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author Software, Open Source, SOA, Innovation, Open Standards, Trends

Pensando Software. Um blog para debater ideias, inovacoes e tendencias da industria de software.



Monday April 28, 2008

Impacto Econômico do Open Source (3)

Bem, continuo com minha série de pensamentos sobre Open Source. Quero deixar claro que são idéias e propostas pessoais, não representando necessariamente a opinião da IBM e seus funcionários...

Open Source era visto nos seus primórdios (e isto há poucos anos...) como um exemplo típico da “gift economy”, onde o trabalho remunerado seria substituído por motivos mais sociais. É verdade que o espírito de colaboração é o cerne do movimento Open Source, mas em uma economia capitalista o dinheiro simplesmente não some. Ele se desloca de um lugar para outro.

Existem modelos de negócios construídos em cima do Open Source? Claro, desde as tradiconais ofertas de treinamento, consultoria e serviços de integração e distribuição, a outros mais dinâmicos e inovadores.

Por exemplo, é possível até fazer dinheiro com venda de licenças, como o exemplo do MySQL. Este modelo, “dual licence”, tem uma versão do software disponível sob GPL, sem custos e uma outra, licenciada, que permite outras empresas incorporarem o MySQL em seus produtos proprietários. Por que fazem isso? Ora, desenvolver a partir do zero um software de banco de dados é extremamente caro e a possibilidade de se embarcar um, já pronto e testado, é uma vantagem de tempo e dinheiro enorme. E por utilizarem uma licença não GPL, podem incorporar modifcações específicas ao software que o tornam mais eficiente na interação com seu próprio produto e não são obrigadas a devolverem à comunidade tais modificações.

Claro que existem regras definidas para que este modelo funcione. A comunidade pode alterar a versão GPL e neste caso a MySQL não poderia exigir copyrights destas modificações. Como resolver a questão? A MySQL mantém seu próprio copro de desenvolvedores que são os únicos autorizados a incluir modificações na versão copyright. Também requisita que os contribuidores externos assinem contratos de copyright para modificações que considera úteis e adquire seus direitos de uso.

Começam a surgir outros modelos de negócio inovadores. Por exemplo, existe uma rede de pequenas empresas européias (www.orixo.com) que se especializaram em desenvolver soluções de integração e customização de missão crítica baseadas em Apache e tecnologia Java/XML. A rede Orixo funciona com cada membro conquistando clientes em seus países de origem (França, Alemanha, Bégica...) e desenvolvendo parcerias estreitas com os outros membros, que tenham expertise complementar, suportando-se uns aos outros. Esta é uma idéia que poderia ser adotada em países de grande extensão geográfica como o Brasil, onde pequenas empresas regionais, sem capital para se tornarem nacionais, podem se associar em rede para criar uma “empresa virtual” especializada. Outro exemplo de rede é a ZEA Partners (www.zope-europe.org) que aglutina diversas pequenas empresas especializadas em suportar serviços de treinamento, suporte e desenvolvimento em Zope. Interessante que todo produto desenvolvido é disponibilizado em licenciamento permissivo (similar ao Apache Licencing), de modo que todos os demais membros ou mesmo outras empresas possam ter acesso. É o modelo colaborativo por excelência, pois os membros da rede ZEA também tem acesso a códigos gerado por empresas concorrentes.

O modelo Open Source abre também oportunidades para entrada em mercados de aplicativos antes inatingíveis pelos produtos comercializados por grandes empresas multinacionais. Um fabricante global de aplicativos como um ERP tende a se concentrar nos mercados de maior porte e rentabilidade, com menos investimentos em mercados menores, principalmente nos segmentos de empresas de pequeno porte, nos quais os custos de localização nem sempre são compensadores. O resultado é que muitas vezes as inovações e atualizações tecnológicas aparecem com atraso nos mercados menores. Outro problema é a usabilidade (não apenas a tradução de telas), mas adaptação às características coloquiais de comunicação da lingua nacional, que dificilmente são implementadas nos mercados menores.

Além disso, alguns tipos de aplicação demandam características totalmente diferentes. Um exemplo: aplicações estrangeiras de gestão hospitalar e clínicas não se adaptam facilmente às especificidades dos pequenos e carentes hospitais brasileiros. Atendem apenas (e muitas vezes parcialmente) aquela parcela mínima de hospitais classe primeiro mundo, que se contam em poucas dezenas. Outros exemplos? Gestão da administração escolar, gestão de consultórios dentários, e gestão de serviços públicos. Os processos dos órgãos públicos brasileiros são bem diferentes, inclusive nos aspectos culturais aos implementados em soluções estrangeiras. Além disso, surgem inúmeros espaços em setores onde pequenas empresas especializadas demandam aplicações específicas, como às encontradas em arranjos produtivos locais como têxtil ou calçados. Estes mercados não são atendidos de forma adequada por produtos estrangeiros (são mercados mínimos e de baixa rentabilidade).

Por outro lado, pequenas empresas de software nacionais não tem capacidade financeira, tecnológica e empresarial para atender a este mercado isoladamente. São poucas as empresas de software nacionais com capital suficiente para serem competitivas nacionalmente, como são a Totvs, Datasul e Senior. A solução é desenvolver aplicativos na forma colaborativa, Open Source, com contribuição de universidades que conhecem bem os processos dos setores de indústria e tem mão de obra tecnológica. De onde pode vir a receita destas redes de empresas? Que tal pensar em instalação, customização, integração e treinamento? E, porque também não em Software-as-a-Service?

Esta rede social de negócios baseados em Open Source pode abrir novas oportunidades de mercado, hoje inexistentes. O software seria o mesmo, seja implementado em Rondônia ou Espírito Santo, a troca de expertise facilita o processo de implementação e as empresas concentram-se em fazer o aplicativo funcionar para atender ao negócio do cliente e não em escrever e depurar software.

