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author TLC-BR: Pontos de vista, artigos e discussões sobre tecnologia.

Os artigos (Mini Papers) apresentados aqui são uma publicação periódica do TLC-BR, que é uma representação da IBM Academy of Technology no Brasil, escritos por funcionários e por clientes da IBM. Além dos Mini Papers, também escreveremos outros textos sobre tecnologia.



Thursday September 17, 2009

Infraestrutura da Informação

A palavra “informação” tem vários significados. Na área de Tecnologia da Informação (TI), costuma-se dizer que ela é um dado inserido dentro de um contexto. Ou seja, o nome “Michael”, é apenas um dado, mas pode-se transformá-lo em informação ao se dizer “Michael Jackson” ou “Michael Schumacher”, por exemplo. Talvez por isso passamos a chamar de “Tecnologia da Informação” essa área de conhecimento que antes era conhecida por “Processamento de Dados”. Isto é, o dado puro é importante, mas só faz sentido se for transformado em informação.

E o que infraestrutura tem a ver com informação? Embora nunca tenha existido uma convenção explicitamente estabelecida, na área de TI a palavra “informação” sempre foi associada a disciplinas mais relacionadas à parte lógica (software), enquanto “dado” foi associado mais à infraestrutura física (hardware). Por exemplo: se nos perguntassem o que é armazenado em um disco ou uma fita, diríamos que são “dados”, mas responderíamos que são “informações” caso nos perguntassem o que é armazenado por um sistema num arquivo ou banco de dados qualquer.

Contudo, isso está mudando. Com o tempo percebeu-se que para atender às demandas de negócio, tratar a explosão de dados advinda das novas tecnologias, e ainda estar em conformidade com normas e padrões reguladores, seria necessário gerenciar informações, e não apenas dados. Essa visão começou com o modelo ILM (Information Lifecycle Management), o qual passou a gerenciar características do dado, tais como quem e quando o criou, qual a última vez em que foi alterado ou acessado, etc. Dessa forma tornou-se possível tratar as informações de acordo com sua importância para o negócio, tornando-as disponíveis ao usuário no tempo adequado às suas necessidades e, principalmente, diminuindo custos de armazenamento pois a informação mais importante passou a ser guardada em um meio mais rápido e caro, enquanto a menos importante, em geral a maior parte, passou a ser guardada em um meio mais lento e barato.

Esse modelo, no entanto, não foi suficiente para endereçar todas as preocupações dessa área, pois se concentrava mais na retenção de dados e não tratava de outros aspectos fundamentais ao gerenciamento da informação. Por essa razão, foi criada a abordagem de Infraestrutura da Informação (Information Infrastructure), que contempla quatro disciplinas, representadas pela sigla CARS (Compliance, Availability, Retention & Security), e está alinhada com uma tendência que o mercado vem chamando de ICG (Information Centric Governance), que provê um modelo de gerenciamento de serviços baseado nas práticas do ITIL (IT Infrastructure Library), e com enfoque nos requisitos da informação durante todo o seu ciclo de vida.

Um exemplo de problema tratado por Information Infrastructure é o processo de retenção de dados por longos períodos. Sabe-se que é possível armazenar um dado por muito tempo. Em fita, por exemplo, isso pode ser feito por cerca de 25 anos, extensível até 40 anos se a fita for rebobinada periodicamente, uma vez que o oxigênio impedirá que a mídia se deteriore antes do prazo. Contudo, de nada terá valido guardar esse dado por tanto tempo se, ao recuperá-lo, a aplicação que é necessária para tratá-lo tiver sido alterada ou mesmo não exista mais. Ou seja, teríamos nesse caso apenas um dado, e não uma informação.

Information Infrastructure pode endereçar esse e outros problemas pois não só trata das disciplinas relacionadas à retenção e ao gerenciamento do ciclo de vida da informação, como ILM já fazia, mas vai muito além disso ao endereçar de forma mais abrangente as preocupações com conformidade, disponibilidade e segurança, uma vez que de nada adianta reter uma informação se ela não estiver disponível no momento preciso, não tiver integridade ou não atender os requisitos estabelecidos por leis e normas às quais o seu proprietário deve obedecer.

Para saber mais


Adelson Lovatto tem 22 anos de experiência em Tecnologia da Informação, é formado em Matemática e Administração e é membro do TLC-BR desde 2005.



Sep 17 2009, 12:01:00 AM EDT Permalink



Thursday September 03, 2009

Segurança em Aplicações Web

Com o surgimento e disseminação do protocolo HTTP e da linguagem HTML, no início da década de 90, as páginas Web tornaram-se um dos principais meios de comunicação entre usuários e instituições.
Nessa época quando as páginas eram estáticas e não possuíam interação com os usuários, os principais alvos de ataques de hackers eram os sistemas operacionais, banco de dados e serviços de emulação de terminais (Telnet) e transferência de arquivos (FTP).

Em 2004, o termo “Web 2.0” foi criado para descrever as mudanças e tendências no uso da Web, na direção do aumento da interatividade, do compartilhamento de informações e da colaboração. Para isso novas tecnologias surgiram e, com essas, vieram novas vulnerabilidades que, por sua vez, passaram a ser o alvo preferido dos ataques de  hackers, especialmente no âmbito dos browsers, servidores e aplicações Web.

Na corrida para impulsionar mais serviços on-line, muitas aplicações Web frequentemente sofrem com a falta de segurança. As vulnerabilidades resultantes representam um caminho fácil para os hackers acessarem ou roubarem informações confidenciais (pessoais ou corporativas). Um estudo realizado recentemente pela IBM mostra que a porcentagem de vulnerabilidades descobertas identificadas como de risco alto é de cerca de 40%, e com tendência a aumentar.

Os ataques que se utilizam de métodos automatizados de exploração de vulnerabilidades vêm crescendo bastante, o que demonstra o grau de exposição das aplicações Web. No período de 2006 até o final de 2008, as vulnerabilidades que afetaram as aplicações Web somaram 54% de todas as vulnerabilidades descobertas. Os tipos predominantes de ataques são Cross Site Scripting (XSS), File Include e SQL Injection, sendo que este último teve um aumento de 134% em 2008, comparando-se com o ano anterior.

A principal causa dessas vulnerabilidades é a falta de validação correta dos campos de entrada das aplicações Web. Com isso, usuários podem submeter dados arbitrários, e, junto com esses, códigos maliciosos. Os principais motivos para que isso possa acontecer são a imaturidade ou desconhecimento em segurança por parte dos desenvolvedores, as restrições de recursos, a falta de tempo e o uso incorreto das tecnologias.

Muitas empresas acreditam erroneamente que estão completamente protegidas dos ataques realizados contra suas aplicações pelo fato de possuírem elementos de segurança como firewall, IDS (Sistema de Detecção de Intrusos) ou IPS (Sistema de Prevenção de Intrusos) que protegem os servidores em conjunto com algum processo de execução de varreduras de vulnerabilidades na camada de rede. Provavelmente essas empresas já sofreram ataques em suas aplicações Web e sequer conseguiram identificá-los. Um dos motivos para que firewalls,  IDS e IPS não sejam suficientes é que muitas informações que trafegam na rede são criptografadas, o que lhes impossibilita a verificação, a identificação e o bloqueio de códigos maliciosos.

Mais do que uma prática obrigatória, segurança de informação deve ser uma cultura pervasiva ao negócio. A adoção e a implementação de políticas de segurança no desenvolvimento de aplicações, os testes de validação de segurança, incluindo varredura de vulnerabilidades nas aplicações Web com ferramentas automatizadas e o apoio de uma área de gestão com conhecimento em técnicas de invasão, são práticas eficazes para se defender contra ataques e mitigar os riscos sobre as suas informações e as de seus clientes.

