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Padrões Técnicos em Educação, Parte 7: Web 2.0, compartilhamento e a agenda aberta

R. John Robertson, Learning Technology Advisor, CETIS, University of Strathclyde
R. John Robertson
R. John Robertson trabalha no Centre for Educational Technology and Interoperability Standards (CETIS), um dos Innovation Support Centres financiados pelo Joint Information Systems Committee (JISC) para: representar a Formação e o Aperfeiçoamento no desenvolvimento de padrões e especificações relevantes, apoiar comunidades de desenvolvedores relevantes e inovação e oferecer orientação e suporte para programas de desenvolvimento do JISC. John atualmente apoia o trabalho do JISC em Recursos Educacionais Abertos. Bibliotecário por formação, sua experiência profissional é no desenvolvimento e suporte de projetos de gerenciamento de ativos digitais, repositórios, bibliotecas digitais e metadados.

Resumo:  Este é o sétimo de uma série de artigos que trata dos padrões técnicos usados na educação. Este artigo repassa algumas das abordagens aos padrões educacionais que se concentram no desafio de novas abordagens ao desenvolvimento de padrões, de novos requisitos (ou a possível eliminação de requisitos já existentes) causados pelo uso de ferramentas da Web 2.0 e do impacto das iniciativas de Open Educational Resource (OER). O artigo conclui examinando algumas áreas chave do desenvolvimento técnico ligado a essas iniciativas.

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Data:  19/Mai/2011
Nível:  Intermediário Também disponível em :   Inglês
Atividade:  1252 visualizações
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Introdução

Ao longo desta série, abordamos as diversas formas de criar padrões e estabelecer um consenso em relação a eles, o papel de padrões técnicos e de metadados específicos para a educação e o uso de repositórios para comunicações e avaliações acadêmicas. Levamos em conta acréscimos e mudanças recentes no desenvolvimento e uso dos padrões. Muitos problemas influenciam o uso dos padrões, como o papel do desenvolvimento de padrões informal e baseado na comunidade — o que pode ser considerado, de forma geral, como a agenda aberta — e o impacto das ferramentas da Web 2.0.

Este último artigo revisa e dá mais detalhes sobre essas tendências e trata das tensões atuais que elas criam para os que procuram desenvolver, implementar ou usar ferramentas para suportar o gerenciamento e o uso de conteúdo educacional e dos sistemas descritos nos artigos anteriores.


O impacto do desenvolvimento informal baseado na comunidade nos padrões educacionais

O desenvolvimento de padrões por meio de abordagens informais baseadas na comunidade é o oposto do desenvolvimento dos mesmos por parte de organismos formais de padrões ou organizações que desenvolvem padrões ou especificações como parte do seu negócio principal. Abordamos as diversas comunidades de desenvolvimento de padrões e especificações detalhadamente no primeiro artigo desta série — recapitulando rapidamente:

  • Os organismos oficiais de padrões operam nacional e internacionalmente (por exemplo, o ISO, International Organization for Standardization) e, por meio da ampla discussão e de um processo rigoroso, ratificam (e ocasionalmente desenvolvem) padrões. Depois de serem desenvolvidos, esses padrões são reconhecidos formalmente e são considerados fixos e estáveis, e a conformidade com esses padrões pode fazer parte dos requisitos de compra para as instituições públicas.
  • Os negócios de algumas organizações e empresas (por exemplo, o IMS Global Learning Consortium) são a criação de padrões. Os membros e especialistas convidados desenvolvem e revisam especificações ou padrões em um processo fechado . Ou seja, enquanto o desenvolvimento está em andamento, geralmente os rascunhos são documentos privados. É possível fazer referência aos padrões finais ou usá-los gratuitamente, mas é necessário licenciar qualquer adaptação da especificação.

As duas formas de ratificação e desenvolvimento de padrões descritas acima envolvem processos detalhados que, em muitos casos, demoram vários anos.

