao diálogo System no Windows que aparece quando você clica em Properties a partir do ícone do Window Manager no desktop.

A guia Processes (Figura 8), mostra todos os processos em execução (há muitos deles!). É possível classificar os processos por nome, unidade central de processamento (CPU), etc.

Figura 8. Finalizando um processo
Finalizando um processo

A guia Resources (Figura 9) é semelhante à guia Task Manager Performance do Windows. Ela fornece um gráfico histórico de uso da CPU, memória/troca e largura da banda da rede.

Figura 9. Monitorando os recursos do sistema
Monitorando os recursos do sistema

A guia File Systems mostra todos os sistemas de arquivos montados e informações gerais, como pontos de montagem de várias partições, espaço livre, espaço total, etc.


Revisar os arquivos de log

O GNOME System Log Viewer é semelhante ao Event Viewer no Windows. Internamente, o Linux normalmente usa o mecanismo syslog (ou rsyslog) para gerar arquivos de log referentes a diversos aplicativos, serviços de servidor e mensagens do sistema. Esses arquivos geralmente ficam no diretório /var/log no sistema de arquivos do Linux. Portanto, quando o GNOME System Log Viewer for aberto pela primeira vez, a sua distribuição pode fornecer um meio para que a ferramenta leia automaticamente os vários logs nesse diretório. Se não fornecer ou se você optar por incluir mais arquivos de log no visualizador, basta clicar em File > Add e navegar para o arquivo de log desejado.

Tablela 2 lista e descreve alguns dos logs comuns do Linux que convém monitorar com o visualizador de logs.

Tablela 2. Arquivos de log do Linux
Arquivo de logDescrição
boot.logDetecção de hardware, montagem e outras mensagens do sistema na inicialização da máquina
secureMensagens relacionadas à segurança
messagesInformações sobre o kernel e outros dados gerais de mensagens do sistema
httpdDiretório dos logs do servidor da web, que contém os logs de acesso e erro em arquivos separados
cupsDiretório que contém mensagens de log relacionadas à impressão
cronMensagens de log relacionadas a tarefas planejadas
Xorg.0.logMensagens de log relacionadas ao servidor X-Window
auth.logSucessos e falhas na autenticação
sambaDiretório dos logs de erro e acesso relacionados ao servidor Samba

Tablela 2 não é uma lista completa dos arquivos de log que podem ser lidos com o visualizador de logs. Mesmo se você tiver um software comercial instalado no seu servidor, é possível usar o visualizador de logs na visualização desses arquivos de log, desde que estejam no formato adequado de log. Explore o diretório /var/log e inclua os arquivos de log adequados para as suas necessidades.

O GNOME System Log Viewer possui um aspecto bem diferente do Windows Event Viewer: muitas das suas visualizações de log dependem das configurações do sistema subjacente. Por exemplo, os logs do servidor web Apache podem ser configurados para executar diariamente. Nesse caso, o httpd access.log somente mostra as mensagens de log do dia atual, ao passo que os arquivos de log mais antigos são movidos para os archives. Mesmo assim, é possível configurar o visualizador de logs para visualizar os log de archive incluindo-os também.

Ao visualizar os logs, é possível rolar facilmente a tela e ler as várias mensagens. Devido ao volume de mensagens, pode ser extremamente difícil localizar os logs interessantes, como erros e mensagens de erros fatais. O GNOME System Log fornece um recurso de filtro que permite definir vários filtros por meio de expressões regulares para destacar ou mostrar apenas as mensagens de log especificadas. Por exemplo, ao resolver o problema no email de um usuário específico, é conveniente filtrar e exibir somente as mensagens que contêm o endereço de email dele, como mostra a Figura 10.

Figura 10. Exibindo somente as mensagens baseadas em um filtro
Exibindo somente as mensagens baseadas em um filtro

A criação de filtros para destacar mensagens de erro em vermelho quando se usa outra cor, como o vermelho, para as mensagens de aviso, é um exemplo típico para uso diário.

Figura 11 mostra uma configuração de filtro que exibe apenas as tentativas de login como raiz.

Figura 11. Destacando mensagens de log com base em um filtro
Destacando mensagens de log com base em um filtro

Com expressões regulares, é possível usar a imaginação conforme a necessidade de destacar ou exibir somente as mensagens essenciais.


Conclusão

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Embora o Linux seja conhecido por suas muitas ferramentas de linha de comandos, você não é obrigado a usá-lo dessa forma. Ao longo dos últimos anos, projetos bem-sucedidos como o GNOME fizeram grandes avanços na questão de fornecer ferramentas de desktop de boa qualidade para a administração de sistema Linux. Se você está passando do ambiente Windows para o Linux, essas ferramentas podem proporcionar uma transição mais confortável e, ao mesmo tempo, permitir o gerenciamento efetivo dos servidores Linux.

Recursos

Aprender

Obter produtos e tecnologias

  • Saiba mais sobre os recursos gerais do GST e realize uma série de tarefas administrativas de organização de processos.
  • Explore o GNOME System Log Viewer.
  • Acesse Versão de teste do software IBM (disponível para download ou em DVD) e inove em seu próprio projeto de desenvolvimento de software livre usando software especialmente para desenvolvedores.

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