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Abaixo do Equador é diferente- O custo de uma coisa corresponde à quantidade de vida que você troca por ela (Henry David Thoreau)
| Autor: |
Sergio Lozinsky |
| Data: |
25 Ago 2006 |
| Mídia: |
B2B Magazine |
Nos últimos anos o Brasil e outros países da América Latina, como Argentina e México tornou-se um grande mercado para os gurus de Administração do momento: chega-se a pagar algo como três mil reais para assistir às palestras desses iluminados e tentar absorver um pouco do enorme conhecimento que eles parecem poder transmitir. As palestras mostram como as empresas podem ser mais competitivas, mas criativas, mais eficientes, e ainda manter seu pessoal motivado e disposto a fazer o impossivel por um bom bônus.
Há no entanto uma pequena diferença que não costuma ser mencionada: escala ... o tamanho dos mercados, e, por consequencia, das organizações que atuam nesses mercados. Essa pequena diferença é grande o suficiente para fazer com que as coisas acabem acontecendo de outra forma por aqui, abaixo da linha do Equador (não vale contar a Austrália).
Por exemplo, quem trabalha em uma subsidiária de multinacional consegue perceber que enquanto é obrigado a multiplicar-se para dar conta das diversas atividades que precisa fazer acontecer ao mesmo tempo (algo como aqueles chineses de circo que mantêm vários pratos rodando), cada uma dessas atividades, lá fora, tem alguém dedicado exclusivamente, e é dificil imaginar que isso tome tanto tempo ... pior é quando cada um desses especialistas nos cobra metas de sua atividade como se fosse a única coisa que fazemos por aqui. É como se tivéssemos vários chefes.
Vale a pena lembrar que essa situação não é exclusiva das multinacionais. Embora sem chefes no exterior, os profissionais das empresas locais a maior parte de pequeno e médio porte talvez sintam mais profundamente o que significa jogar nas onze, fazer acontecer, contra todas as probabilidades e dificuldades.
Com mais de 500 milhões de pessoas vivendo na América Latina (200 milhões no Brasil) é uma pena que depois de mais de cem anos de capitalismo ainda não tenhamos tido lideranças políticas e empresariais - capazes de distribuir melhor a renda e realizar o potencial que um mercado desse tamanho pode representar. E não é o Mercosul que vai resolver esse problema.
Os gurus regiamente pagos para contar-nos o que funciona no Primeiro Mundo deveriam tentar entender o mercado latinoamericano, e adaptar seus discursos à nossa realidade. Isso não só ajudaria a tornar as recomendações mais realistas, mas também poderia contribuir diretamente com a melhoria do cenário local: sua reputação e sua independência intelectual podem ajudar a influenciar aqueles que tem o poder da mudança.
Sergio Lozinsky, líder de Estratégia Corporativa da IBM Global Business Services (lozinsky@br.ibm.com)
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