Entretanto, há uma nova tendência a usar projetos rápidos que desenvolvem padrões em um modelo que segue o padrão dos processos de desenvolvimento agile. Uma equipe pequena de pessoas interessadas define um problema ou desafio e faz rapidamente a iteração dos rascunhos dos padrões. Esse processo de desenvolvimento baseado na comunidade é frequentemente compactado em um período muito mais curto. Embora qualquer rascunho possa conter problemas significativos, o processo procura desenvolver, cometer e corrigir erros e chegar a um padrão funcional que faça a maior parte daquilo que é necessário. Isso é o contrário de desenvolver cuidadosamente o padrão correto por meio do consenso em um grupo grande de pessoas e abordar cada cenário possível.

Os padrões desenvolvidos desta nova maneira podem ser aperfeiçoados e mais bem desenvolvidos. Um dos exemplos desse tipo de desenvolvimento é o projeto SWORD (consulte Recursos), que desenvolveu rapidamente o SWORD — um perfil muito simples do protocolo de publicação Atom — para resolver um problema bem definido: depositar metadados e artigos acadêmicos em repositórios. Desenvolvido por um grupo pequeno e heterogêneo de programadores de repositórios e especialistas, esse perfil é amplamente usado. Agora, um projeto de acompanhamento está voltando a um problema relacionado para desenvolver o padrão SWORD de forma modular, para suportar a funcionalidade CRUD (Create, Read, Update e Delete).

Frequentemente, o processo é baseado em projeto e a equipe de pessoas que trabalham nele pode ser selecionada ou autosselecionada, e pode se reunir somente para essa colaboração de curto prazo. Tenha em mente que, embora o trabalho de coordenação possa ser financiado parcialmente, o envolvimento no processo muitas vezes é voluntário. Em muitos casos, os grupos de desenvolvimento não são empresas formais relacionadas aos padrões. Esses grupos, mesmo se são seletivos, colocam os seus rascunhos à disposição do público durante o processo. Portanto, embora não tenham necessariamente o processo estruturado de consulta pública que os organismos mais formais têm, seu método de trabalho permite coletar, em certa medida, um feedback semelhante.

Esse desenvolvimento baseado na comunidade pode influenciar o desenvolvimento mais amplo de padrões educacionais como padrões estabelecidos. As organizações de desenvolvimento irão considerar a possibilidade de usar abordagens mais leves e rápidas ao desenvolvimento, equilibrando a necessidade de obter uma concordância mais ampla e trabalhar com cenários e requisitos de usuários mais complexos.


O impacto da Web 2.0 nos padrões educacionais

A variedade de ferramentas e serviços on-line designados de forma geral como Web 2.0 oferece às pessoas e instituições uma abordagem diferente ao cumprimento de vários dos requisitos funcionais ou de software da educação. Os recursos chave desses serviços são os seguintes:

  • São fornecidos on-line por meio de um navegador
  • Muitas vezes, são grátis (pelo menos no caso dos serviços básicos, que frequentemente são suportados por anúncios)
  • Com frequência, suportam o uso de licenças abertas referentes ao conteúdo
  • Frequentemente, têm um elemento de compartilhamento público e interação social integrado (embora muitas vezes existam opções para eliminar ou reduzir essa interação pública ou visibilidade)

São exemplos de ferramentas desse tipo: Flickr, Slideshare, Delicious e YouTube. Ferramentas relacionadas, que talvez não sejam estritamente ferramentas da Web 2.0, incluem serviços de blog (como o Wordpress ou o Blogger) e e-mail baseado na Web (como o Hotmail ou Gmail). Consideraremos alguns usos possíveis dessas ferramentas e o impacto indireto que têm no papel e no design de padrões técnicos educacionais.

