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Generalistas em alta- "Eu não uso somente o cérebro que tenho, mas todos que posso tomar emprestado." Woodrow Wilson
| Autor: |
Sergio Lozinsky |
| Data: |
06 Set 2006 |
| Mídia: |
B2B Magazine |
Revendo os pedidos de entrevista para os quais tive a oportunidade de ser convidado ao longo deste ano, percebi uma incidência razoável de temas que procuravam explorar a tendência de modificar o perfil de algumas áreas tecnologia da informação, recursos humanos, finanças... Como "pano de fundo" dessa temática, a necessidade de tratar mais estrategicamente essas funções: seus representantes precisam entender e até influenciar a estratégia do negócio, e identificar que ações suas áreas precisam tomar para suportar a estratégia e contribuir (diretamente) para o sucesso da empresa.
A questão é especular se a tradicional formação dessas áreas especialistas em temas como tecnologias, salários e benefícios, regras contábeis e fiscais tende a mudar radicalmente ou não. Uma crescente utilização de terceiros esses, sim, especialistas permitiria uma concentração de "generalistas" nessas áreas, os quais seriam capazes de trafegar entre temas específicos e outros mais abrangentes como novos mercados, produtos e serviços, modelos de negócios.
De uma forma geral é isso mesmo que está acontecendo. Já tive oportunidade de escrever, aqui mesmo na B2B Magazine, que é muito dificil mudar o perfil com o qual nascemos, e que, na prática, um perfil (generalista ou especialista) não vive sem o outro. No final,alguém precisa executar o que foi planejado, assim como alguém precisa entender para onde vai o negócio e manter firme o leme.
Ou seja, há boas oportunidades para ambos. O que está contribuindo para a busca pelos generalistas é a pressão pelos resultados no curto prazo. Quando todo o esforço se volta para atingir uma meta em menos de três meses, não é o requinte técnico ou o profundo conhecimento que vai pesar mais: é a capacidade de "torcer" a situação de modo a produzir algo compatível com essa meta. O futuro do negócio provavelmente vai ficar comprometido por conta dessas decisões imediatistas, mas paciência... é preciso sobreviver até lá.
Penso que uma nova distribuição de perfis está acontecendo e que sentiremos o efeito dessa mudança no futuro próximo: os especialistas estão encontrando oportunidades em prestadores de serviços, em pequenas e médias empresas nas quais seu conhecimento faz diferença, ou em refúgios de pesquisa e desenvolvimento de algumas grandes organizações. Os generalistas estão dominando o management, correndo atrás de metas cada vez mais impossíveis, e buscando subcontratar (temporariamente) o conhecimento especialista que se faz necessário para resolver seus problemas imediatos.
O mercado sempre encontra um novo ponto de acomodação: acredito que o conceito de cadeia de valor, no qual várias empresas/pessoas atuam de forma complementar e dividem proporcionalmente o lucro da operação total, vai acelerar seu desenvolvimento e sua sofisticação, mudando um pouco os papéis relativos de cada participante dessa rede de negócios. Aí vamos saber quem cresceu e quem diminuiu em importância.
Sérgio Lozinsky é líder de estratégia corporativa da IBM Business Consuiting Services (lozinsky@br.ibm.com)
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