O resultado final é um maior nivel de informatização e eficiência das pequenas firmas nacionais (ainda bem limitada) e um maior e mais rico ecossistema para a indústria nacional de software. Lembrem-se. No mundo capitalista o dinheiro não some, apenas desloca-se de um lugar para o outro: da venda de licenças limitadas a um mercado relativamente restrito a um mercado bem maior de serviços e assinaturas (Sofware-as-a-Service). Será que não vale a pena pensar no assunto?



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Apr 28 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Thursday April 24, 2008

Impacto Econômico do Open Source (2)

Continuando nosso papo sobre os Impactos Econômicos do Open Source há um item que geralmente passa desapercebido nos debates sobre este modelo: a questão da transferência de tecnologia.

Fazer parte de uma comunidade de Open Source e ter acesso a algoritmos sofisticados como os que estão embutidos em sistemas complexos como o Linux, equivale obter um nível de aprendizado superior ao que um estudante consegue em uma universidade média. Além disso, a constante troca de idéias e participação em fóruns de discussão amplia significativamente o escopo de conhecimentos.

Para os estudantes de ciência da computação, a participação em projetos Open Source abre skills não apenas de programação, mas também de teamwork, coordenação de projetos, compreensão de aspectos legais (regras e modelos de licenciamento) e melhor capacidade de comunicação em outras línguas.

Uma sugestão: as universidades de computação deveriam incentivar a participação de seus alunos em projetos Open Source. É um motivador e tanto ao velho e muitas vezes arcaico programa de aulas tradicionais Aliás, as empresas também deveriam enfatizar que seus desenvolvedores participassem destes projetos. Estariam conseguindo para eles, de forma “grátis” uma maior capacitação, com enfoque muito mais prático que apenas frequentando cursos tradicionais.

Em termos globais, o movimento Open Source acaba sendo um duto de transferência de tecnologia dos países mais ricos (onde se concentram a maior parte dos colaboradores e empresas contribuintes) aos paises menos desenvolvidos. É uma das formas benignas da globalização.

O Open Source permite também que países com menores recursos financeiros tenham acesso a softwares antes inatingíveis pelos seus altos preços. Imaginem um software para análises biológicas. Caso fosse adquirido um pacote específico, provavelmente muitas poucas universidades teriam acesso a ele. Mas, desenvolvido de forma colaborativa, com contribuição de empresas, universidades e voluntários de todo o mundo, uma parcela bem maior da sociedade teria acesso a esta tecnologia. Todos ganham!

Bem, não acabou...Vou continuar debatendo este tema nos próximos posts...até!

.



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Apr 24 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday April 22, 2008

Impacto Econômico do Open Source (1)

Há pouco acabei de ler um abrangente relatório sobre o impacto econômico do Open Source na inovação e competitividade no setor de IT da União Européia. O Titulo é “Economic Impact of FLOSS on Innovation and Competitiveness of the EU ICT sector”.Vale a pena ler o documento com atenção. É um calhamaço de mais de 280 páginas, mas com um belíssimo conteúdo. Você podem acessá-lo em http://ec.europa.eu/enterprise/ict/policy/doc/2006-11-20-flossimpact.pdf.

Bem, estive pensando bastante no assunto e gostaria de fazer alguns comentários sobre Open Source, principalmente aproveitando que o último FISL foi um grande sucesso. Open Source já está definitivamente afetando (aliás, já afetou) toda a indústria de software. Permite criar novos modelos de negócio e expande o próprio mercado de software, disponibilizando soluções a custos antes inatingíveis por muitas empresas.

Algumas empresas, como a IBM, foram pioneiras em entender e adotar este modelo de forma complementar e sinérgica, enquanto outras tentaram, em vão, lutar contra. Tem uma frase de Steve Ballmer da Microsoft que é emblemática desta visão antagônica, quando ele disse que “Linux é um câncer”, como vocês podem ler em http://www.theregister.co.uk/2001/06/02/ballmer_linux_is_a_cancer/. Mas, pelas últimas notícias, aparentemente até a Microsoft está se curvando ao Open Source...

Mas, o relatório me chamou atenção par alguns pontos que quero debater com vocês.

Primeiro, Open Source já não está mais confinado ao Linux, mas abrange uma gama imensa de produtos de software. E um dos maiores influenciadores de seu uso tem sido os governos. O relatório do CSIS (Center for Strategic and International Studies) http://www.csis.org/media/csis/pubs/070820_open_source_policies.pdf mostra que em agosto de 2007 existiam 268 iniciativas governamentais de apoio ao uso de Open Source, sejam em discussão ou já aprovadas. A lista de países e suas iniciativas está no relatório. Dêem um lida.

Agora, um fator de extrema importância e que muitas vezes não aparece nos debates sobre Open Source é o seu impacto econômico.

O efeito econômico da indústria de software não pode ser medido simplesmente pelos empregos e impostos gerados diretamente. O software provoca um profundo impacto em praticamente todos os segmentos da economia. No nível mais básico, automatiza tarefas repetitivas que antes requeriam grande investimento de tempo e dinheiro. Com a automatização destas tarefas as empresas conseguem se concentrar no trabalho mais substantivo, ao invés do administrativo. A evolução tecnológica permite variar e sofisticar o trabalho, permitindo, por exemplo, que engenheiros utilizem recursos de “realidade virtual” para produzirem visões de automóveis, aeronaves e edifícios. A tecnologia da informação e o software são ferramentas essenciais para melhorias de eficiência das empresas e economias, aumentando sua produtividade e competitividade como um todo. A inovação tecnológica provocada pelo software pode afetar indústrias por inteiro, como o emblemático exemplo da indústria fonográfica que foi totalmente modificada pelo advento do P2P e da Internet.

A indústria de software se encaixa nas classificações pertinentes da economia de serviços. É invisível, embora seus efeitos sejam sentidos; é indivisível, pois não funciona em partes; e é intangível, pois não pode ser tocado ou estocado. O que é estocado são as mídias. Além disso, existe a dificuldade em estabelecer um valor real a ele.