No primeiro artigo desta série, descrevemos alguns dos motivos pelos quais existem padrões técnicos específicos para a educação e tratamos de como podem funcionar em virtual learning environments (VLEs) e repositórios. Entretanto, se consideramos um caso de uso clássico de ambiente de aprendizagem virtual, no qual um palestrante tenta compartilhar slides e recursos com um conjunto de alunos, podemos observar que o uso de ferramentas da Web 2.0 — talvez o Slideshare para slides e documentos, e o Flickr e o YouTube para imagens ou diagramas e vídeos — pode duplicar a maioria das funções básicas do VLE. Os alunos podem postar comentários e respostas por meio de blogs ou dos recursos de comentários integrados às ferramentas.

No exemplo acima, que usa ferramentas da Web 2.0, as ferramentas e os serviços desenvolvidos por empresas privadas, geralmente armazenam dados totalmente customizados. Embora possa haver alguns campos comuns (título, autor, licença), são usados poucos padrões técnicos específicos para a educação. Os formatos de informações usados pelos serviços da Web 2.0 podem se tornar padrões de fato se o serviço for bem-sucedido, mas não foram projetados para a educação e não armazenam explicitamente os tipos de informações que anteriormente eram considerados essenciais para a descrição educacional.

À primeira vista, isso pode indicar que o uso dessas ferramentas em um contexto educacional funcionaria relativamente mal, entretanto, aparentemente não é isso o que acontece. Se considerarmos que, em qualquer uma dessas abordagens (Web 2.0 ou VLE), o conteúdo é compartilhado inicialmente com os alunos por meio da indicação de um local específico, a função principal dos metadados é suportar a descoberta e o uso dos materiais por parte de outras pessoas que não fazem parte do grupo. Nessa circunstância, a atual falta de capacidade de fornecer metadados dedicados específicos, ou a necessidade de distribuir tipos diferentes de interação para ferramentas diferentes não conectadas são compensadas por dois fatores chave:

  1. A capacidade que os usuários têm de incluir comentários e suas próprias tags
  2. A capacidade desses comentários, tags e qualquer texto completo do próprio conteúdo de serem indexados pelos mecanismos de busca

Consequentemente, para as outras pessoas que estão procurando recursos, a indexação do mecanismo de busca pode atuar no lugar de metadados específicos. É possível que não tenha capacidade de fornecer uma busca tão precisa quanto a de um mecanismo, mas a questão para os usuários geralmente é: "ele consegue fornecer uma aproximação suficientemente boa?" levando em conta as economias de custo, o controle e acesso individual e a possível interação com uma comunidade mais ampla que essas ferramentas oferecem.

O uso de ferramentas da Web 2.0 no lugar de ferramentas e recursos dedicados fornecidos pela instituição é polêmico e certamente não é uma questão estabelecida. Há vários desafios e preocupações:

  • O conteúdo educacional fica visível publicamente. As instituições podem considerar que isso afeta a sua competitividade ou considerar a publicação de alguns materiais como inadequada ou perigosa.
  • O uso de versões grátis de muitos desses serviços frequentemente requer que os alunos vejam os anúncios (mesmo se são apenas links pouco chamativos). Embora isso não seja necessariamente diferente do nível de publicidade ao qual as pessoas podem estar expostas por meio do uso regular da Internet, pode ser um dilema crítico para algumas instituições.
  • O uso desses serviços pode exigir que o conteúdo também seja licenciado para os provedores de serviço. Embora as licenças desse tipo não sejam exploradas frequentemente pelo provedor de serviços e talvez não sejam necessárias para suportar parte da funcionalidade do site, as instituições podem se preocupar com isso.
  • Os serviços da Web 2.0 são globais, consequentemente, pode ser necessário que a instituição considere a legalidade do seu conteúdo em outras jurisdições (particularmente no que diz respeito a isenções de copyright para uso educacional). O projeto Web2Rights oferece uma discussão mais detalhada de alguns dos problemas jurídicos que as instituições enfrentam ao usar ferramentas da Web 2.0 (consulte Recursos).
  • Os serviços da Web 2.0 podem estar em conformidade com a legislação relevante sobre a discriminação contra portadores de deficiência ou não, entretanto, as instituições não têm controle sobre os serviços e talvez não possam fazer muita coisa para suprir necessidades individuais.
  • Esses serviços são empresas comerciais e, embora possa haver algum grau de acordo de nível de serviço, problemas como tempo de inatividade e confiabilidade geral, mudanças nos termos do serviço, ou o colapso ou a transferência de administração do serviço estão além do controle institucional. Isso apresenta um nível de risco.