Para saber mais

Thiago Canozzo Lahr é Analista de Segurança da Informação desde 2002, certificado IT Specialist e na área de Ethical Hacking, e também graduado em Engenharia de Computação pela PUC-Campinas.


Categories : [   internet  |  segurança  ]

Sep 03 2009, 12:01:00 AM EDT Permalink



Thursday August 20, 2009

Redes Neurais para um planeta mais inteligente

A mais recente campanha publicitária da IBM nos remete à ideia de criarmos um mundo mais inteligente, desde a conscientização e educação de cada indivíduo até o desenvolvimento de métodos e sistemas que ajudem na construção de um planeta habitável, confortável e principalmente sustentável.

O evidente crescimento na utilização de sistemas computacionais aponta para um mundo mais automatizado onde máquinas controlarão grande parte dos itens essenciais, tais como a utilização e o tratamento de água, produção e distribuição de energia, redução de poluentes e muitos outros recursos que são de extrema importância para o ser humano. Estes sistemas precisam ser inteligentes para nos ajudar a reverter o processo de degradação ambiental criado pelo homem.

Quando se fala sobre “inteligência”, é inerente associarmos a um processo que antes era atribuído essencialmente aos seres vivos: o processo de aprendizado. É nesse contexto que apresentamos as Redes Neurais Artificiais (RNAs).

As RNAs são circuitos (redes) de neurônios artificiais (Neurônios Formais) que associados são capazes de imitar, de maneira simplória, o processo sináptico do cérebro humano.

O primeiro modelo de Neurônio Formal foi criado pela dupla Warren McCulloch (um neurofisiologista) e seu aluno Walter Pitts (um matemático) em 1943, que pretendia descrever o funcionamento de um neurônio biológico de forma simplista.

Como um exemplo de aplicação das RNAs, imagine um jogo com 500 palavras em 3 línguas diferentes. Selecionamos uma palavra e fazemos a seguinte pergunta: É possível identificar a qual idioma ela pertence?

Esse problema pode parecer essencialmente humano, pois exige conhecimento e aprendizagem de idiomas. Desenvolver uma Rede Neural Artificial seria uma das abordagens para a solução, na qual é possível ensinar-lhe um método de classificação de palavras. A aprendizagem é feita aplicando-se um conjunto de palavras conhecidas (chamado de training set) e ajustando a saída até a RNA estar apta a fazer a classificação de forma autônoma. A eficiência dependerá da função de transferência e dos pesos das entradas, podendo-se ensinar todas as 500 palavras, ou ensinar-lhe a procurar padrões dentro das palavras que indiquem sua origem. Dessa segunda forma, se a RNA for treinada para reconhecer os padrões adequados, uma palavra inédita poderia ser classificada corretamente e, ao longo do tempo, essa RNA se tornaria mais “experiente” reduzindo gradativamente o número de erros.

Atualmente há estudos que pretendem criar RNAs capazes de aprendizagem não supervisionada, ou seja, sem a necessidade de intervenção humana para determinar se a resposta está “certa” ou  “errada”.  
Outra característica interessante é o conceito de “força de ligação” entre os neurônios, que se assemelha à  associação de neurônios biológicos. Sabe-se que o aprendizado, a repetição de tarefas e a exposição contínua a determinados estímulos podem aumentar ou reduzir a força de conexão entre neurônios biológicos, tal como em uma RNA.

A humanidade está buscando um planeta mais inteligente. As pesquisas e aplicações em Redes Neurais tendem a crescer em demanda e em potencial de aplicações. Hoje as RNAs são utilizadas com êxito em diversos sistemas de controle, processos industriais, controle de tráfego aéreo, controle de emissão e detecção de poluentes, diagnósticos em medicina, determinação de problemas em TI, reconhecimento de voz, visão computacional, previsão meteorológica, detecção de fraudes financeiras e outros.

Aplicando esta e outras técnicas da Inteligência Artificial, podemos “ensinar” as máquinas a trabalharem a favor do ser humano e de um mundo mais eficiente, inteligente e consequentemente sustentável.

Para saber mais



Kiran Mantripragada é um Certified IT Specialist na IBM, atualmente trabalha como arquiteto de infraestrutura e tem mais de 15 anos de experiência em TI e desenvolvimento de software. É formado em Engenharia Mecatrônica e mestrando em Engenharia de Software pelo IPT.


Categories : [   redes_neurais  ]

Aug 20 2009, 12:01:00 AM EDT Permalink



Thursday July 30, 2009

Mobilidade para um mundo conectado

Quantas vezes você já quis abrir um browser para navegar em algum site em um local onde não havia acesso à Internet disponível, e imaginou o quanto isso o ajudaria naquele momento? Pois saiba que você não é o único que já passou por essa situação. E a boa notícia é que isso está mudando...

Nos últimos anos temos visto uma maior demanda por formas de acesso móvel à Internet. Isso levou a um aumento no mercado dos smartphones e também à criação de novos equipamentos e tecnologias para atender a essa necessidade dos usuários.

Inicialmente impulsionado pelos entusiastas da tecnologia, que sempre querem possuir os gadgets mais recentes e poderosos, o mercado dos smartphones tem atraído cada vez mais a atenção de usuários comuns. Um dos grandes fatores que levaram à maior popularização desses aparelhos foi a entrada no mercado do iPhone da Apple. Esse aparelho tornou-se um fenômeno de vendas no mundo todo. Pouco tempo depois do lançamento, a versão do browser Safari para o iPhone se tornou o navegador mais usado dentre os dispositivos móveis, segundo levantamentos realizados por várias empresas.

Para os usuários que precisam de telas maiores do que as dos smartphones, mas não tão grandes quanto a dos notebooks populares, foi criada uma nova categoria de equipamentos: os netbooks, que são notebooks menores, com menos acessórios, mais leves, e que com isso oferecem dois fortes apelos: a mobilidade e o baixo custo. O termo netbook foi criado através da junção das palavras “Internet” e “notebook”, evidenciando que o objetivo maior desses equipamentos é o acesso à Internet.

O conceito dos netbooks foi baseado no projeto One Laptop per Child (OLPC), também conhecido como o “Laptop de 100 dólares”. A ideia original desse projeto era desenvolver um notebook de baixíssimo custo para ser distribuído em países em desenvolvimento para promover mais efetivamente a inclusão digital, visando principalmente as instituições de ensino. Os netbooks se popularizaram com o lançamento dos equipamentos da série EeePC da ASUS e, logo em seguida, as grandes empresas fabricantes de computadores pessoais aderiram e lançaram equipamentos dessa categoria, incluindo Acer, Dell, HP e Lenovo.

Em paralelo à oferta cada vez mais variada de equipamentos, também temos visto uma maior demanda por métodos de acesso sem fio à Internet e melhores taxas de transferências de dados. No Brasil, isso tornou mais popular a tecnologia 3G, atualmente já disponibilizada pela maioria das operadoras de telefonia celular, e cuja implantação segue o cronograma da Anatel que prevê cobertura para a maior parte das cidades brasileiras ao longo dos próximos anos. Essa tecnologia atraiu o interesse de um grande volume de usuários desde seu lançamento, principalmente por oferecer capacidades de banda larga com mobilidade.

Esse cenário cria oportunidades para empresas que atuam em vários segmentos, desde as que fabricam equipamentos até as provedoras de acesso à Internet, incluindo também as que se beneficiarão com o maior volume de acessos aos seus serviços disponíveis na rede, e as que fornecem produtos e serviços para implementação de infraestrutura. Visando esses novos usuários e seus navegadores portáteis, várias empresas já criaram versões mobile de seus sites, mais simplificadas e redimensionadas para melhor visualização e navegação na tela pequena de um smartphone.

