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Metas agressivas provocam falta.... de ética, educação e solidariedade

Autor: Sergio Lozinsky
Data: 01 Mai 2005
Mídia: B2B Magazine

A filosofia salarial de premiações (bônus) e penalidades vem agradando um número cada vez maior de empresas, que percebem nessa forma de remuneração um tremendo incentivo para o indivíduo superar-se, dedicar mais tempo ao negócio e defender com maior afinco os interesses da organização em que trabalha.

Os resultados na lucratividade de algumas empresas podem comprovar o acerto dessa filosofia e o enriquecimento, até rápido, de alguns jovens executivos têm servido de exemplo do que deve ser perseguido pelos profissionais com ambição e vontade de ganhar dinheiro.

Motivadas pelos bons resultados do que se convencionou chamar de “remuneração variável” as empresas espalharam o conceito em todas as suas áreas – vendas, compras, produção, administração, etc -, reconhecendo que há vários processos em que se pode “economizar” ou “ganhar mais” se o funcionário da empresa estiver legitimamente interessado em trabalhar nessa direção. E à medida que isso funciona, as metas vão tornando-se mais agressivas, porque uma vez atingidas não são mais dignas de premiação... é preciso pensar mais longe, testar os limites.

O que observa-se hoje, como resultado desse modelo, é que muitos profissionais estão dispostos a romper não somente os limites de sua capacidade física e intelectual, mas também de valores que merecem maior cuidado, como ética, educação e solidariedade.

Fazer “acertos” com o cliente para cumprir as metas de venda no fim do mês ou do trimestre passou a ser uma prática mais comum do que se imagina; mentir freqüentemente, ou omitir informações importantes sobre o produto vendido, também; tratar o fornecedor com desprezo e falta de educação é hoje considerado por muitas organizações como uma forma saudável de negociação, que merece ser estudada; entregar idéias de um concorrente para outro – sob a ótica de melhorar o preço final “mantendo a qualidade” - é visto como um “direito” do cliente; encontrar formas de não pagar o combinado inicialmente, utilizando a idéia de estar “insatisfeito” com os resultados é um novo meio de melhorar seus próprios indicadores de performance à custa do esforço de outros.

Não vejo como esse comportamento pode ser útil para o mercado e o indivíduo no médio e longo prazos. Sinais de esperança de que a sociedade enxergará os danos que estão sendo causados no convívio entre as pessoas e no nível de stress da população também estão presentes, felizmente: empresas começam a publicar um conjunto de valores que pretendem fazer valer em seus negócios; e alguns fundos de investimentos anunciam que entre seus critérios de seleção de empresas figuram ética e contribuição social. Sou otimista, e acredito que, no final, a busca de maior qualidade de vida mostrará os exageros do modelo atual.

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