Outra diferença entre a abordagem baseada na Web 2.0 e a baseada em VLE é que os VLEs são projetados para fornecer muitos dados sobre a interação dos alunos com o sistema e seu conteúdo. Nas ferramentas da Web 2.0, os dados disponíveis ao professor (como usuário) sobre o aluno (como outro usuário em nível de igualdade) serão de um tipo diferente e, provavelmente, mais limitados. Por exemplo, um VLE pode informar ao professor quais alunos leram um recurso, quanto leram do recurso e quanto tempo passaram lendo o mesmo. Ao passo que um serviço da Web 2.0 pode mencionar que um recurso foi visitado.


Agenda aberta

Várias iniciativas relacionadas ao conceito de abertura também estão relacionadas aos padrões técnicos em educação, tais como:

  • Software livre
  • Padrões abertos
  • Acesso livre
  • Recursos educacionais abertos

O software livre não tem, por si só, um impacto significativo nos padrões técnicos em educação, mas vários sistemas de repositório usados amplamente em instituições educacionais são de software livre (como o DSpace, ePrints e Fedora Commons), assim como várias ferramentas pequenas projetadas para fornecer implementações de referência dos padrões (como o Reload). Consulte a seção Recursos para ver links para essas ferramentas. Entretanto, o software livre influi bastante na educação, em seu papel como modelo de novas formas de abertura, e desenvolveu vários modelos de negócios relativamente maduros em torno do software gratuito.

O movimento de acesso livre levou à criação de padrões (como o OAI-PMH) e de softwares, incluindo os repositórios mencionados acima, e softwares de publicação (como o Open Journal System) para suportar a comunicação acadêmica. A Parte 3 desta série, Open repositories in scholarly communication, trata do acesso livre e de repositórios mais detalhadamente (consulte Recursos).

Padrões abertos

Embora tenhamos mencionado o papel dos padrões abertos, iremos revisá-los em relação ao contexto acima, referente aos padrões baseados na comunidade. Mesmo se um padrão ou especificação está disponível gratuitamente, os desenvolvedores normalmente retêm todos os direitos sobre o padrão. Sendo assim, pode haver restrições a essa redistribuição, inclusão em outros padrões, adaptação ou desenvolvimento posterior sem o consentimento explícito do proprietário.

Este não é o local apropriado para tentar oferecer uma definição adequada dos padrões abertos, e a página da Wikipédia sobre esse assunto mostra a complexidade dessa tarefa — listando pelo menos 15 definições de especialistas. Entretanto, há várias questões identificadas como problemáticas para os criadores de padrões que procuram reter todos os direitos. Entre essas questões, inclui-se a incapacidade de criar trabalhos derivados — talvez para aprimorar ou estabelecer perfis dos padrões para necessidades específicas — e a possível incapacidade das organizações de padrões de adotar as especificações desenvolvidas por terceiros, devido a questões confusas de diretos em jurisdições legais diferentes. Mais informações sobre o papel dos padrões abertos na inovação estão disponíveis a partir do white paper do CETIS, The Future of Interoperability and Standards in Education — System and Process (consulte Recursos).

