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Visão holística e carreira
  • “Nunca deixei minha escolaridade interferir na minha formação” (Mark Twain, 1835-1910, autor de Oliver Twist e outros clássicos)

Autor: Sergio Lozinsky
Data: 08 Ago 2006
Mídia: Gallery Leaders

Já são pelo menos dez anos em que vivemos sob constantes transformações dos mercados, empresas, profissões, comportamentos e culturas. E ainda não percebemos quando haverá uma desaceleração desse processo, se é que algum dia isso ocorrerá. Por trás dessa turbulência que nos fascina e nos estressa existe muita tecnologia. E talvez o que melhor represente essa torrente tecnológica que invadiu nossas vidas seja a Internet.

O grau de conectividade – primeiro entre pessoas, depois entre empresas e pessoas, imediatamente seguido do B2B (business to business) e finalmente entre objetos “inteligentes” (celulares, gps, PDA’s,...) – criou enormes possibilidades de (novos) negócios, e eliminou de tal forma obstáculos geográficos, logísticos, culturais e de comunicações, que acabou por gerar inovadores modelos de negócios e vários tipos de funções empresariais impensáveis há pouco tempo.

O grau de automação dos processos também eliminou milhões de empregos “especializados” em atividades que poderiam ser transformadas em bits e bytes ou substituídas por sistemas e equipamentos. E essa automação, igualmente, enfraqueceu posições de “chefia”, “supervisão” ou de “coordenação” de atividades repetitivas.

Esse enxugamento das empresas e crescente automação dos negócios – fazer mais (trabalho) com menos (gente) – requer um executivo, ou um gerente, com um perfil “diferente”: ainda profundo conhecedor da sua principal área de trabalho, mas necessariamente capaz de perceber como os processos de sua área interagem com o resto da empresa, e também com a cadeia de valor onde a empresa está inserida.

Essa visão “holística” do negócio – entender a estratégia e perceber onde estão os diferenciais; conhecer as tecnologias que impactam os processos, produtos e serviços; identificar o que deve ser terceirizado, ou delegado a clientes ou fornecedores; compreender o que é crítico em relação aos recursos humanos e seu desenvolvimento; discutir com propriedade a equação econômica do negócio – não é só fundamental para ser o presidente, mas para ocupar, ou ter chance de ocupar qualquer cargo executivo da empresa.

E para isso é preciso “esquecer” um pouco a nossa “escola”. Ter sido um excelente profissional da área de Recursos Humanos, por exemplo, tendo desenvolvido sua sólida formação em torno de Folhas de Pagamento, Benefícios, ou mesmo Litígios Trabalhistas, é um ativo pessoal importante, mas que conta apenas parcialmente diante da necessidade maior das empresas, atualmente, de pensar em identificar e reter talentos, saber administrar terceiros e tentar fazê-los “vestir a camisa” da empresa, criar um senso de gestão mais apurado em todos os níveis, e tentar convencer todo mundo que a pressão insuportavel por resultados é algo normal e até bom.

Aspirar a ser um executivo de negócios, ou tentar manter-se em posição conquistada a duras penas, requer um exercício de reciclagem pessoal e de preparação constante que em si soma-se à já enorme pressão mencionada antes.

Os mais jovens constroem seu potencial navegando por várias áreas diferentes (na mesma empresa ou não), mudando de cidade ou país, e candidatando-se a projetos desafiantes que provarão sua capacidade. É por isso que precisamos substituir tantas vezes os cartões de visitas que recebemos ... em geral eles têm validade apenas por dois anos.

Os mais experientes - que em sua maioria não vivenciaram essa dinâmica - precisam compensar esse fato com ampliação de seus conhecimentos, com a disposição de tomar alguns riscos para provar que anos de trabalho ainda fazem diferença, e até com uma análise criteriosa do tipo de organização em que poderia haver um melhor reconhecimento de seu potencial.

Estamos falando de estudar mais, ler mais, interessar-se por outras temáticas que não a da sua “escola”, ser mais flexível quanto à inovação ou às idéias desconcertantes, criar, enfim, uma visão abrangente dos negócios, do mercado, da sociedade, para manter-se competitivo profissionalmente e ocupar a posição que ambiciona ou julga merecer.

Sergio Lozinsky, líder de Estratégia Corporativa da IBM Global Business Services (lozinsky@br.ibm.com)

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