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Inovação - Quando a boa idéia encontra a necessidade de mercado, gerando benefícios, sucesso e lucro
| Autor: |
Sergio Lozinsky |
| Data: |
14 Abr 2005 |
| Mídia: |
O Estado de S. Paulo |
As principais características de nosso dia-a-dia no século XXI a velocidade com que as coisas acontecem e se renovam, e a facilidade de obter informações sobre tudo o que ocorre no mundo quase que instantaneamente requerem das empresas e das pessoas uma nova mentalidade para enfrentar os desafios profissionais, os concorrentes, e o grau de expectativa de seus clientes e das organizações para as quais trabalham.
É preciso introduzir novos produtos e serviços com maior valor agregado, para tentar manter a lealdade dos clientes por mais algum tempo ... clientes não são leais ao fornecedor, e sim aos seus próprios interesses; é imperativo criar novas formas de motivar e reter os talentos, porque são eles que fazem toda a diferença ... mais do que os métodos, ferramentas ou estratégias; é fundamental obter a colaboração dos fornecedores, formando um ecosistema capaz de surpreender a concorrência; é preciso encontrar formas de tocar a própria vida de forma a sentir-se feliz a maior parte do tempo. Tudo isso e muito mais novos modelos financeiros, novas abordagens de marketing, novas idéias para balancear vida pessoal e vida profissional é inovação .
Inovação é um conceito-chave que vem sendo explorado por organizações empresariais e instituições interessadas em avaliar como a nova realidade da sociedade e dos mercados deve afetar seus negócios e seus interesses.
O tempo da invenção está se esgotando: a inovação aparece quando a invenção encontra a oportunidade de mercado, que fará com que a boa idéia seja adotada em larga escala, e rapidamente. Para isso, é preciso sair do laboratório, e muito cedo antes mesmo de saber aonde a nova idéia vai parar compartilhá-la com outras pessoas e organizações, que vão agregar percepções, testar conceitos, pensar em tecnologias que podem ser associadas, e direcionar os esforços para um objetivo mais prático. E essa COLABORAÇÃO é algo revolucionário, intelectual e cientificamente, requerendo novos padrões de comunicação para troca de informações entre os diversos participantes e ecosistemas.
Esse processo de INOVAÇÃO muda o conceito de propriedade intelectual. Os ativos intelectuais passarão a ser tratados de modo similar ao capital algo que deve ser investido, compartilhado para encontrar o caminho do sucesso.
Uma vez percebida a forma como as coisas devem acontecer, é preciso descobrir aonde atuar: que temas reúnem potencial para melhorar a qualidade de vida das pessoas e estimular oportunidades econômicas significativas. Recente pesquisa realizada sobre o tema, envolvendo técnicos e cientistas de várias partes, indicou que o indivíduo será o ponto focal da inovação, como cidadão ou como profissional.
Por exemplo, os estudos não mais terminarão na universidade, mas sim prolongar-se-ão por toda a vida profissional, mudando o papel da empresa, e requerendo maior integração entre a escola e o mercado de negócios. Isso porque o conhecimento e a experiência terão um papel ainda mais preponderante nas organizações; a percepção atual de declínio do profissional a partir de uma certa idade talvez tenha de ser reconsiderada diante dessa nova perspectiva.
Outra mudança importante, a Medicina passará de preventiva (ainda um privilégio de poucos) para preditiva. Isso significa agir antes mesmo que a doença se manifeste. Em lugar de identificar associações por exemplo, que um tipo de alimento reduz o risco de câncer será necessário descobrir porque essa associações existem. E a partir dessa descoberta, massificar a redução do risco da doença. E, desafio maior, levar isso a todos, particularmente aos mais carentes. Que não poderão ser ignorados pelos demais. A Medicina preditiva deve criar novas oportunidades, como o especialista em interpretações dos dados genéticos de um indivíduo, que, associados ao estilo de vida e ao ambiente, devem permitir disparar ações preventivas de alta eficiência.
As nações, por sua vez, utilizando cada vez mais a tecnologia para comunicar-se com seus cidadãos (e dependendo cada vez mais dessa tecnologia), tornar-se-ão mais virtuais. Aparece uma questão interessante: os Estados continuarão definidos por fronteiras geográficas, enquanto as nações disputarão cidadãos em todo o mundo ? Quando do surgimento da Internet, já houve a tentativa de criação de um país virtual, onde as pessoas viveriam em uma nação-estado, mas participariam de uma nação- site com outras leis, benefícios e oportunidades. As nações, como as empresas e organizações, buscarão incorporar os melhores talentos, e para isso precisarão inovar no conceito de cidadania.
Em um mundo onde o trabalhador do conhecimento estará sempre ligado e disponível, parece que a grande busca do indivíduo será encontrar formas de desligar-se do trabalho. Outra forma de pensar é aceitar o fato de que vida profissional e vida pessoal não serão duas coisas separadas, mas uma só, e que novas formas de permitir a integração dessas duas realidades pode ser a resposta para resolver o problema. Por exemplo, criar políticas e práticas que permitam virtualizar eficientemente o relacionamento entre empregador e empregado. Que impacto isso terá sobre o gerenciamente da empresa ? Como isso afetará a cultura empresarial ? Como isso afetará o sentimento de pertinência a um grupo ou idéia, hoje fundamental para sustentar as organizações ?
Mais do que isso, como esse novo comportamento vai afetar a forma como as sociedades vivem e se desenvolvem ? Inovações ligadas diretamente a essas questões têm tudo para gerar alimento para grandes discussões, e novas oportunidades.
Acompanhar todos esses movimentos de perto, estar atento para os sinais de mudança, é algo fundamental para todos nós, independente de nosso cargo ou perfil. Mas o mais importante é perceber que esse processo de INOVAÇÃO que já começou representa a chance de uma vida melhor para todos privilegiados e carentes e ainda assim, cheio de oportunidades - de negócios e de satisfação pessoal.
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