As iniciativas e padrões do Open Educational Resources (OER)

A William and Flora Hewlett Foundation define os Open Educational Resources (OER) como "materiais educacionais de alta qualidade e licença aberta que oferecem uma oportunidade extraordinária para que pessoas de todos os lugares compartilhem, usem e reutilizem o conhecimento. Também têm grande potencial como mecanismo de renovação da instrução, já que as redes de professores e alunos compartilham boas práticas" (consulte Recursos). O termo OER foi criado em uma conferência da UNESCO em 2000, baseando-se em um trabalho anterior com software livre, iniciativas de acesso livre e no trabalho de David Wiley com o compartilhamento de conteúdo educacional. A iniciativa beneficiou-se bastante do desenvolvimento de licenças Creative Commons, que forneceram uma forma clara e simples de criar licenças relacionadas a conteúdo que concedem permissão, sem necessidade de entrar em contato com o proprietário.

Talvez a iniciativa mais conhecida que compartilha OER seja o MIT OpenCourseWare (OCW). Fundado em 2001, o MIT OCW agora compartilha o conteúdo de 2000 cursos (consulte Recursos). O tipo exato de conteúdo compartilhado varia de acordo com o curso — pode ser formado por leituras e notas ou áudio e vídeo de materiais de palestras. O OCW fornece acesso a uma grande variedade de materiais, e o seu conteúdo não só oferece oportunidades de aprendizado, mas também fornece a outros educadores recursos para usar em seu ensino, bem como uma perspectiva em relação à sua forma de ensino. Um dos fatores importantes do MIT OCW, e da maioria das iniciativas de OER, é que ele não dá acesso ao campus, corpo docente acadêmico, grupos de estudo, processo de avaliação ou reconhecimento do MIT e (atualmente) não fornece recursos de interação com a comunidade em torno do conteúdo.

Em termos de padrões educacionais, as primeiras iniciativas institucionais de OER foram desenvolvidas usando ferramentas de gerenciamento de conteúdo em vez de VLEs ou ferramentas de repositório. Em vez de se concentrar na interoperabilidade técnica, muitas vezes se concentravam em garantir que o conteúdo fosse apresentado claramente para o usuário final, e esses processos centralizados verificavam a liberação dos direitos de propriedade intelectual. Entretanto, conforme o uso desses sistemas amadureceu, a utilização de plataformas e padrões técnicos educacionais se intensificou. Por exemplo, a Universidade Open no Reino Unido também é membro do OpenCourseWare Consortium, e o seu site de OER OpenLearn ( Recursos) se baseia no Drupal e no Moodle e fornece OAI-PMH e feeds RSS /Atom referentes ao seu conteúdo.

Entretanto, existe a outra extremidade do espectro de OER — pessoas que compartilham conteúdo. Para ver uma explicação mais completa e não técnica sobre esse espectro, consulte a entrada de blog Big OER and Little OER (consulte Recursos). Se o MIT e outros membros do OpenCourseWare Consortium (usando sistemas de gerenciamento de conteúdo, repositórios ou VLEs) exemplificam o release institucional de OER, a extremidade individual do espectro é tipificada por acadêmicos individuais que se envolvem no compartilhamento dos seus recursos por meio de ferramentas da Web 2.0, como o SlideShare, e plataformas de blog, como o WordPress. Essas plataformas não suportam uma grande parte dos metadados criados pelo usuário e, embora as tags e os campos descritivos possam possibilitar alguma descrição educacional como texto livre, poucos metadados educacionais formais podem ser usados e o RSS que é criado para os recursos é fixo. Essas iniciativas individuais são bem-sucedidas porque as ferramentas são convenientes para os mecanismos de busca e promovem a conversação e uma infraestrutura social em torno do conteúdo que permitem a disseminação pela reputação.


Debates e desdobramentos

Até agora, o artigo descreveu vários movimentos ou desafios que estão moldando o uso atual dos padrões técnicos educacionais. Essa seção repassa sucintamente como alguns desses problemas se inter-relacionam e alguns problemas chave que a comunidade educacional enfrenta.

