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Desafios organizacionais da internacionalização

Autor: Marcelo Pontes
Data: 30 Out 2003
Mídia: B2B Magazine

Atuar cross-border implica estar cada vez mais exposto às pressões da nova era de negócios. As demandas da internacionalização exigem um redesenho dos negócios, para que esses estejam alinhados com os novos desafios organizacionais.

No cenário competitivo, os concorrentes tradicionais de determinado segmento também buscam se expandir e entrar em novos mercados, enquanto novos competidores emergem inesperadamente em nichos e “roubam” suas bases de clientes mais rentáveis. Ou seja, a internacionalização intensifica a concorrência e requer das empresas uma habilidade maior de se integrar e explorar oportunidades de escala e redução de custos. Os clientes também decidem em bases globais, diminuindo as margens de lucratividade à medida que os mercados se tornam mais transparentes. Como resposta a esses desafios, as empresas precisam estar mais focadas e concentradas em suas competências diferenciadoras, usando parcerias estratégicas para gerir determinadas atividades que não a distinguem.

Outro desafio para as organizações que se internacionalizam é decorrente da chamada descontinuidade contínua. Esse conceito é um produto sobretudo da inovação tecnológica, que transforma rapidamente a maneira como os negócios operam, gerando introdução de novos produtos e exigindo ciclos cada vez mais curtos. A forma de enfrentar esse desafio é tornar a organização verdadeiramente responsiva, quase intuitiva na sua habilidade de perceber e responder rapidamente a mudanças imprevisíveis no ambiente de mercado e nos requerimentos dos seus acionistas.

Além disso, quando as empresas se expõem a forças de concorrentes internacionais, as pressões internas (como de acionistas e analistas financeiros) se intensificam. A alta administração começa a ser cobrada por suas decisões de negócio e os resultados passam a ser monitorados, necessitando de transparência e previsibilidade. Da mesma forma, os acionistas demandam crescimento e fazem a administração responsável pelos rumos seguidos. Nesse ambiente, faz-se necessário que a empresa se torne variável, capaz de adaptar duas estruturas de custos e flexibilizar seus processos visando a reduzir riscos. Realizar negócios com altos padrões de produtividade, controle de custo, eficiência de capital e previsibilidade financeira é uma pressão sem trégua que enfrentam essas organizações.

Finalmente, empresas que empreendem aventuras internacionais estão agora sujeitas a ameaças antes imprevisíveis, tais como a instabilidade geopolítica – que influencia a performance operacional de firmas integradas globalmente, e instabilidade trabalhista – de ordem diferente das que presenciava e em indústrias parceiras diferentes. Além disso, mudanças demográficas e desastres naturais são algumas outras ameaças. Para enfrentar essa nova realidade, a operação precisa ser resiliente, ou seja, estar preparada para mudanças e ameaças tecnológicas, econômicas ou políticas. Nesse sentido, preparada significa manter suas operações funcionando com disponibilidade, segurança e privacidade consistentes.

Para vencer esses desafios e se tornarem focadas, responsivas, variáveis e resilientes, um novo modelo organizacional se faz necessário. Os elementos desse novo modelo, a nova configuração de processos, pessoas, estrutura e tecnologia e a forma de relacionamento com os parceiros é o que pretendemos discutir na próxima edição.

Marcelo Pontes é consultor da IBM Business Consulting Services

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