A dinâmica do mercado de software é acelerada. As barreiras de entrada são baixas. É um mercado orientado a conhecimento, com pouca necessidade de capital. Um empreendimento pode ser criado apenas se seus fundadores possuem conhecimento técnico suficiente. Não é em absoluto um mercado intensivo em capital. É um mercado de grande concorrência, com as empresas estabelecidas enfrentando contínuos riscos de novos entrantes.

As baixas barreiras de entrada e a pouca necessidade de capital impulsionam o ritmo de inovação e modificações. Produtos inovadores são lançados continuamente, bem como as versões dos produtos existentes são liberadas em curtos intervalos de tempo entre si.

O Open Source potencializa toda esta dinâmica. A esmagadora maioria das start-ups da Web 2.0 são construídas em cima de soluções Open Source. Sem o modelo Open Source seriam impossíveis conseguirem um volume de investimento tal que as permitisse lançarem-se ao mercado.

O relatório da EU mostra um dado interessante. Ele estima o custo de produção de alguns softwares Open Source e os compara com o hipotético desenvolvimento pelo tradicional modelo proprietário. Por exemplo, para dados de 2006, ele mostra que o OpenOffice teve um esforço de desenvolvimento de mais de 5 milhões de linhas de código, envolvendo mais de 79 mil homens-mês, a um custo estimado de 482 milhões de euros. O Mozilla (Firefox), com seus 2.430.000 LOC, demandou 25.000 homens-mês, a um custo de 154 milhões de euros. A questão é: sem Open Source estes softwares existiriam? Sem Open Source não teríamos hoje excelentes alternativas ao monopólio da Microsoft em suítes de escritório e navegadores. O mesmo quando falamos do Linux e seus mais de 9 milhões de LOC no kernel. Sem Open Source não teríamos um sistema operacional que fosse tão flexível que permitisse rodar desde celulares a supercomputadores.

O impacto econômico do modelo Open Source fica mais gritante quando comparamos o que seria o desenvolvimento de uma distribuição Debian (também com dados de 2006), com seus mais de 220 milhões de LOC, que se fosse desenvolvido por uma única empresa teria consumido 163.522 homens-ano a um custo estimado de 12 bilhões de euros (em 2005) e chegando, com as previsíveis evoluções e modernizações a 100 bilhões de euros em 2010. Alguns estudos mostram que 50% do código Open Source é completamente substituído em um período de cinco anos. Olhando apenas o esforço de codificação (excluindo debug, documentação, testes, etc), estriamos falando em 43.944 homens-ano correspondentes a 26000 desenvolvedores FTE (Full-Time equivalent, http://en.wikipedia.org/wiki/Full-time_equivalent).

Inimaginável pensar que existiria alguma empresa de software, principalmente uma start-up que se aventuraria no mercado para competir com softwares já dominantes, demandando este imenso volume de investimento. Sem Open Source o mundo do software seria outro, completamente dominado por monopólios.

Por outro lado o modelo Open Source abre perspectivas inovadores de desenvolvimento colaborativo. O relatório mostra que a distribuição Debian analisada teve a contribuição de 986 empresas, que contribuíram com mais de 31 milhões de linhas de código, com esforço de 16.444 homens-ano, a um custo estimado de 1,2 bilhões de euros. Entre as empresas destacam-se a IBM. Sun MicroSystem, RedHat, Novell e outras. Fica claro que Open Source é um movimento que agrega esforços da comunidade e de empresas.

Bem, o tema é apaixonante, e daria para escrever muitas e muitas páginas...E esta é a ameaça que faço a vocês...Vou escrevê-las sim, mas em posts separados por que ninguém aguenta ler textos extensos. Nos próximos dias vou continuar com “Open Source, a saga...”.



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Apr 22 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Sunday April 20, 2008

Pòs-graduação em tecnologia de mainframe

No dia 19 de maio vai começar o primeiro curso de pós-graduação em tecnologia de mainframes pela UniverCidade, no Rio de Janeiro. Vejam detalhes em http://www.univercidade.edu/uc/cursos/pos/esccienext/suportemain.asp.

E por que esta pós-graduação? Pouca gente sabe que existem 10.000 mainframes em operação no mundo inteiro, com uma capacidade instalada de mais de 11 milhões de MIPS. Para se ter uma comparação em 2000 haviam 3,5 milhões de MIPS instalados e cerca de 9 milhões em fins de 2005. Ou seja, em menos de dois anos, mais de 2 milhões de MIPS foram instalados! Olhando-se por outro prisma, multiplicou-se por mais de três a base instalada de MIPS em apenas 7 anos...Este crescimento mostra que o mainframe continua firme.

São duas as razões para este crescimento. Uma é a compatibilidade dos novos sistemas com o software legado. Existem cerca de 200 bilhões de linhas de código Cobol em uso hoje e cerca de cinco bilhões são adicionadas à esta base a cada ano! Uma estimativa econômica de quanto custaria substituir esta imensa base de sistemas legados chegou a cifra astronômica de vinte trilhões de dólares.

A IBM está investindo intensamente na modernização desta tecnologia. Leiam algumas noticias sobre o assunto em http://www-03.ibm.com/press/us/en/pressrelease/21758.wss e http://www.crn.com/it-channel/193104700.

Ok, querem saber um pouco mais sobre o assunto? Vejam http://www-03.ibm.com/systems/z/ . E para conhecer mais de Cobol, acessem http://www.cobolportal.com/index.asp?bhcp=1.

O programa de educação em mainframes pode ser visto em http://www-304.ibm.com/jct09002c/university/scholars/products/zseries/universities.html , onde vocês podem acessar uma lista de escolas e univercidades já engajadas mundialmente com esta tecnologia.



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Apr 20 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Friday April 18, 2008

Green ERP?

Outro dia levantei um post sobre iniciativas de Green IT e recebi logo após um email de um executivo de uma pequena empresa de ERP. Me perguntava como seu produto poderia se inserir neste movimento, uma vez que ele sentia que Green IT ainda estava muito focada em hardware.