Há uma tendência no desenvolvimento de padrões e especificações — impulsionada, em parte, pelo desenvolvimento de padrões baseado na comunidade — de trabalhar de forma mais leve e desenvolver padrões de maneira mais eficiente. Isso pode simplificar o desenvolvimento de padrões educacionais, mas os padrões específicos para a educação precisam demonstrar cada vez mais o valor que agregam aos padrões mais genéricos. Devem ser usados em contextos em que agregam valor para o usuário (independentemente de ser um gerente de sistema, professor ou aluno) e suprem as necessidades dos usuários. Alguns padrões como o QTI (para itens de avaliação) fazem isso claramente e têm comunidades ativas de desenvolvimento (consulte Recursos).

O uso de ferramentas da Web 2.0 para fornecer serviços para a educação apresenta um elemento de risco e perda de controle nos processos institucionais, mas, por outro lado, oferece ferramentas relativamente baratas, escaláveis e que requerem pouca manutenção. Algumas universidades, como a Universidade Metropolitana de Leeds, optaram por terceirizar o fornecimento de e-mail institucional para provedores on-line (nesse caso, para o Google). Poucas instituições pretendem substituir os seus VLEs por serviços da Web 2.0. Entretanto, esses serviços influenciam o design dos softwares educacionais, tanto para incluir uma funcionalidade semelhante esperada pelos usuários quanto para integrar formas de vincular o conteúdo institucional a serviços da Web 2.0, por exemplo, incluir os botões Post to delicious ou Tweet this em um recurso ou página da Web. Um dos desafios para os padrões educacionais é a forma de ajustar a funcionalidade rica que eles podem suportar aos serviços projetados para funcionar somente com alguns elementos de informação fornecidos pelo criador.

O maior desafio para as instituições que usam padrões educacionais como forma padrão de armazenar e compartilhar materiais de aprendizagem é observado no uso de ferramentas da Web 2.0 com iniciativas de OER e sua relativa sustentabilidade. Algumas iniciativas de OER que operam no nível institucional estão procurando uma forma de cobrir os seus custos e ser sustentáveis após o final do projeto ou do financiamento com verba. Algumas estão procurando financiar essas iniciativas por meio de doações de caridade para liberar cursos. Outras estão defendendo seu ponto de vista nas instituições, com base nos benefícios de marketing proporcionados pela disponibilização do conteúdo. Algumas pararam de liberar conteúdo. Nesse contexto, uma abordagem coordenada ao uso de ferramentas da Web 2.0 para gerenciar o conteúdo de aprendizagem pode mostrar-se um mecanismo mais sustentável para as iniciativas de OER. Com uma abordagem desse tipo funcionando para o OER, as instituições podem optar por usar essas ferramentas mais amplamente e substituir outras partes de seus ambientes de aprendizagem.


Possibilidades emergentes

Há várias áreas chave relacionadas ao OER que estão sendo exploradas, tais como:

  • Ferramentas de descoberta e agregação para OER
  • Livros-texto abertos
  • Serviços para suportar, avaliar ou homologar a aprendizagem baseada em OER
  • Educação aberta participativa em larga escala

Vamos analisar essas áreas mais detalhadamente

Ferramentas de descoberta e agregação para OER

Há um investimento global significativo no release de OER por meio do financiamento direto para a resolução dos problemas de direitos de propriedade intelectual referentes a materiais de aprendizagem e do estabelecimento de organizações e ferramentas para suportar os que liberam o OER. À medida que essas iniciativas amadurecem, aumenta a necessidade de serviços de descoberta coerentes para os OERs liberados. Os mecanismos de busca podem fornecer uma abordagem, mas os serviços específicos podem proporcionar um grupo mais preciso de recursos para pesquisar. As iniciativas nessa área englobam DiscoverEd, OERCommons, OCW Search, GLOBE e XPert (consulte Recursos). Um dos principais desafios que essas iniciativas enfrentam é a forma de descobrir e indexar o OER liberado tanto por instituições que usam repositórios e sistemas de gerenciamento (que talvez gerem metadados OAI-PMH e Dublin Core) quanto pessoas que usam ferramentas da Web 2.0 e blogs (que talvez gerem RSS e uma quantidade limitada de elementos de informação).