Unindo a variedade de equipamentos disponíveis atualmente com as capacidades oferecidas pela tecnologia 3G, o usuário passa a ter uma grande gama de opções de fácil acesso à Internet em qualquer lugar, seja para ler e responder seus emails, enviar mensagens para o Twitter, acessar o Internet Banking, acompanhar a cotação da bolsa de valores, ouvir músicas, assistir vídeos e programas de televisão. E isso é só o começo.

O Planeta está cada vez mais conectado. E no quesito mobilidade as possibilidades são inúmeras e nos revelam que ainda há muito a ser explorado, tanto por parte dos usuários quanto das empresas fornecedoras de produtos e serviços para esse admirável mundo novo.

Para saber mais



Cristiane M. Ferreira é IT Specialist com 17 anos de experiência em Tecnologia de Informação, formada em 1992 pela Universidade Mackenzie e é membro do TLC-BR desde 2006.



Categories : [   internet  |  mobilidade  ]

Jul 30 2009, 12:05:00 AM EDT Permalink



Thursday July 16, 2009

Você tem 5 minutos?

Quantas vezes você já ouviu alguém lhe perguntar se você tinha 5 minutinhos? Essa pergunta é extremamente comum no nosso dia-a-dia, e na maioria das vezes temos mesmo a sensação de que não temos esses minutos livres. Por que a noção de tempo mudou tanto nos últimos anos? Por que cada vez temos menos horas para trabalhar, descansar e nos divertir?

É importante que todos nós aprendamos como administrar o nosso dia-a-dia, pois com o planejamento correto podemos realizar inúmeras tarefas, principalmente aquelas que nunca realizamos por alegada falta de tempo.

Somos nós que controlamos o uso do nosso tempo. Se você utiliza o seu de forma produtiva, estará tirando proveito disso, caso contrário o estará desperdiçando.

Muitas profissões estão cada dia mais valorizando o gerenciamento correto das horas disponíveis, como é o caso dos gerentes de projetos. O gerenciamento do tempo é um dos pontos fortes de uma eficaz gerência de projetos, pois se um profissional sequer  consegue controlar seu próprio relógio, como conseguirá controlar todas as atividades de um projeto?

Para entender como priorizar tarefas é muito importante distinguir o que é urgente do que é importante. Urgente significa que algo requer nossa atenção imediata, enquanto que importante está relacionado aos resultados que contribuem para nossa missão, objetivos e valores, ou seja, todas aquelas atividades que nos beneficiarão no futuro, tais como planejamento, prevenção de problemas e desenvolvimento pessoal.

Com base nisso, alguns especialistas procuram utilizar a matriz ilustrada no quadro central, na qual as atividades do nosso dia-a-dia estão classificadas em quadrantes, a saber:



O quadrante I contém as atividades de maior importância e urgência, lá estão as crises, os problemas que exigem solução imediata e os projetos com data de entrega marcada. É onde normalmente o estresse é gerado. O quadrante II engloba as atividades de prevenção a problemas, desenvolvimento de relacionamentos, identificação de novas oportunidades e planejamento. O quadrante III relaciona as atividadades que interrompem o planejamento, como é o caso dos relatórios e questões urgentes próximas. E por fim o quadrante IV engloba os detalhes, as pequenas tarefas, os telefonemas e outras distrações.  

Um melhor gerenciamento das atividades implica em buscarmos diminuir ao máximo o número de tarefas no quadrante I, que são as tarefas que não podemos adiar, para que possamos focar nas tarefas de planejamento e prevenção a problemas, pertencentes ao quadrante II.

Já as tarefas do quadrante IV são aquelas que sempre devem ser evitadas, por se tratarem de atividades muitas vezes desnecessárias, como o tempo excessivo gasto assistindo televisão.

As atividades do quadrante III não são atividades extremamente importantes, mas são atividades urgentes, como responder a emails ou outras interrupções necessárias, tanto no dia-a-dia familiar como no trabalho.
É importante compreender que devemos evitar ao máximo interromper uma atividade para iniciar outra pois, quando paramos algo, quase sempre perderemos tempo no momento de retornar ao que estávamos fazendo antes da interrupção. A consequência disso é a perda de produtividade.

Por fim, devemos ter consciência de como estamos usando o tempo, já que se trata de um recurso em extinção. Quando o tempo acaba não tem volta e quando não é usado não pode ser estocado para o futuro. O quanto antes aprendermos a gerenciar melhor o nosso tempo, mais o teremos disponível para o nosso uso.

Para saber mais
http://books.google.com/books?id=4JAUkUM-EYUC
http://books.google.com/books?id=B1u9e0Dgx80C
http://en.wikipedia.org/wiki/Time_management


Luciana A. Cardoso é Project Manager com certificação PMP e 6 anos de experiência em Tecnologia da Informação, formada em 2003 em Sistemas de Informação pela Fundação Armando Alvares Penteado.


Categories : [   gerenciamento_tempo  ]

Jul 16 2009, 12:05:00 AM EDT Permalink



Thursday July 02, 2009

A revolução silenciosa da Computação Ubíqua

A evolução tecnológica está a toda velocidade nos dias de hoje.  Vivemos importantíssimas mudanças ao longo dos últimos anos, com o surgimento e popularização dos mainframes, computadores pessoais, palmtops, celulares, smartphones, etc. A Internet chegou e venceu a resistência das pessoas, a barreira das organizações e até mesmo países, fazendo com que o mundo ficasse “pequeno”, cada vez mais próximo e sem fronteiras.

Em paralelo, há uma nova revolução acontecendo de forma silenciosa.  Impulsionado pelo aumento na quantidade de usuários e dispositivos inteligentes, o modelo da Computação Ubíqua, ou Ubicomp, já se encontra em nosso meio. Esse modelo foi proposto inicialmente pelo então pesquisador da  Xerox PARC Mark Weiser (1952-1999), em meados de 1988, através de seu artigo “O Computador do século 21”, no qual ele afirmava que os computadores muito em breve iriam desaparecer dos olhos humanos e simplesmente estariam presentes em tudo, embutidos em etiquetas, roupas, móveis, automóveis, eletrodomésticos, etc. Aparelhos e objetos de uso do dia-a-dia poderiam ganhar novas funcionalidades.  Desde um despertador, que além de conhecer a agenda do proprietário ainda se conectaria à Internet para obter informações do trânsito, de forma a  garantir que seus compromissos não sejam perdidos, até eletrodomésticos que, além de executarem suas funções “nativas”, ainda se comunicariam entre si, possibilitando ao proprietário acionar a lava-louça ou programar o micro-ondas à distância.

Podemos dizer que a Ubicomp é a interseção entre a Computação Pervasiva e a Computação Móvel, e com isso ela se beneficia dos avanços em ambas as áreas. A Computação Ubíqua surge da integração da mobilidade com a presença distribuída, imperceptível, inteligente e altamente integrada de computadores e suas aplicações. A palavra “pervasiva” – derivada do inglês pervasive – não possui um significado claro em português. Seu sentido remete a “penetrante”, “infiltrador”, podendo também ter o sentido de “difundido”, “espalhado”, “difuso” e até mesmo “universal”.

Com a Ubicomp teremos computadores cada vez mais difundidos em nosso ambiente (embutidos em praticamente qualquer coisa que possamos imaginar), sendo usados de forma transparente, ou seja, sem que nos preocupemos com eles ou percebamos sua presença. Haverá também um enorme esforço para tornar as interfaces com o usuário cada vez mais amigáveis. Essa é uma tarefa fundamental para o sucesso desse novo modelo.

Alguns aspectos da Ubicomp merecem uma atenção especial. Em função da grande conectividade dos equipamentos, será preciso que firewalls, antivírus e outros sistemas de proteção estejam embutidos nos dispositivos, a fim de garantir a segurança e a privacidade dos dados trafegados, através do uso de certificados digitais, controle de autenticação e autorização e garantia de integridade das informações.