Bem, é verdade, o hardware e o data center estão hoje no centro das atenções do que chamamos Green IT, mas em breve o software passará a ter um papel preponderante.No caso especifico de sistemas como ERP, estes softwares vão ter, em breve, que considerar em seus algoritmos os gastos de energia e seus impactos quando da definicao dos processos logísticos. Sim, restrições ambientais serão variáveis que os sistemas de logística e transporte deverão considerar quando da escolha das alternativas de caminhos ótimos.

Também a questão do armazenamento de produtos envolverá mudanças nas variáveis, para considerarem o mínimo de emisão de gases de efeito estufa. Os Green ERP poderão ajudar as empresas a se adequarem as futuras legislações ambientais e adotarem processos de ciclo de vida de produtos sustentáveis, incluindo atividade de descarte e reciclagem.

Os sistemas de BI também deverão incluir os gastos ambientais e cálculos de “carbon neutral” em suas planilhas de análises financeiras. “Carbon emission footprint” será uma variável que aos poucos fará parte da agenda de discussões dos executivos.

Enfim, na minha opinião, Green IT poderá iniciar uma nova fase competitiva entre os ERP...Quem vai ser mais verde que o outro?



Categories : [   BigGreen  ]

Apr 18 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday April 16, 2008

Que tal ampliarmos o FISL para FISDL?

O recente episódio da aceitação do OpenXML pela ISO expôs uma série de falhas no atual processo de aprovação de padrões pela entidade. Ficou claro que os países membros sofrem muita influência e muitos órgãos de padrões não estão estruturados para reagir estas fortes pressões econômicas e políticas, e desenvolver de forma independente, um trabalho sério e essencialmente técnico.

A dúvida que fica é se os processos aprovados pela ISO sempre foram falhos e não havíamos percebido até que tenham sido expostos tão claramente como no caso OpenXML, ou se este caso quebrou os frágeis mecanismos que garantiam a seriedade ao processo. É, portanto, lícito questionar se processos tão importantes como ISO 9000 ou ISO 14.000 foram desenvolvidos sob caminhos tão tortuosos quanto o OpenXML.

Neste processo, milhares de inconsistências e falhas foram identificadas e a imensa maioria foi ignorada ou aprovada em bloco, sem uma análise mais criteriosa. Em nenhum projeto de software tal situação aconteceria e os responsáveis continuariam empregados...

Mas, há males que vem para bem. Tenho certeza que a ISO até mesmo por pressão dos diversos órgãos de padrões deverá passar por uma revisão (acho que merece uma reengenharia mesmo) dos seus processos de aprovação de padrões, adotando padrões de qualidade ISO 9000. Casa de ferreiro, espeto de pau...

Este tema deveria ser um dos tópicos a serem debatidos no próximo FISL, que começa esta semana. Aliás, proponho que que adicionemos um D ao FISL, tornando-o um Forum Internacional de Sofware e Documentos Livres, FISDL. O FISL sempre teve e continua tendo uma contribuição ímpar para a disseminação e conscientização do Software Livre no Brasil e não pode ficar de fora na questão dos documentos livres.

Documentos são de extrema importância para todo os países e sociedades e devem fazer parte do que chamamos “Civil ICT rights”, ou os direitos de livre comunicação, livre associação e livre criação. A TI tem papel importantíssimo na preservação ou restrição destes direitos. Um formato de documentos aberto incentiva os direitos enquanto um formato fechado inibe a livre criação e a livre troca de informações.



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Apr 16 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Monday April 14, 2008

FISL 9.0 e a maturidade do Linux e Open Source

Esta semana, de 17 a 19 de abril, começa em Porto Alegre, o FISL 9.0. Infelizmente, sim, infelizmente mesmo, desta vez não poderei estar presente, por ter nas mesmas datas, algumas reuniões já agendadas. A IBM estará muito bem representada pelo pessoal do LTC (Linux Technology Center).

Conversando com alguns jornalistas sobre o evento, lembrei o fato do movimento Open Source e o Linux já estarem bem amadurecidos. Não são mais novidade, estranha às corporações, mas estão rapidamente se inserindo no mainstream corporativo.

Dêem uma lida no recente relatório publicado pelo IDC, chamado “The Role of Linux Servers and Commercial Workloads”, disponível gratuitamente no site da Linux Foundation em http://www.linux-foundation.org/publications/IDC_Workloads.pdf.

O relatório mostra alguns números bem interessantes, como o que demonstra a solidez do ecossistema de negócios em torno do Linux (hardware, software e serviços) que totalizou 21 bilhões de dólares em 2007 e que deve crescer até 49 bilhões para 2011, principalmente pelo crescimento do Linux em servidores rodando aplicações comerciais como ERP, CRM, banco de dados e outras aplicações de negócio). O Linux não é mais apenas um nicho de workloads técnicos de infra-estrutura como file ou mail server.

O relatório do IDC aponta como principais oportunidades de serviços para este ecossistema as atividades de migração, integração e deployment. Educação e treinamento é visto como de menor oportunidade, mas geralmente é o ponto de entrada para os serviços de maior valor agregado como consultoria e integração. O IDC estima que estes serviços para Linux e Open Source deverão crescer cima da média do próprio mercado de serviços. Chama atenção para o fato que as receitas de software em torno das plataformas Linux já somam 10 bilhões de dólares, cerca de 4% do total da indústria, que é de 242 bilhões de dólares. Mas, estima que até 2011 deverá crescer para mais de 9%, representando 31 bilhões de um mercado que deverá se situar no patamar dos 330 bilhões de dólares.