Livros-texto abertos

Os custos crescentes dos livros-texto dos alunos, que podem representar um obstáculo financeiro para eles, estão motivando novas iniciativas para desenvolver livros-texto abertos. Esses livros-texto estariam gratuitamente à disposição dos alunos on-line (ou impressos a um custo) e poderiam ser adaptados e atualizados pelos educadores tantas vezes quanto fosse necessário. Essas iniciativas vêm recebendo um apoio considerável em alguns estados dos EUA (por exemplo, Washington e Califórnia). Atualmente, não há um formato técnico específico para esses livros-texto, entretanto, existem vários formatos da Web (como HTML), formatos de e-book (como epub) e formatos de documento (® DOC da Microsoft ou PDF do Adobe Acrobat, embora o PDF possa restringir a adaptabilidade do conteúdo) que pode ser usado.

Serviços de suporte para a educação aberta

Conforme foi mencionado anteriormente, as iniciativas de OER só fornecem materiais abertamente. Não oferecem suporte ao estudo ou reconhecimento. Entretanto, essa área tem um desenvolvimento ativo e, recentemente, um serviço que fornece ou coordena o suporte ao estudo para usuários de OER (OpenStudy.com) estabeleceu uma parceria com o MIT OCW para criar comunidades de estudo baseadas em parte do seu conteúdo (consulte Recursos).

Também há iniciativas que procuram formas de atestar (ou até mesmo reconhecer, até certo ponto) a aprendizagem obtida por meio da educação aberta. Uma das abordagens promovidas por um projeto financiado pela Mozilla Foundation é desenvolver uma especificação para badges associados ao conteúdo do estudo (consulte Recursos). Os usuários podem receber esses badges depois de concluir um curso ou por meio da demonstração de entendimento do conteúdo, e os badges podem se tornar parte do perfil on-line.


Conclusão

Essa série sobre padrões técnicos para educação abordou, começando pela análise do processo de desenvolvimento dos padrões, o uso desses padrões no setor educacional. Examinou padrões chave relacionados ao empacotamento de conteúdo, comunicações acadêmicas, metadados e itens de avaliação e concluiu abordando alguns dos desafios emergentes e oportunidades proporcionadas pela metodologia de desenvolvimento agile usada nos padrões baseados na comunidade, pela crescente utilidade das ferramentas da Web 2.0 e pelas tendências das iniciativas de OER.

Em minha opinião, os padrões técnicos educacionais, por si mesmos, não ocupam mais uma posição privilegiada no sistema e processo das universidades e faculdades, são substituíveis (ou pelo menos dispensáveis) a menos que possam demonstrar o valor que agregam, além disso, a implementação deve ser capaz de fornecer esse valor. Entretanto, nunca houve uma época mais interessante para desenvolver padrões em educação e trabalhar com eles, à medida que surgem novos requisitos e que as mudanças no estilo de vida e os custos da educação fazem com que os sistemas e padrões tenham que responder a uma demanda de oportunidades educacionais mais flexíveis.

John Casey (Digitalinsite e Gareth Waller (AGW Software) desenvolveram a estrutura de tópicos original desta série de artigos.


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R. John Robertson

R. John Robertson trabalha no Centre for Educational Technology and Interoperability Standards (CETIS), um dos Innovation Support Centres financiados pelo Joint Information Systems Committee (JISC) para: representar a Formação e o Aperfeiçoamento no desenvolvimento de padrões e especificações relevantes, apoiar comunidades de desenvolvedores relevantes e inovação e oferecer orientação e suporte para programas de desenvolvimento do JISC. John atualmente apoia o trabalho do JISC em Recursos Educacionais Abertos. Bibliotecário por formação, sua experiência profissional é no desenvolvimento e suporte de projetos de gerenciamento de ativos digitais, repositórios, bibliotecas digitais e metadados.

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