Por fim, outra grande preocupação na implementação do modelo proposto por Mark Weiser será a complexidade dos sistemas, mais especificamente a dificuldade de integração e a facilidade de uso.  Por conta da quantidade excessiva de dados gerados foi sugerida a Calm Computing, que determina que a informação que importa é aquela que informa sem exigir a nossa atenção.

A próxima era computacional fará com que não nos preocupemos mais com as “máquinas”. Elas simplesmente permearão nossas vidas, participando cada vez mais de nosso cotidiano sem que isso seja evidente, a não ser que assim desejemos. Essa será a grande mudança que iremos vislumbrar nesse futuro que se aproxima.

Para saber mais



Marcos da Cunha Corchs Rodrigues é IT Specialist, com 7 anos de experiência em Tecnologia de Informação, formado em Informática com ênfase em Análise de Sistemas pela Universidade Estácio de Sá e possui as certificações SOA, Object Oriented Analysis and Design vUML2 e Rational Software Architect.

Categories : [   inovacao  |  ubicomp  ]

Jul 02 2009, 12:05:00 AM EDT Permalink



Thursday June 18, 2009

Gerenciando a qualidade dos serviços do seu negócio

Imagine você, em um domingo, em frente à televisão, assistindo a um jogo do seu time do coração através do serviço de IP-TV que você acabou de contratar e no momento em que seu time vai bater um pênalti a imagem da televisão começa a congelar.

Agora imagine outra cena, na qual você está em uma ligação com seu melhor cliente através do seu aparelho de IP-Fone e, no momento de fechar o negócio, seu cliente começa a ouvir a sua voz como se fosse a voz do “Pato Donald” (voz metalizada), não conseguindo entender uma só palavra que você está dizendo.

Com a inserção de novas tecnologias no mercado ou mesmo em relação às tecnologias e facilidades já amplamente utilizadas, tais como o Internet Banking ou o Comércio eletrônico, os provedores de serviços precisam estar cada vez mais atentos para o quesito qualidade, pois como existem diversas opções de fornecedores para um mesmo serviço, a qualidade é certamente um dos diferenciais competitivos que são levados em consideração pelos clientes na hora da contratação.

No mundo atual, para atender às demandas e exigências do mercado, é necessário que os prestadores de serviços amadureçam a forma de gerenciar suas redes, algo que começa com a gerência de falhas, a qual verifica se os recursos de infraestrutura estão disponíveis. Essa é uma etapa crítica e importante, mas não é suficiente. Em nossos exemplos iniciais, os serviços se encontravam disponíveis, apesar da tela congelada do serviço de IP-TV ou da voz de pato na utilização do IP-Fone. Provedores de serviços que só gerenciem falhas, só saberão de problemas como esses quando seus clientes começarem a ligar insatisfeitos para suas centrais de atendimento.

Quando pensamos em uma solução de gerência de serviços completa, é necessário identificar a causa-raiz dos problemas, através da coleta de indicadores de desempenho (KPIs) e eventos de falhas dos recursos. Esses dados ao serem correlacionados podem ser transformados em informações de qualidade (Key Quality Indicators) ou em eventos enriquecidos de informações relevantes para a solução dos problemas. É possível também aplicar os eventos de desempenho e falhas coletados a um modelo de negócio, de modo a identificar qual linha de negócio está sendo impactada, ou seja, qual o cliente final que está sendo afetado. Para alcançar tal nível, é necessário possuir um processo de gerência de serviços bem definido, suportado por melhores práticas de mercado, como o ITIL, e ferramentas adequadas. Com informações relevantes e precisas em mãos, os prestadores de serviços são capazes de priorizar a resolução de problemas de forma rápida e pró-ativa e atuar de forma mais eficiente e eficaz.

Em nossos exemplos, se o provedor dos referidos serviços tivesse mapeado corretamente a situação e pudesse coletar e correlacionar todos os indicadores necessários em sua infraestrutura como, por exemplo, jitter (variação do atraso), latência, rotas com alta utilização e pacotes perdidos, seria possível, de forma dinâmica, redirecionar os serviços em uso para outras rotas, fazendo com que você não perdesse o gol do seu time ou o fechamento do negócio com seu cliente devido a problemas nesses serviços.

O direcionamento global para os serviços como o impulsionador primário do valor econômico significa que a competitividade é em escala global e que exige qualidade na execução dos serviços. A tecnologia que veio para facilitar o nosso dia a dia, também nos deixa cada vez mais dependentes e exigentes, fatos que podem se transformar em riscos ou oportunidades para os prestadores de serviços.

Para saber mais


Alisson Lara Resende de Campos é Especialista de Sistemas certificado pela IBM com 12 anos de experiência em tecnologia de informação, formado em Computação pela Universidade Mackenzie, com especialização em Redes pela FASP. É membro do Board de Certificação de IT Specialist Américas da IBM desde 2006.

Categories : [   monitoracao  |  negocios  ]

Jun 18 2009, 12:05:00 AM EDT Permalink



Thursday June 04, 2009

PCI-DSS: o que é e por que implementá-lo?

Os números apresentados pela Internet World Stats indicam um índice de penetração na grande rede de 21,9% da população mundial (aproximadamente 1,5 bilhões de internautas), representando um crescimento de 305% no período entre 2000 e 2008. Se considerarmos a região da América Latina e Caribe esse índice é de 24,1%, o qual significa uma população de cerca de 139 milhões de internautas e representa um crescimento impressionante de 670% nesse mesmo período. Já o comércio eletrônico brasileiro, segundo a e-bit, vem crescendo a uma média de 40% ao ano. Em 2008 esse comércio movimentou R$ 8,8 bilhões por intermédio de 12 milhões de consumidores.

Outro dado importante é o que reflete o crescimento do número de transações envolvendo cartões de crédito, o qual somente em Julho de 2008 atingiu a marca de 508 milhões, um crescimento de 21% em relação ao mesmo mês do ano anterior, sendo responsável por um volume de operações na ordem de R$ 32 bilhões em compras com “dinheiro de plástico”, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (ABECS).

Com o crescimento do índice de penetração da Internet e da adesão ao comércio eletrônico, o cartão de crédito, que é hoje a forma mais prática e usual para as transações comerciais on-line, passou a ser o alvo preferencial das fraudes no mundo das vitrines virtuais. Segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), em 2007 os prejuízos com a fraudes praticadas em meios de pagamento eletrônico no Brasil somaram mais de US$ 150 milhões.

Com o objetivo de proteger o consumidor contra a crescente onda de fraudes envolvendo transações comerciais baseadas em cartões de crédito, as grandes operadoras (American Express, Discover Financial Services, JCB International, MasterCard e Visa) decidiram formar um conselho, o Payment Card Industry Security Standards Council (PCI SSC), para que seus programas individuais de segurança fossem unificados, dando origem a um padrão único de mercado, o Payment Card Industry - Data Security Standard (PCI-DSS), cuja primeira versão foi publicada em dezembro de 2004 e atualmente encontra-se na versão 1.2, publicada em outubro de 2008. 

Os requisitos de segurança especificados no PCI-DSS se aplicam a todos os elementos de sistemas que participam do processamento de dados de cartão de crédito, dentre os quais estão os componentes de rede, servidores, aplicativos e gerenciadores de bancos de dados envolvidos quando um número de cartão de crédito é transmitido, processado ou armazenado durante o fluxo de uma transação comercial.   

Portanto, para que todo processo de tratamento digital de um número de cartão de crédito, o qual é tecnicamente conhecido como Personal Account Number (PAN), seja feito de forma segura, o PCI-DSS define uma série de 12 requisitos organizados em 6 grupos logicamente relacionados:

  • Construir e manter uma rede segura;
  • Proteger as informações dos portadores de cartão;
  • Manter um programa de gerenciamento de vulnerabilidades;
  • Implementar medidas fortes de controle de acesso;
  • Monitorar e testar as redes regularmente;
  • Manter uma política de segurança da informação.