A conclusão do relatório diz claramente “Linux continues to drive market shifts in the industry, and early adoption patterns have given way to mainstream deployment that includes a growing portion of business-oriented workloads including ERP, CRM and other line-of-business solutions. The phenomenon of Linux as being seen by business customers primarily as a low-cost infrastructure solution is being increasingly displaced by business deployment of Linux”. E mais ainda “The Linux ecosystem has strong long-term prospects, with the overall ecosystem spend projected to increase from $21 billion in 2007 to $49 billion in 2011. The shifts highlighted in this paper will help drive that trend forward at a healthy rate, as users increasingly use Linux as a key business solution for ntoday’s IT challenges”.

A Linux Foundation também publicou um paper muito interessante, com números sobre o desenvolvimento do kernel, “How Fast is Going, Who is Doing It, What They are Doing, and Who is Sponsoring IT”, acessado em http://www.linux-foundation.org/publications/linuxkerneldevelopment.php.

Lá vocês vão saber que o kernel já conta com quase nove milhões de linhas de código e a média de lançamento de releases se situa agora em tono dos 2,7 meses. São 2,83 patches por hora. Analisando a atividade em torno do kernel chegamos a uma impressionante estatística que a cada dia são adicionadas 3621 novas linhas de código, 1150 são removidas e 1425 modificadas.

Quem faz este trablho? Do 2.6.11 ao 2.6.24 foram 3678 desenvolvedores, sejam autonômos como de 271 companhias. Os dez contribuidores mais ativos contribuiram com quase 15% e os trinta mais, com cerca de 30%. A relação com seus nomes está no relatório.

Vemos também que entre as empresas contribuidoras, a Red Hat aparece em primro lugar no número de contribuições (11,2%), seguido pela Novell (8,9%) e IBM (8,3%). Sim, somos a terceira empresa em volume de contribuição com código para o kernel. Entre as demais vemos Intel (4,1%), Oracle (1,3%), Google (1,1%) e HP (0,9%). O maior volume de contribuições ao kernel, quase 70%, vieram de desenvolvedores de alguma forma pagos por empresas e cerca de 30%, mais precisamente,26,8%, vieram de colaboradores “none” e “unknown”, que são colaborações individuais, sem patrocínio de alguma empresa ou que a empresa não pode ser identificada.

E, já vemos também colaborações de empresas que antes não imaginávamos que podessem contribuir, como a Volkswagen, que contribuiu para o kernel 2.6.25 com a implementação do protocolo PF_CAN, para comunicações em ambientes que sofrem fortes interferências, como automóveis. Para saber mais do PF_CAN acessem http://lwn.net/Articles/253425/ e http://en.wikipedia.org/wiki/Controller_Area_Network.

A conclusão disto tudo? Linux é sem sombra de dúvidas um excelente sistema operacional e um dos mais bem sucedidos exemplos de projetos Open Source. Sua comunidade é vibrante e demonstra de forma inequívoca que colaboradores individuais e empresas podem criar uma comunidade com ampla sinergia. Desenvolvimento colaborativo por excelência. Definitivamente, Linux não é obra de hobistas, mas de desenvolvedores competentes.

Em resumo, na minha opinião, apenas desinformados ainda tem medo de adotar Linux e Open Source!



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Apr 14 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Thursday April 10, 2008

The Big Switch

Acabei de ler último e instigante livro de Nicholas Carr, “The Big Switch, Rewiring the World, from Edison to Google”. Ele faz uma analogia muito interessante entre a evolução da eletricidade e a Internet. Sua tese é que a democratização da eletricidade alterou profundamente a nossa vida, nossa economia e a nossa sociedade, e agora, a chamada “utility computing” também estará redesenhando nosso futuro.

Este conceito está sendo implementado pela chamada Cloud Computing, onde a capacidade de processamento disponível não está limitada a um computador individualmente, mas espalhada por uma “nuvem” de computadores conectados à Internet. Assim, segundo Carr, em vez de uma empresa ou indivíduo comprar seus próprios e sofisticados computadores e softwares, eles simplesmente usariam máquinas bem mais leves e se conectariam à Internet. Por exemplo, os PCs se transformariam em terminais (thin clients) e o processsamento ocorreria na rede, em outros computadores. Ele cita o exemplo do Google, onde ao fazer uma pesquisa, o usuário práticamente não utiliza os recursos de seu PC, pois todo o trabalho da busca é feito pelos milhares de computadores da “nuvem” do Google.

Segundo Carr, quando e se este cenário se tornar realidade, toda a natureza da economia da computação mudará drasticamente, assim como a economia mudou quando a sociedade passou das máquinas a vapor para a eletricidade. Na prática, todos nós passaríamos a ter um supercomputador virtual em casa. Imaginem o que teriamos de potencial...

Para Carr este movimento já começou e está sendo impulsionado por varias razões, como a complexidade e ineficiência do modelo cliente-servidor (mais e mais máquinas são adicionadas, aumentando o custo de propriedade, com utilização média bastante baixa) e a crescente constatação que este modelo bate de frente com as iniciativas de redução de consumo de energia e emissão de gases de efeito estufa. Ele inclusive afirma “The PC age is giving way to a new era: the utility age”.

O livro é realmente interessante e abre novas perspectivas sobre o futuro da computação. Vale a pena ser lido.

Algumas empresas bem sucedidas do mundo da Internet estão adotando este conceito. A Amazon é uma delas, comercializando para o mercado americano o poder computacional de sua nuvem, através do EC2 (Elastic Compute Cloud) e o S3 (Simple Storage Service). Aliás, se quiserem saber um pouco mais da arquitetura e tendências da IT da Amazon, acessem o blog de seu CTO, Werner Vogels, em http://www.allthingsdistributed.com/.

Bem, Cloud Computing é um novo modelo de outsourcing, baseado nas idéias e tecnologias de virtualização, Grid Computing e Sofware-as-a-Service, aliado à disseminação da banda larga. Já vemos alguns casos interessantes de uso, principalmente em start-ups da Internet.

E na IBM? O que estamos fazendo? Claro que a IBM está antenada com este cenário e inclusive temos uma definição bem clara para Cloud Computing, que é “An emerging computing paradigm where data and services reside in massively scalable data centers and can be ubiquitously accessed from any connected devices over the Internet”.

