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Governança de TI – ainda um tem em discussão

Autor: Sergio Lozinsky
Data: 31 Jul 2004
Mídia: Cross

O tema continua presente: o crescimento da importância de TI nas empresas nos últimos anos, e os significativos investimentos e benefícios associados a sua aplicação nos negócios motivam executivos, consultores e pesquisadores a desenhar novo modelos de gestão e de controle de TI, refinar algoritmos que pretendem projetar os retornos esperados sobre os investimentos em tecnologia, criarem indicadores para medir o desempenho das soluções implementadas pela área de TI e até desenvolverem uma “contabilidade” voltada a apurar com precisão os custos de TI alocáveis a cada área usuária.

É interessante conversar com os CIOs – que estão no “olho do furacão” da questão da governança de TI – e perceber como todas essas idéias são entendidas e tratadas na prática. Muitos deles concordam que durante anos o pessoal de TI tornou a área uma “caixa preta”, e aí residem raízes de dúvidas e desconfianças que recentemente levaram os usuários a exigirem um planejamento de TI “mais democrático”, e maior rigor na avaliação dos projetos propostos.

Os CIOs entendem, também, que muitos usuários esperam que a área de TI seja visionária: a percepção de como as novas tecnologias disponíveis no mercado podem afetar os negócios da empresa deveria aparecer na área de TI. O CIO é quem deve investigar proativamente as possibilidades que as tecnologias oferecem.

Por outro lado, os CIOs reconhecem que precisam ser bons “vendedores” de idéias que representem oportunidades de aumentar a competitividade da organização. Eles são como consultores internos, que devem fomentar idéias, organizá-las e apresentá-las de forma didática e atraente.

Tentativas de organizar a questão da governança de TI vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos, e instituições, associações e metodologias foram criadas para isso. Cobit (Control Objectives for Information and related Technology) e ITIL (IT Infrastructure Library) são exemplos dessas soluções. Eles boas práticas de TI, tanto do ponto de vista de gestão quanto de prestação de serviços.

Mas não há uma receita para resolver problemas de governança: suas soluções também dependem de aspectos culturais, políticos e econômicos. Idéias e soluções como Cobit e ITIL são vistos por alguns como algo similar ao ISSO 9000: ninguém nega sua importância e contribuição para as organizações, mas não são suficientes.

Não há modelos de governança estáveis. Centralização de TI, rigor no controle do portfólio de projetos de tecnologia, 100% das decisões nas mãos dos usuários, pesquisas de satisfação sobre os serviços de TI, utilização de consultores ou auditores externos são recursos válidos para determinadas circunstâncias, cenários de negócios ou perfis dos executivos. O dinamismo do mercado em que atuamos não permite acomodação: vamos precisar inovar, testar novas soluções, substituir perfis. Isso também é governança.

Sérgio Lozinsky é sócio da IBM Business Consulting Services

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