Para atender a cada um dos 12 requisitos distribuídos entre esses 6 grupos citados, as empresas têm que investir em tecnologias de hardware e software além de contratar serviços especializados em segurança de informação.

Dentre as tecnologias recomendadas para endereçar tais  requisitos podemos destacar equipamentos de firewall, placas de criptografia, gerenciadores de identidades, controladores de acesso e gerenciadores de conformidade com políticas de segurança.     

No Brasil as empresas que estão dentro do contexto do PCI-DSS, sejam elas virtuais ou do mundo físico, terão, por determinação das principais bandeiras de cartão de crédito do mercado, apresentar avanços positivos na redução de riscos das transações até setembro deste ano e alcançar a conformidade total até setembro de 2010. O Conselho do PCI certificou algumas entidades, conhecidas como Qualified Security Assessors (QSA), para executar a avaliação de conformidade ao PCI-DSS nas empresas e apresentar sugestões de medidas corretivas para promover o alinhamento ao novo padrão. Espera-se com isso tudo um grande salto de qualidade na segurança das transações comerciais eletrônicas, na direção de um laneta mais seguro e inteligente.

Para saber mais


Eli F. Martins é Arquiteto e Especialista de TI com mais de 30 anos de experiência em hardware, software e serviços, formado em Eletro-mecânica e graduado em Ciências Humanas pelas Faculdades Metropolitanas Unidas, é membro do TLC-BR desde 2004.

Categories : [   internet  |  segurança  ]

Jun 04 2009, 12:01:00 AM EDT Permalink



Thursday May 21, 2009

A crescente importância da energia em TI

Na década de 60 o Dr. Gordon Moore, cofundador da Intel, previu que a densidade de transistores em um único chip dobraria a cada dois anos, o que ficou conhecido como a Lei de Moore. Por muito tempo, houve descrédito da comunidade científica devido à quantidade de energia que seria exigida para concretizar tal previsão. Entretanto, esse crescimento ocorreu indiferentemente a tais descréditos.

A evolução tecnológica na manufatura do chip permitiu um maior número de transistores por processador devido à redução de tamanho dos mesmos. Atualmente com 45ηm, e com tecnologia renovada, a quantidade de transistores em um chip saltou para aproximadamente 1 bilhão e a frequência de operação (clock)  para 5GHz.

A consequência da combinação desses dois fatores é o maior consumo de energia por cm2, que aumenta muito a temperatura no chip. Apesar disso, há uma maior eficiência, com o aumento de processamento por watt.

Atualmente, a Lei de Moore, enfrenta o seu maior obstáculo: a falta de tecnologia economicamente viável para resfriar o chip, pois após uma determinada temperatura, o sistema fica instável (leakage ou tunneling), e pode sofrer um colapso.

Essa barreira termodinâmica foi adiada com a inovação dos processadores multi-core indicados ao processamento de múltiplas tarefas. Nesses chips o clock foi levemente reduzido para que a temperatura fosse mantida no patamar dos processadores single-core, e incorporou-se uma nova arquitetura a qual permitiu que tarefas distintas pudessem ser executadas em paralelo. Dessa forma, o tempo gasto com o enfileiramento de tarefas foi reduzido, assim como o tempo total para execução de todas as tarefas. Para aplicações cujas tarefas não podem ser paralelizadas, entretanto, essa inovação ainda não trouxe benefício mensurável.

A expectativa para vencer esse obstáculo está no surgimento de alguma ruptura semelhante à que ocorreu na transição da tecnologia de transistores bipolares para a CMOS (Complementary Metal Oxide Semicondutor). Essa possibilidade ainda é remota para os próximos anos e enquanto isso, algumas inovações são esperadas, tais como os transistores com espessuras de 32 ηm (2009) e 22ηm (2011). E há ainda algumas pesquisas utilizando resfriamento forçado por líquido diretamente em chips, como, por exemplo, os chips stacks da IBM.

O crescimento de capacidade de processamento das máquinas e de seu respectivo consumo de energia, aumenta o custo de operação dos servidores. Adicionalmente, dois outros fatores têm auxiliado para aumentar esse custo: o crescente investimento na infraestrutura de fornecimento de energia estabilizada para atender às necessidades de um alto nível de disponibilidade dos ambientes de data center (>99,9%), e ainda, o relevante aumento do custo da própria energia (KWh) ao longo dos últimos anos.

A maior parte do custo de operação de um servidor está na alimentação elétrica ao longo de sua vida útil. Aproximadamente metade da potência é consumida por componentes auxiliares (fonte, ventiladores, chipset, etc.), independente da utilização do processador. Ou seja, um servidor quando não faz processamento algum, já consome em torno da metade de sua potência real máxima. Quando verificamos como a metade restante está sendo utilizada, por processador e memória, percebemos que muitos possuem uma baixa utilização ao longo do tempo (<20%).

Diante desse cenário, é evidente a importância de se considerar o consumo da energia no desenho de uma solução de TI. É imprescindível, portanto, fazer uso das técnicas de virtualização e consolidação disponíveis atualmente para se aumentar a taxa de utilização dos servidores em relação à sua capacidade máxima de processamento e reduzir assim, ou até mesmo eliminar, a capacidade ociosa.

Eliminar o desperdício aumenta a eficiência dos ativos, espinha dorsal do conceito de Lean Manufacturing. Ao otimizar a utilização da infraestrutura disponibilizada, o custo é reduzido assim como a necessidade de se realizarem novos investimentos para sua ampliação.

Para saber mais
  • http://www.uptimeinstitute.org/
  • Microprocessor Design, por Grant McFarland (2006)
  • Green to Gold, por Daniel Esty e Andrew Winston (2006)
  • Lean Thinking, por James Womack (2003)



Paulo de Andrade Jr. possui 20 anos de experiência em áreas de Engenharia e Supply Chain, em empresas no Brasil e Europa, e é formado pela Escola de Engenharia Industrial de São José dos Campos.


Categories : [   energia  |  infraestrutura  ]

May 21 2009, 02:00:00 AM EDT Permalink



Thursday May 07, 2009

Enterprise Asset Management

Em pleno século XXI, vivenciamos uma crise financeira mundial, com grandes oscilações na economia, inibindo a obtenção de crédito pelas empresas, e prejudicando novos investimentos e taxas de crescimento esperadas. Na chamada era da informação e do conhecimento, é possível observar que a instabilidade do cenário mundial contribui ativamente para o acirramento da competição entre as empresas, cujo principal objetivo passa a ser a sobrevivência.

Nesse cenário turbulento, a busca por mais eficiência motivou as organizações a procurarem diferenciais competitivos, através da otimização dos seus processos estratégicos, da capacitação de seus colaboradores, da valorização dos seus recursos informacionais e, principalmente, do uso inteligente de seus ativos.

No que tange ao uso inteligente dos ativos organizacionais, pesquisas recentes estimam que os custos de operação e manutenção de ativos podem representar valores de 20 a 40% do custo operacional de uma organização. Esses ativos podem ser máquinas ou componentes tecnológicos, tais como hardware, software e firmware, ou mesmo prédios e frotas. Empresas dos segmentos de Utilities-Geração, Utilities-T&D, Mineração, Siderurgia, Química e Petroquímica, entre outros, têm a lucratividade vinculada diretamente à disponibilidade, confiabilidade e desempenho dos seus ativos e serviços inerentes. Um outro aspecto importante e que também está ligado à gestão eficiente dos ativos organizacionais refere-se à imagem da empresa, uma vez que a falta de controle pode aumentar significativamente o risco operacional.