Se vocês se interessarem pelo tema visitem o site http://www.ibm.com/developerworks/websphere/zones/hipods/ e vejam a estratégia de Blue Cloud em http://www-03.ibm.com/press/us/en/pressrelease/22613.wss. Blue Cloud é a solução da IBM para as empresas construírem suas próprias nuvens computacionais.

Onde podemos pensar em construir e disponibilizar clouds? Imaginem incubadoras de empresas de TI e games, dispondo de uma nuvem com grande capacidade computacional. Nenhuma incubada arca com o ônus do todo, mas tem acesso ao somatório dos recursos disponíveis a todas. Querem um caso real? Vejam a experiência que iniciamos na China em http://www.ibm.com/news/vn/en/2008/02/080201.html.

Outra área de aplicação: universidades! Compartilhar recursos, sempre escassos, é um atrativo e tanto para as universidades, sempre premidas por budgets reduzidos.

Enfim, a IBM está criando diversos centros de estudo de Cloud Computing ao redor do mundo, em países como China, Irlanda, Índia e Brasil (São Paulo).

O fato da Cloud Computing ainda não estar no radar dos CIOs não significa que devemos simplesmente deixá-la de lado. Na minha opinião ainda temos um longo caminho a percorrer até este cenário se concretizar e se vai realmente se concretizar...Portanto, recomendo que, no mínimo, devemos monitorar sua evolução de perto.

É uma tecnologia de disrupção e tem o potencial de afetar de forma drástica as áreas de TI das empresas. Não pode ser ignorada!



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Apr 10 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Tuesday April 08, 2008

ODF nas universidades

A última edição da Linux Magazine traz mais um case de adoção do ODF no Brasil, com o exemplo da Unices (Faculdade Capixaba de Administração e Educação, http://www.unices.com.br/). O case da Unices foi o terceiro colocado no concurso “Padrão Aberto, Prêmio Certo”, realizado pela Linux Magazine em parceria com o portal developerWorks da IBM e a ODF Alliance.

É um case interessante, pois aborda um setor onde o formato aberto de documentos é de extrema importância: o setor educacional. Além do fato de gerarem milhões de documentos por ano, as universidades ainda exigem que os seus alunos entreguem seus trabalhos em formato proprietário. Desta forma, acabam, indiretamente, gerando um incentivo à piarataria, pois muitos alunos não tem condições financeiras de adquirir uma suite de escritórios cara.

Para o professor, a escolha da ferramenta que o aluno vai utilizar para seu trabalho não tem a minima importância. Ele precisa apenas ter condições de receber o documento eletrônico. Ao adotar ODF, os alunos ficarão livres para escolher a melhor alternativa de softwares, podendo usar OpenOffice, Symphony, GoogleDocs e até mesmo o Office, neste caso usando algum conversor.

A Unices é um bom exemplo no uso de Open Source e ODF, e acredito, será seguida por muitas e muitas escolas e universidades no Brasil.

E pensando um pouco mais, que tal olharmos as lan houses? Grande parte delas estão na periferia e em regiões de baixo poder aquisitivo. Porque não adotam softwares Open Source e ODF? Assim, não correm risco de serem processadas por pirataria (recentemente a Abes divulgou que lacrou 335 lan houses pelo país) e seus usuários, ao adquirirem seus próprios computadores já estarão preparados para continuar usando estes softwares...Afinal a maioria deles não terá condições de adquirir cópias originais desta caras suítes.

A luta contra a pirataria deve passar pelo incentivo ao Open Source e ODF.



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Apr 08 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Monday April 07, 2008

Vamos falar de Green IT novamente?

O tema “Green IT” está começando a ser debatido na mídia e em algumas, ainda esparsas conversas sobre TI...Uma pesquisa no Google por “Green IT” rendeu 2.480.000 respostas! Claro que está muito longe de Web 2.0 (mais de 73 milhões de respostas), mas já é alguma coisa...

Pelo que tenho visto nos artigos da midia ainda existem muitas dúvidas sobre o tema, como: “o que é mesmo Green IT”?, “qual sua abrangência?”, “como começo um projeto de Green IT?” e assim por diante.

Bem, vamos conversar mais um pouco sobre o assunto. Na minha opinião o maior interesse atual em Green IT está focado em “Green data center”, que inclui reengenharia do site, virtualização, consolidação e uso de servidores que demandam menos energia.

E por onde começar? O primeiro passo é saber quanto o data center está gastando de energia. Hoje a maior parte dos CIOs não tem informações sobre o seu gasto de energia. Depois iniciar as ações corretivas e preventivas. Por exemplo, incluir conservação de energia na compra de hardware (optar por servidores que consumam menos energia) e rever o uso de thin client como substituto de parte do parque de PCs. Também deve rever o site e corrigir os desperdícios de energia. Provavelmente um estudo de ROI deverá mostrar a relação positiva destas iniciativas. Em tempo, algumas estimativas apontam que está surgindo um novo mercado: consultoria e serviços em Green IT. Alguns números surpreendem, como os do Forrester Research que diz que em 2010 o mercado mundial de “Green IT Services” será algo em torno de 1,75 bilhões de dólares!

Mas além do data center, existem outras tecnologias que ajudam a reduzir o consumo de energia e começam a ser vistas como politicamente (do ponto de vista ambiental) corretas...Por exemplo, ferramentas de colaboração e social computing, que incentivam a formação de redes sociais virtuais, aumentando a troca de informações entre funcionários, sem necessidade de viagens desnecessárias. Com ferramentas deste tipo e maior uso de banda larga, as pessoas podem trabalhar em casa. O uso de home office reduz emissão de carbono, pois menos viagens de casa para escritório reduz uso de automóveis e consequentemente menos emissão de poluentes. E mais, menos espaço de escritório, menos iluminação e ar condicionado: menos consumo de energia!

