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Internacionalização pede novo modelo

Autor: Marcelo Pontes
Data: 30 Nov 2003
Mídia: B2B Magazine

Conforme abordamos no último mês, as demandas da internacionalização exigem um redesenho dos negócios, para que estes estejam alinhados com os novos desafios organizacionais. Para as empresas vencerem esses desafios e se tornarem focadas, responsivas, variáveis e resilientes, um novo modelo organizacional se faz necessário. Vejamos quais são os principais elementos de um modelo de atuação cross-border bem-sucedido.

Os modelos de gestão para uma adequada internacionalização demandam repensar a empresa, envolvendo seus alavancadores estruturais e as redes externas de parceiros e fornecedores, em qualquer localização geográfica.

Um bom ponto de partida é identificar, de forma clara, quais os componentes do negócio, ou seja, os diversos conjuntos de pessoas, processos e/ou tecnologias, que têm um claro propósito estratégico e mantêm viabilidade financeira com a empresa. Geridos separadamente, esses podem gozar de um alto grau de autonomia, desde que assegurem forte colaboração com o resto da organização.

É necessário, também, desenvolver arquitetura de negócio que permitam uma conectividade integral entre os diversos componentes do negócio e os parceiros externos ao redor do mundo. Essas parcerias devem ser desenvolvidas no sentido de capturar para o negócio a especialização best-in-class, em um ou mais componentes específicos do negócio. Escala, conhecimento e performance podem ser maximizados por meio dessas parcerias.

A habilidade de gerir os componentes internos e os componentes externos do negócio e seu perfeito balanceamento para a maximização dos resultados é que determinará o sucesso da empreitada cross-border.

Faz parte desse balanceamento reconhecer que mesmo os processos e componentes considerados diferenciadores da organização e mantidos internamente devem começar a ser enxergados como componentes on demand. Ou seja, devem ter uma infra-estrutura organizacional diferenciada e otimizada, além de uma estrutura de governança alinhada à proposição de valor da empresa.

A capacidade de gerenciar os componentes externos torna-se fator-chave de sucesso na organização internacional moderna. Gerenciar adequadamente componentes externos significa cuidar das garantias dos parceiros, com services level agreements quantificáveis, a manutenção da privacidade entre as empresas e o cuidado para que o risco do negócio do parceiro seja minimizado para garantir a integridade da empresa. Os fatores críticos de sucesso dos parceiros e de seus componentes compartilhados devem merecer toda atenção da organização, bem como a manutenção de custos competitivos decorrentes da associação.

Portanto, os modelos de gestão vencedores em um ambiente cross-border requerem repensar a organização desenvolvendo uma rede externa de parceiros independentemente da geografia. Sabendo como gerenciar essas relações de forma eficaz e considerando como on demand mesmo aqueles componentes mantidos internamente e sabidamente diferenciadores do negócio.

Marcelo Pontes é consultor da IBM Business Consulting Services

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