Um exemplo de risco associado à falta de gestão dos ativos, e que provocou uma tragédia, foi o acidente ocorrido na plataforma para extração de petróleo Piper Alpha, no mar do Norte, operada pela Occidental Petroleum, em 06 de julho de 1988, resultando a morte de 167 pessoas. A investigação do acidente apontou que o vazamento inicial foi provocado por um procedimento inadequado de manutenção, realizado simultaneamente em uma bomba e sua válvula de segurança. Outro fato semelhante aconteceu no dia 08 de janeiro de 2003, quando um avião da Air Midwest caiu na Carolina do Norte, EUA, resultando a morte de 21 pessoas. De forma similar, a investigação identificou que problemas relacionados à manutenção das aeronaves foram as principais causas do acidente.

Ao adotar as melhores práticas de EAM (Enterprise Asset Management ou Gestão Corporativa de Ativos), as organizações conseguem planejar melhor e, assim, otimizar a utilização dos seus ativos, promovendo a redução dos custos de operação, manutenção, paradas não previstas de equipamentos, custos de mão-de-obra e inventários. Há ainda o benefício da retenção de conhecimento e o aumento da confiabilidade, disponibilidade e da vida útil dos seus recursos, atendendo às regulamentações relacionadas à segurança ocupacional, saúde dos empregados e leis ambientais.

O principal objetivo da EAM é proporcionar a gestão eficaz do ciclo de vida de todos os recursos físicos da empresa, que tenham impacto direto e significativo nas operações e no desempenho do negócio, provendo uma maior visibilidade dos ativos e suas informações relacionadas à manutenção, garantindo maior aderência a normas e minimizando riscos. Para tanto, uma solução de EAM deve contemplar o planejamento do investimento, a especificação do ativo, o desenho e construção do ativo, sua operação e manutenção e, finalmente, o descarte e/ou substituição, compreendendo também os aspectos relacionados à aquisição do ativo e à gestão de contratos. Empresas como IBM, SAP e IFS possuem soluções de tecnologia da informação que servem como suporte para a implantação de uma gestão eficiente dos ativos organizacionais.

Em síntese, num cenário no qual as empresas precisam produzir mais com menos, a EAM ajuda a endereçar os desafios provenientes das variações rápidas de demanda, permitindo às organizações um melhor posicionamento frente às mudanças impostas pelo mercado.

Para saber mais


Roger Faleiro Torres é Projetista de Sistemas Sênior, com 18 anos de experiência em tecnologia de informação, formado em Ciência da Computação pela PUC/MG, com MBA em Gestão Empresarial e em Logística Empresarial, pela FGV. É mestre em Administração de Empresas, com ênfase em Gestão da Informação, pela FEAD.

Categories : [   asset_management  |  desenvolvimento  ]

May 07 2009, 12:00:00 AM EDT Permalink



Thursday April 23, 2009

Os Sistemas Operacionais estão em toda parte

O sistema operacional (SO) é um conjunto de programas cuja função básica é servir de interface entre o hardware de um computador e os seus aplicativos, administrando e gerenciando recursos como processadores, memórias e discos. É algo tão essencial para o computador quanto é o coração para o corpo humano.

O componente principal de um SO é o seu núcleo, chamado de kernel. Há vários tipos de kernel, sendo que os mais comuns são os microkernels e os monolíticos. No microkernel, a camada de abstração acima do hardware trabalha apenas com os serviços básicos do SO, como gerenciamento de memória, execução de múltiplas tarefas e comunicação interprocessos. Outros serviços, tais como a comunicação em rede, rodam em camadas acima do kernel.  Já no kernel monolítico, presente na maioria dos SOs de mercado, todos os serviços e tarefas são executados em um mesmo espaço de endereçamento de memória.

Nos computadores pessoais, os SOs mais conhecidos são o Windows da Microsoft, o MacOS da Apple e o Linux, cujo kernel foi criado e disponibilizado como software livre, fato que possibilitou o surgimento de várias distribuições desse sistema no mercado.

Nos servidores de pequeno e médio porte, o Windows e o UNIX são os  SOs mais utilizados, sendo que o UNIX possui diferentes implementações tais como o IBM AIX, HP UX, Sun Solaris, FreeBSD, OpenBSD e o próprio Linux, que também é classificado como um sistema UNIX.

No segmento de servidores de médio porte podemos ainda citar o IBM i, uma atualização do antigo IBM OS/400, que entre suas principais características está a tecnologia chamada de “memória de nível único”, que é capaz de gerenciar toda a memória física e disco como se fosse um único espaço de armazenamento do sistema. Além disso, esse servidor possui o banco de dados IBM DB2 integrado ao SO, rodando várias tarefas diretamente no kernel.

Nos servidores de grande porte, também chamados de mainframes, o SO mais utilizado atualmente é o IBM z/OS, uma evolução do antigo IBM OS/390. Esse SO é conhecido pela alta segurança e robustez, não só na execução de aplicações tradicionais como CICS e IMS mas também de aplicações Java e TCP/IP. Os mainframes hoje suportam também o Linux, que em conjunto com o SO IBM z/VM, tem sido muito usado na consolidação de servidores. Pode-se notar que o Linux é o único SO suportado por todos os tipos de  computadores, dos pessoais aos mainframes.

O uso de SOs vai além dos servidores e computadores pessoais. Eles estão também, entre outros, em celulares, PDAs, tocadores de MP3, sistemas embarcados e até em máquinas de grande porte para manufatura e robótica.

As necessidades das aplicações é que ditam o hardware e o SO a serem utilizados. No caso dos computadores pessoais, a escolha é geralmente feita por aquele SO que traga uma maior facilidade no seu uso diário e na forma como gerencia o hardware. O Windows se tornou popular por ter uma grande variedade de aplicaçõesdisponíveis e de drivers para dispositivos de hardware, além de ser de fácil acesso e uso por parte dos usuários. No caso do SO para servidores, vários requisitos devem ser considerados, tais como a importância da aplicação para o negócio, a capacidade de suporte disponível para o SO escolhido e os padrões tecnológicos utilizados pela empresa.

E qual será o futuro desses sistemas? Alguns visionários de tecnologia acreditam que com as conexões de rede cada vez mais presentes e velozes, os computadores pessoais ao serem ligados, carregarão um SO a partir da Internet e utilizaremos apenas browsers para ter acesso aos aplicativos e serviços online. Já para os SOs dos servidores acredita-se que caminham na direção da computação autonômica, com a qual terão um funcionamento sensível ao contexto, ou seja, serão capazes de se autoconfigurarem de maneira a atender de forma otimizada aos requisitos de carga de trabalho.

Para saber mais

Rudnei R. Oliveira é Especialista de Sistemas com 12 anos de experiência em Tecnologia de Informação e formado em Tecnologia de Informação com ênfase em Negócios pela FATEC-SP.


Categories : [   sistemas_operacionais  |  software  ]

Apr 23 2009, 12:00:00 AM EDT Permalink



Thursday April 02, 2009

As emoções, a Inteligência Artificial e os negócios

Sistemas computacionais já são capazes de expressar emoções? Se sim, como isso poderia afetar o mundo dos negócios?

A resposta começa em um novo campo de pesquisas chamado de Affective Computing, criado no MIT em meados da década de noventa. Trata-se de um campo de natureza interdisciplinar, para o qual concorrem a Psicologia, a Neurociência, a Sociologia, a Psicofisiologia, as Ciências Cognitivas e as Ciências da Computação, principalmente no ramo da Inteligência Artificial.

As pesquisas em Affective Computing subdividem-se em duas principais vertentes: a primeira realiza estudos sobre as emoções humanas e suas reações por meio de técnicas computacionais; a segunda pretende criar sistemas computacionais capazes de expressar emoções (artificiais) em resposta a estímulos externos.