Outra tecnologia green: videoconferência! Responsabilidade ambiental pode ser mais uma variável a ser inserida nos estudos de avaliação e ROI das empresas quanto à sua adoção. Videoconferência reduz sensivelmente a necessidade de viagens e o volume das emissões de carbono (carbon footprint) das empresas.

OK, e o que é mesmo “carbon footprint”? Podemos definir “carbon footprint” como o total de gases de efeito estufa (como dióxido de carbono) emitidos por uma empresa (em suas operações, como fabricação de produtos, serviços prestados e trabalho efetuado pelos seus funcionários) ao longo de um determinado tempo, geralmente um ano. Existem muitas empresas que já desenvolvem ações para mitigarem as ações dos gases de efeito estufa e se tornarem neutras em carbono. Entre as ações, a redução do volume de emissão dos gases de efeito estufa através da redução das viagens, translado dos funcionários de e para a empresa estão se tornando mais comuns.

Posteriormente o CIO pode inserir processos que incentivem e gerenciem a reciclagem de equipamentos obsoletos, reduzindo o lixo eletrônico. E, importante, as ações de TI devem estar alinhadas com a estratégia de sustentabilidade ambiental da corporação!

Para terminar, recomendo que vocês acessem http://www-03.ibm.com/systems/optimizeit/cost_efficiency/energy_efficiency/. Neste site vocês terão acesso a diversos papers, podcasts e vídeos sobre as iniciativas de Green Data Center da IBM.



Categories : [   BigGreen  ]

Apr 07 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Thursday April 03, 2008

OpenXML foi aprovado...e agora?

Saiu o resultado oficial da ISO com relação ao OpenXML. A proposta DIS-29500 foi aprovada. A minha expectativa pessoal era que, dado o grande número de pendências, a proposta não seria aceita pelos órgãos de padrões dos países envolvidos na análise (National Body, NB). Mas, enfim...Bem, o assunto tem gerado muitas conversas e em uma delas, um colega meu perguntou o que será do ODF após este resultado. Outro me perguntou se valeu a pena todo o esforço.

Na minha opinião, se não tivesse havido tanto debate provavelmente a especificação aprovada seria muito pior do que a versão atual, que insisto, ainda continua cheia de inconsistências e falhas. Além disso as inúmeras críticas e questionamentos ao processo de aprovação adotado (via Fast Track) mostrou que é absolutamente necessário rever os procedimentos da ISO.

Um exemplo: a possibilidade de países com NBs sem estrutura adequada para avaliar adequadamente um padrão mundial influenciarem na sua decisão tem que ser revista. Os NBs deveriam ter que cumprir exigências técnicas e institucionais universais e uniformes (e passíveis de auditoria) para serem considerada aptas a votar. Isto eliminaria problemas de NBs se filiarem como membros P à ISO, dois meses antes de uma votação e opinarem sem ao menos terem feito alguma análise mais detalhada da especificação.

Quando lemos em blogs e na mídia especializada o que aconteceu em diversos países, onde grupos técnicos foram contra a aprovação, mas o staff do NB local optou pelo voto SIM ou se absteve, devemos reconhecer e aplaudir a lisura e excelência do trabalho efetuado no Brasil pela ABNT, que foi, sem sombra de dúvidas, um exemplo de comportamento que deveria ser copiado pelos NBs do mundo todo!

Recomendo lerem o blog do Groklaw em http://www.groklaw.net/article.php?story=20080328090328998 para algumas explicações mais detalhadas de “algumas coisas que não deveriam ter acontecido” no processo...

Aliás, sem uma reengenharia dos processos de aprovação de padrões, a ISO correrá o risco de passar por outras situações como esta, em que sua credibilidade está sendo amplamente questionada.

Quanto ao ODF, indiscutivelmente que todo este debate serviu para mostrar a importância de um formato aberto de documentos. Nunca o tema foi tão debatido e gerou tantos eventos, artigos e posts levantados em blogs pelo mundo inteiro.

Lá pelos idos de 2005, quando o ODF começou a aparecer de forma discreta na mídia especializada, graças à decisão do governo do estado americano de Massachussets de adotá-lo, quem poderia imaginar que toda esta celeuma seria levantada?

Assim, o fato do OpenXML ter sido aprovado pelo ISO não vai afetar a crescente curva de adoção do ODF. Pelo contrário, os governos que ainda não incluíram os formatos abertos em suas políticas de documentos, talvez esperando a decisão da ISO, o farão agora. Até mesmo para manter a coerência com seus votos...E aí será a hora da verdade. Sair do debate político e entrar no mundo real, onde estarão armazenando e recuperando documentos reais e não apenas debatendo páginas de especificações.

Muitos NBs que não analisaram a fundo a especificação do OpenXML (e tenho certeza que muitos NBs que votaram a favor não tinham a mínima condição para estudar, avaliar e opinar com profundidade as mais de 6.000 páginas da especificação) terão que definir normas e procedimentos que orientarão a política de armazenamento e uso de documentos eletrônicos de seus países para as próximas décadas.

Bem, e terão que decidir se, pelo menos, a especificação a ser adotada terá:

1.Qualidade. O fato de mais de 80% das especificações do OpenXML não terem sido analisadas significa manter um universo de bugs em potencial por muitos e muitos anos. Isto não aconteceu e nem está acontecendo com o ODF.

2.Disponibilidade de softwares. Uma vez que a especificação aprovada não é a que está sendo implementada no Office atual, devido as milhares de modificações efetuadas durante o processo e que ainda não foram oficializadas, devemos esperar algum tempo antes que surjam softwares que consigam implementar o futuro OpenXML. Ninguém ainda anunciou quando estará disponível a primeira versão de algum software que seja compatível com a última versão do DIS-29500! Enquanto isso, o ODF já está implementado por diversos softwares, de diversas empresas.

