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A Convergência entre Telecomunicações e Tecnologia de Informação

Autor: Manzar Feres
Data: 30 Set 2005
Mídia: Gazeta Mercantil

A expansão de redes IP e ofertas de banda larga criam oportunidades novas para empresas de tecnologia atuarem de maneira diferenciada em porções da cadeia de valor de telecomunicações, tradicionalmente, pertencentes às operadoras de telefonia. O mercado e os investidores vêm focando na concorrência entre os donos da infra-estrutura que possibilita tráfego em banda-larga, como operadoras de telecomunicações, empresas de TV a cabo, operadoras WiFi, satélites e, até mesmo, empresas de energia elétrica. Entretanto, à medida que a infra-estrutura vai se tornando cada vez mais comoditizada, o grande filão desse mercado passa a ser a distribuição de aplicações de valor agregado pelas redes existentes. Nesse cenário, as empresas de tecnologia passam a ter um espaço relevante na cadeia de valor das telecomunicações.

Segundo pesquisa realizada pela IBM e o instituto de pesquisa Economist Intelligent Unit (EIU) no ano passado, quase 90% dos CEOs de empresas de telecomunicações entrevistados na Europa, Ásia e América do Norte acredita e vem investindo prioritariamente na convergência sob o ponto de vista de infra-estrutura e serviços combinados entre redes fixas e móveis. Apesar disso, observamos também que mais da metade dos altos executivos das empresas participantes do estudo disse já ter em sua agenda a questão da convergência entre telecomunicações e tecnologia de informação.

É claro que quando se fala em convergência e no potencial das novas redes hoje em dia, o foco volta-se para as ofertas de voz sobre IP (VoIP), que, segundo recente análise do mercado de telecomunicações realizada pela IBM Business Consulting Services, será responsável até 2007 por cerca de 67% das receitas de serviços utilizando banda larga. Esse tipo de comunicação, que é chamada computer-to-computer (C2C), oferece inúmeras vantagens sobre o serviço de voz tradicional que trafega sobre as redes comutadas de telefonia. A principal e mais relevante delas é o preço.

Entretanto, a comunicação C2C tem pelo menos uma grande desvantagem: a falta de penetração da infra-estrutura nas pontas. Enquanto todos os usuários de telefonia convencional podem falar com qualquer outro a qualquer hora, a comunicação C2C requer PCs nas pontas da comunicação ou dispositivos que entendam e “traduzam” em voz os pacotes trafegados nas redes. Nesse cenário, empresas de telecomunicações e de tecnologia de informação devem trabalhar juntas de modo a obter os meios para tornar a utilização de VoIP mais fácil e “onipresente”.

Um aspecto bastante relevante é que as redes IP têm o potencial de reorganizar a cadeia de valor das telecomunicações no sentido de possibilitarem o tráfego com qualidade de aplicações mais complexas e “pesadas”, que em redes tradicionais seriam impossibilitadas de trafegar. Além disso, há um número crescente de novos dispositivos que se conectam às redes IP e necessitam de sistemas operacionais para reconhecer as novas aplicações que vêm surgindo. Assim, os fabricantes de software e os fornecedores de aplicações têm a chance de se posicionar numa porção da cadeia de valor bastante interessante e rentável. É claro que a concorrência será acirrada e a busca por novas ofertas será muito importante para fugirem da guerra de preços, como vemos acontecer cada dia mais com as operadoras de telecomunicações e empresas de TV a cabo na luta pela infra-estrutura.

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