Um dos estudos realizados no MIT enfoca o autismo infantil, abordando a maneira como as crianças com esse distúrbio reagem às suas próprias emoções. Utiliza um programa de monitoramento das alterações faciais e cria sistemas que interagem e até auxiliam na educação em termos de comportamento social. Já existem alguns equipamentos que podem reagir aos gestos e expressões do ser humano mostrando felicidade ou tristeza e até capturando odores e sons do ambiente.

Complementando a resposta à pergunta inicial, existe um outro campo de pesquisas conhecido como Responsive Systems, cujatecnologia permite desenvolver equipamentos querespondam a estímulos ou eventos externos, isto é, sistemas que reagem e tomam ações quando “sentem” alterações no ambiente ou quando recebem estímulos de outros sistemas. Por exemplo, um sensor (de nível, temperatura, etc.) que atinge um determinado valor é percebido por um Responsive System que ativa outros subsistemas e toma uma série de ações pré-determinadas.

Os Responsive Systems têm grande valor em aplicações de “chão de fabrica” onde se apresentam sob a forma de sistemas embarcados (embedded systems), com hardware e software dedicados. Também são conhecidos como Sistemas de Tempo Real ou Sistemas Baseados em Eventos.

Essa tecnologia é atualmente bastante empregada em processos de produção industrial, nos quais sistemas que controlam processos são capazes de acionar outros sistemas ou tomar alguma outra ação quando “percebem” a ocorrência de um evento ou recebem algum estímulo. Muitos sistemasimplementam essa capacidade para poder atender aos requisitos de tempo de resposta e segurança.

É possível notar uma convergência de Affective Computing e Responsive Systems para uma ciência que visa criar sistemas autônomos e inteligentes, reagindo de acordo com a observação do ambiente, incluindo os seres humanos e seus gestos, expressões, sinais de humor e sons. Mas como relacionar essas tecnologias com o mundo dos negócios?

A utilização dos Responsive Systems, antes aplicados somente em ambientes considerados críticos (por exemplo uma usina nuclear), vem crescendo em sistemas corporativos, e temos ainda mais possibilidades ao utilizá-los juntamente com Affective Computing. Previsões da bolsa de valores poderiam ser realizadas com base em parâmetros subjetivos, tais como ânimo e expectativa. Sistemas de varejo poderiam estudar tendências de compra e venda, e até criar correlações com situações de estresse e alterações de humor.

Tendo em vista a grande quantidade de aplicações no mundo dos negócios, a utilização dos Responsive Systems, aliada às técnicas de inteligência artificial e apoiada pelos avanços do Affective Computing poderá oferecer ferramentas de apoio à tomada de decisões. Pois mesmo que o homem procure agir de maneira racional, segundo o discurso cartesiano, ele é constantemente influenciado por suas próprias emoções e pelo ambiente ao seu redor.

Para saber mais



Kiran Mantripragada é um IBM Certified IT Specialist, atualmente arquiteto de infraestrutura com mais 15 anos de experiência em TI e desenvolvimento de software. É formado em Engenharia Mecatrônica e mestrando em Engenharia de Software pelo IPT.


Categories : [   inteligencia_artificial  |  negocios  ]

Apr 02 2009, 12:28:40 AM EDT Permalink



Thursday March 19, 2009

O que há na sua Caixa Postal?

Quando o grupo humorístico britânico Monty Python começou a usar, nos anos setenta, o termo spam para indicar algo indesejado, não se imaginava que esse termo viesse a se tornar tão conhecido quanto odiado na área de informática, um sinônimo de todos aqueles emails que são enviados sem que tenham sido solicitados.
Hoje, com o aumento da oferta e da capacidade de provedores de emails gratuitos, há um prato cheio para os spammers (aqueles que praticam spam). Correntes, prêmios, propaganda e tudo mais que alguém queira divulgar, pode fazê-lo quase de graça utilizando apenas o envio de emails. Segundo os cálculos da empresa MessageLabs cerca de 75% do tráfego de emails no mundo é spam.

O problema fica ainda maior quando recebemos não só propaganda mas emails com “segundas intenções”, os chamados phishing scams, cujo propósito é ter acesso aos nossos dados pessoais e confidenciais ou enviar mensagens em nosso nome.

O termo phishing scam indica o método utilizado por spammers mal intencionados (chamados de scammers), que enviam mensagens com “iscas” para várias pessoas tentando enganá-las, seja atraindo-as a acessar um determinado website ou instalando algum programa que colete dados confidenciais. Os scammers chegam a montar réplicas de páginas originais, mas com endereços alterados. Todos os dados que a vítima vier a informar na tal página serão enviados aos fraudadores que os utilizarão em golpes, tais omo entrar na conta bancária da vítima com os dados coletados. Mesmo que poucas pessoas caiam nessas armadilhas, ainda assim os scammers sairão ganhando pois o custo dessa prática é baixíssimo.

Com o aumento de complexidade das soluções de segurança, aumentou também a criatividade dos scammers, que se aproveitam cada vez mais de algumas características humanas tais como curiosidade, ingenuidade e carência. Esse problema tem se tornado crítico para as empresas, que passaram a investir cada vez mais em ferramentas de defesa e na educação dos funcionários. Algumas ações podem reduzir bastante o grau de exposição a essas ameaças:

  • A chave para o spam e phishing scam é o seu endereço de email. Logo, trate-o como informação confidencial, não o forneça em websites nos quais não confie e, principalmente, não use o endereço de email da empresa em formulários de cadastro.
  • Não abra arquivos nem links recebidos por email. Tenha cuidado até com os enviados por pessoas conhecidas, uma vez que seus computadores podem estar contaminados. Ao invés de clicar em links recebidos, prefira a opção de digitar o endereço no browser ou copiá-lo e colá-lo.
  • Se ficar em dúvida com relação a um determinado email, pesquise na Internet informações relacionadas ao assunto, nome do remetente ou palavras do conteúdo, pois certamente você não foi o primeiro a receber esse email. Muitos golpes são facilmente desmascarados assim.
  • Sua estação de trabalho deve possuir programas de antivírus e firewall, e ambos devem sempre estar atualizados.
  • Prefira browsers mais seguros, como o Mozilla Firefox e Internet Explorer na versão mais recente, que já vêm com anti-phising instalado.

E, como nada é infalível, a precaução é a melhor vacina. A atenção com os emails que você recebe e envia é fundamental para que se possa controlar a disseminação dessas pragas virtuais.

Para saber mais


Sandro Augusto da Silva é IT Specialist, com 12 anos de experiência em tecnologia de informação, formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Uberlândia.


Categories : [   internet  |  segurança  ]

Mar 19 2009, 12:10:00 AM EDT Permalink



Thursday March 05, 2009

A Volatilidade de Requisitos

Quando um projeto em TI se inicia, ainda na sua fase de concepção, uma das atividades primordiais é o levantamento dos requisitos funcionais que, teoricamente, irão reger um novo método de atuação da organização em um determinado ramo de sua atividade, às vezes com um prazo indeterminado de conclusão.

A variação que os requisitos sofrem durante o ciclo de vida de um projeto em relação a uma média aceitável de variações é o que se chama de Volatilidade de Requisitos.  São muitos os fatores que podem determinar se os requisitos de um determinado projeto são voláteis ou não, como por exemplo a imaturidade do cliente, a sonegação de informações, a inexperiência dos analistas de requisitos, o mercado em que o projeto está inserido etc. Mas, via de regra, a volatilidade de um requisito é determinada pela influência de um fator externo a esse requisito, ou seja, o quanto algo não diretamente ligado ao projeto pode mudar os requisitos desse projeto. Quanto mais sensível um requisito é a um fator externo, mais volátil ele é; e quanto mais volátil é o requisito, maior o risco de não se entregar o projeto no prazo estipulado ou dentro da faixa de custos previamente aprovados.