O fato é que os países e seus governos terão obrigatóriamente que adotar políticas que visem garantir a recuperação futura de seus documentos eletrônicos. Já sabem que manter o atual formato binário é impraticável. E terão que fazer isso rápido, uma vez que enquanto nada fazem, são gerados milhões de novos documentos em formato binário, aumentando o legado de forma exponencial.

Como vimos ao longo do processo, dificilmente produtos que não o Office conseguirão ser 100% compliants com o OpenXML. Assim, os governos dos países terão que arcar com a responsabilidade de mantendo o OpenXML, estarem perpetuando o atual monopólio.

Provavelmente veremos muitos países decidindo-se por políticas de uso de documentos que incentivem a concorrência e inserindo nos textos não apenas a exigência de um formato que tenha sido aprovado pela ISO, mas que seja realmente aberto, e que tenha suporte nativo implementado por dois ou mais softwares. Também exigirão que não haja discriminação quanto aos modelos de comercialização dos softwares que usam os formatos de documentos, de modo que permitam diversas alternativas como modelos Open Source. Sem isso, os cidadãos não terão seus “civil ICT rights” (liberdade de religião, liberdade de opinião e liberdade de usar qualquer aplicação...) reconhecidos, pois serão obrigados a adquirir um software específico para poderem dialogar com seus governos!

Ora, para mim fica claro que a aprovação do OpenXML pela ISO será mais um fator impulsionador para adoção do ODF pela sociedade, pelo fato do ODF ser um padrão que já existe de fato (e não no papel), incentivar a livre concorrência, garantir os “civil ICT rights” dos cidadãos e inibir monopólios. Além do mais, a própria mobilização da sociedade que, em peso, debateu exaustivamente o OpenXML durante seu processo de aprovação, continuará mobilizada e atuando forte para que padrões abertos de documentos sejam e continuem realmente abertos.



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Apr 03 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink



Wednesday April 02, 2008

Combater a dengue!

Meus amigos, todos nós devemos ajudar a combater a dengue. A iniciativa World Community Grid (WCG) tem um projeto específico que busca pesquisar por drogas que combatam a doença. O link é http://www.worldcommunitygrid.org/projects_showcase/dddt/viewDddtMain.do.

Em tempo, o WCG é uma iniciativa, sem fins lucrativos, apoiada pela IBM, da chamada computação filantrópica. Este modelo computacional é baseado no conceito de voluntariado, onde o usuário toma a decisão deliberada de ceder ciclos ociosos de seu PC para contribuir com uma determinada organização a executar uma tarefa.

E o resultado é extremamente interessante. Uma rede voluntária de PCs apresenta uma capacidade computacional equivalente a de muitos dos maiores supercomputadores do mundo, mas a custos irrisórios. O potencial também é fantástico. Se imaginarmos um bilhão de PCs conectados à Internet e uns 10% deles colaborando com seus ciclos, teremos um poder computacional imenso que poderá contribuir em muito para avanço das pesquisas em todas as áreas do conhecimento humano.



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Apr 02 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink


Wednesday April 02, 2008

Talk-show sobre Virtualizacao

Pessoal, na próxima quarta, 9 de abril, as 19 horas, estarei participando com o Rafael Peregrino editor da Linux New Media de um talk-show sobre Virtualização na Livraria Cultura do Shopping Market Place, em São Paulo. Neste evento a New Media estará lançando o primeiro volume da série Linux Technical Review, abordando o tema virtualização. O talk-show está aberto a todos!

Será uma boa ocasião para falarmos de Open Source, virtualização e outros assuntos…Até lá!



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Apr 02 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink


Wednesday April 02, 2008

IBM e EnterpriseDB

No final de março a IBM fez um movimento que passou desapercebido por muitos: adquiriu participação na EnterpriseDB. Esta empresa, de apenas quatro anos, fez mais uma rodada de investimentos e obteve dez milhões de dólares de diversos VCs (o total de investimentos até agora já alcançam 37,5 milhões de dólares) e a IBM, embora não costume investir em start-ups adquiriu uma pequena, mas simbólica participação.

Um analista do 451 Group, Raven Zachary, comentando sobre este movimento da IBM: “With MySQL as part of Sun now, IBM sees its open source database future aligned with PostgreSQL through EnterpriseDB. IBM also gains in this move through EnterpriseDB´s Oracle database compatibility, as IBM competes with Oracle via DB2. This is a smart move for IBM”.

Na minha opinião, esta iniciativa não vai afetar os laços da IBM com MySQL, que já fazem parte de uma oferta bundled com o System i. Mas, adquirir uma pequena parte das ações da EnterpriseDB comprova para o mercado que o comprometimento da IBM com o movimento Open Source continua bem intenso.

Mas, quem é a EnterpriseDB? É a maior contribuidora do projeto PostgreSQL, embora comercialize extensões próprias. Entre as extensões estão as facilidades de compatibilidade com o Oracle. É um modelo de negócios que envolve estreita parceria com o movimento Open Source. É um modelo adotado por outras iniciativas Open Source como Zimbra e SugarCRM. A empresa está ampliando os laços com a comunidade e está disponibilizando o GridSQL, software de Data Warehousing em GPL 2.0.

A EnterpriseDB, agora com nomes como IBM por trás, pode ter seus produtos avaliados de forma mais positiva pelos CIOs que ainda estejam reticentes de abraçarem produtos Open Source. A compatibilidade com Oracle (que inclui suporte para PL/SQL, store procedures e replicação), a possibilidade de também executar em plataformas mais altas (como mainframes com o Advanced Server 8.2 for Linux on System z e uma versão para System p, em AIX) e ferramentas de migração que permitem mover uma grande parte das aplicações Oracle para EnterpriseDB praticamente sem esforço, abre espaço em muitas corporações que estejam insatisfeitas com os budgets alocados ao Oracle. Outra janela é a exploração do Postgres Plus por ISVs que desenvolvem aplicações com base no Oracle, que agora podem reduzir sensivelmente o custo final de suas soluções.



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Apr 02 2008, 12:00:00 AM BRT Permalink

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