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O CFO do Século XXI: um estrategista acima de tudo
| Autor: |
Paulo de Tarso Machado |
| Data: |
19 Mai 2005 |
| Mídia: |
O Estado de S. Paulo |
Nos últimos anos, como uma tendência global, as áreas financeiras fizeram progressos significativos em redefinir sua função, buscando uma organização mais eficaz, eficiente e efetiva para poder responder à evolução estratégica das empresas.
Nesse contexto, a área financeira desencadeou um processo de mudança de direção que inclui a transformação de seu papel histórico de policial para parceiro estratégico de negócio; da sua atividade de foco no processamento transacional para foco no apoio estratégico à decisão de negócio; a de custo, de 3% para 1% da receita.
A IBM Business Consulting Services pode atestar essa mudança significativa na função das áreas financeiras através do resultado de uma pesquisa realizada junto a 450 CFOs em 35 países. A questão central era entender qual a função de finanças nas empresas hoje e qual deverá ser nos próximos três anos.
A boa notícia é que muito do que tem sido feito pelos CFOs em suas áreas financeiras (ex: processos automatizados e serviços compartilhados) pode ser alavancado no futuro. A má é que o próximo nível de transformação precisa ser ainda mais dramático do que o anterior para permitir que as empresas possam criar um novo modelo de negócios que reflita a crescente e contínua complexidade de um mercado em constante mudança.
Com base no resultado das entrevistas, identificamos que o CFO está atualmente no âmago do eqüacionamento das questões-chave das empresas. Com a evolução de suas responsabilidades, ele deverá tornar-se o Chief Focus Officer e seu foco será contribuir para que a organização possa desenvolver novas competências e criar forças únicas.
Mais de 60% dos CFOs pesquisados acreditam que suas atividades e serviços prestados são percebidos como de valor agregado, incluindo a visão dos CEOs sobre finanças. Entretanto, percebemos que eles ainda têm muito a fazer para assegurar que o seu valor agregado seja percebido de forma igual em toda a empresa.
Outro ponto interessante é que mais de dois terços dos entrevistados citaram apoio na criação de valor para o acionista como sua maior prioridade, seguida de perto por medindo/monitorando desempenho de negócio, indicações diretas de que os CFOs estão posicionados para cumprir o seu novo papel de apoiar na formulação estratégica das empresas.
Porém, a pesquisa também sinaliza que há gaps significativos entre as informações recebidas e as necessárias para que finanças possa cumprir o seu novo papel. Áreas como gestão de clientes e produtos são naturalmente críticas para a dinâmica do negócio e, conforme resultado da pesquisa, a qualidade dessas informações está aquém do esperado e necessitará de atenção especial.
Neste ponto, é interessante notar que as informações chegam no tempo certo, são confiáveis e consistentes, entretanto, somente um terço dos pesquisados acredita que a informação é fácil de usar, sob medida, integrada e efetiva em custos.
Não só as questões de processos são abordadas pelos CFOs. Eles consistentemente manifestam sua preocupação com o elemento humano de suas funções e acreditam que a área é vista pelas organizações como tecnicamente competente, mas precisa contribuir mais amplamente para o negócio. Para atender às suas aspirações, mais de dois terços dos CFOs entrevistados sentem que precisam motivar e investir nas pessoas para criar capacitações que vão além daquelas necessárias pelas organizações de hoje, incluindo maiores qualificações e integração às redes de negócios existentes.
O CFO tem um papel fundamental em contribuir para que a sua empresa possa conectar-se aos demais players e entidades que fazem parte de sua rede de negócios. E essa conexão demanda da área financeira entender, apoiar, implementar e comunicar qual a competência diferenciada e única que sua empresa traz, para que a rede de negócios a qual pertence possa continuar crescendo e gerando riqueza.
O ambiente de negócios no qual as empresas hoje operam é desafiador. Ao mesmo tempo em que os CFOs e suas organizações merecem ser aplaudidos pela importante transformação desencadeada recentemente, ainda há trabalho a ser feito. No século XXI o CFO precisa ser um estrategista que contribua diretamente para o crescimento do negócio, a redução dos custos, a gestão do risco e a conexão da empresa à sua rede de negócios. Isso implicará na criação de uma visão clara e de um mapa detalhado para poder dar continuidade a essa transformação já iniciada.
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