Arquitetos de TI devem trabalhar com modelos que se adequem a essa volatilidade. Não se pode prever o futuro, mas considerar a Volatilidade Histórica e a Volatilidade Potencial pode ajudar a ter uma visão mais clara do cenário no qual o projeto está inserido. A Volatilidade Histórica é a volatilidade determinada tendo como referência um período de tempo passado. Mesmo que seja impossível prever se um requisito poderá ou não variar, analisar o volume de requisitos que já foram alterados pode fornecer uma aproximação da possibilidade de alterações futuras e do perfil do cliente, de maneira a elaborar arquiteturas menos sensíveis a essas variações. A Volatilidade Potencial é a volatilidade que está intrinsecamente ligada ao fator externo ao projeto no qual o requisito está inserido.

No Setor Público, por exemplo, um ministro que assuma um determinado ministério geralmente leva consigo diversas indicações de pessoas para assumir cargos gerenciais de confiança em seu novo ministério, cada qual com sua forma específica de trabalho.  Se o requisito de um projeto estiver vinculado à forma do governo vigente trabalhar, na troca desse, o projeto poderá, facilmente, se tornar obsoleto e, como conseqüência, todo o investimento prévio poderá ruir porque não se previu essa possibilidade. Por essa razão, quanto menos atrelado à forma de trabalho vigente for um sistema, menos voláteis serão os requisitos.

Em cenários como esses, a utilização de técnicas ágeis de desenvolvimento (Agile Techniques) é uma boa opção para acomodar variações de requisitos no decorrer de um projeto. Essas técnicas proporcionam contínuo feedback dos stakeholders e analistas de negócio durante todo o ciclo de vida do projeto, com o intuito de entregar uma solução precisa, de alta qualidade, através de curtas iterações e pequenos releases.

Além de usar técnicas ágeis de desenvolvimento, é imprescindível que o projeto seja modularizado e que os ciclos de cada módulo sejam curtos e com vida própria, ou seja, cada módulo pode depender do todo que já tenha sido implementado, mas esse todo não deve depender funcionalmente de nenhum módulo. Dessa forma, caso a lógica de um módulo seja mudada por uma variação de requisito, mesmo sendo drástica a ponto de invalidá-lo por completo, o restante não será impactado porque não depende tecnicamente desse módulo para sua continuidade. Um ciclo de desenvolvimento iterativo e incremental para suprir as deficiências do modelo em cascata (Waterfall), em conjunto com uma arquitetura orientada a serviços, na qual cada módulo seja considerado como um serviço independente, podem amenizar o impacto das mudanças nos cenários.

É praticamente impossível elaborar uma arquitetura imune à volatilidade dos requisitos, mas seus efeitos podem ser minimizados. O conhecimento do cliente, através da análise das volatilidades histórica e potencial, ajuda a elaborar arquiteturas menos vulneráveis. A realidade é que raramente o cliente sabe exatamente o que quer na fase de concepção de um projeto e quando sabe, muitas vezes não consegue articular corretamente sua necessidade. E mesmo que o cliente consiga definir e articular todos os requisitos, sabe-se que muitos detalhes somente serão descobertos durante a fase de implementação. Os Arquitetos de TI devem estar atentos a todos esses detalhes para evitar que seus projetos padeçam da “síndrome dos 90%”, aquela na qual a homologação acaba não acontecendo porque o sistema não se mostra capaz de atender a todas as necessidades para as quais foi projetado.

Para saber mais
http://www.westpole.com/pdf/use-cases.pdf
http://www.mcbreen.ab.ca/papers/UseCaseNotes.pdf
http://portal.acm.org/citation.cfm?id=9800


Marcelo Henriques de Castro é Advisory IT Architect, com 8 anos de experiência em Tecnologia de Informação.


Categories : [   desenvolvimento  ]

Mar 05 2009, 03:00:00 AM EST Permalink



Thursday February 19, 2009

Teste e Qualidade de Software

Nos últimos anos a busca por qualidade de software tem crescido bastante no Brasil e no mundo. Anteriormente  a cultura de qualidade era praticada apenas por fábricas de software. Agora ela também tem sido adotada por empresas usuárias de tecnologia em seus produtos internos.

A qualidade de software contraria o jargão “sempre superar as expectativas do cliente”. Nessa disciplina até se busca isso, porém no momento certo, ou seja, apenas durante a definição do escopo. Na fase da construção do software é preciso ser fiel ao plano inicial, ou seja, entregar exatamente o que foi pedido. Não se deve arriscar o projeto em função de oportunidades e melhorias que eventualmente surjam pelo caminho. Esse é um dos preceitos de qualidade de software. Mudanças de escopo são inevitáveis, mas devem ser planejadas para uma versão posterior, a menos que exista uma necessidade inadiável por parte do cliente.

A arquitetura do software deve de ser aderente aos requisitos especificados. Ela pode ser inovadora, duradoura e ainda tentar resolver, não só os problemas previstos, mas também os imprevistos. É nesse momento que a equipe de desenvolvimento deve vislumbrar o que é realmente necessário e não apenas o que foi pedido. 

Segundo uma pesquisa do Gartner Group feita em 2000 com mais de 1300 profissionais, uma das maiores causas de fracasso em projetos de software é a falta de escopo. Na ânsia de iniciar logo os trabalhos, a fase de definição de escopo é reduzida ao extremo. O resultado disso é um grande número de correções feitas durante a fase de desenvolvimento. O tamanho da fase de definição de escopo é inversamente proporcional ao da fase de correções. Quanto melhor for definida a fase inicial, menos tempo se gasta com discussões desnecessárias na fase final do projeto. Atualmente esse problema ocorre em 25% dos casos, de acordo ainda com o Gartner Group. Outros problemas que ocorrem na maioria dos projetos são a insatisfação do cliente, o baixo índice de adoção do produto, o retrabalho excessivo, a pouca aderência da solução e, o pior, a imagem da empresa prejudicada. Esse último item é muito difícil de ser mensurado, mas os comentários ruins sobre um produto e sua implantação mancham a reputação de uma empresa em grande escala.

No processo de desenvolvimento de software, os planos de teste normalmente surgem junto com a entrega dos requisitos e das especificações para a equipe de desenvolvimento. Quando um software é classificado como bom em função dos poucos defeitos que possui, os desenvolvedores dizem que isso se deve a eles. Já a equipe de testes diz que é em função da sua atuação. Na realidade, o que define a qualidade do software é justamente a junção desses dois fatores. É do conflito de visões entre as equipes de desenvolvimento e de testes que surge a qualidade do software. É justamente nesse momento que se tem diferentes soluções para um mesmo problema e discute-se qual é a melhor em relação ao negócio do cliente.

O processo de qualidade pode ser apoiado por ferramentas de automação que poupam a equipe de testes de executar atividades repetitivas para que eles possam se dedicar a atividades de maior valor agregado, como regras de negócio e casos de uso reais. Algumas dessas ferramentas possuem integração total a todas as etapas do projeto, desde o desenho até o lançamento, integrando todas as equipes em uma mesma plataforma.

Quanto mais tempo se demora para detectar um erro em um software, mais caro ele fica. Esse custo pode ficar até 80% mais alto se for detectado no cliente, uma vez que envolve deslocamentos e a imagem da empresa.

Seja um laboratório de software ou um departamento interno que cria suas próprias aplicações, a sua reputação pode ser feita ou destruída sempre que um produto for lançado. Por isso a preocupação com qualidade de software torna-se cada vez mais essencial para qualquer empresa que queira se destacar no mercado.

Para saber mais


Julio Madeira é Engenheiro de Testes, com 10 anos de experiência em Tecnologia de Informação e pós-graduado em Gestão Estratégica de TI pela FGV.

Categories : [   desenvolvimento  ]

Feb 19 2009, 05:00:00 AM EST Permalink

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